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A adjetivação como método. Por Fernando Rocha.

Há uma frase do pensador inglês Bertrand Russell (1872–1970) que atravessou o tempo com a força das advertências simples e cortantes:

“Primeiro, eles fascinam os tolos. Depois, amordaçam os inteligentes.”

Russell, que viveu as convulsões ideológicas do século XX, parecia compreender que os regimes autoritários não nascem apenas da violência explícita, mas de um processo psicológico e social mais sutil e sedutor.

Vivemos tempos em que a política deixou de ser arena de ideias para se tornar espetáculo de adjetivos. A adjetivação como método tornou-se estratégia recorrente de disputa pública. As palavras já não descrevem, elas buscam estigmatizar, ferir e excluir. Lulistas, bolsonaristas, comunistas, direitistas, esquerdistas, lavajatistas e tantos outros istas são lançados como pedras. O rótulo substitui o argumento. A caricatura ocupa o lugar do diálogo.Além de gerar mais ódio, essa prática é profundamente nociva ao pluralismo e aos valores democráticos, que pressupõem a convivência entre divergências, o reconhecimento da dignidade do outro e a defesa de direitos, sobretudo, para quem pensa diferente.

É nesse terreno que floresce o primeiro movimento, a fascinação.
Não a fascinação estética do belo, mas a sedução das massas. Discursos simplificados, certezas absolutas, promessas redentoras. O mundo complexo é reduzido a uma narrativa fácil, de um lado os puros, do outro os inimigos. Fascinar é capturar pela emoção antes que a razão tenha tempo de respirar. É oferecer pertencimento, identidade e indignação em doses generosas e slogans memoráveis.

Quando a plateia já está encantada, entra em cena o segundo movimento, o amordaçamento.
Não necessariamente com censura formal, mas com a asfixia simbólica do pensamento crítico. Intelectuais são ridicularizados. Especialistas são desqualificados. Quem pondera é acusado de traição. A inteligência passa a ser vista como obstáculo e não como virtude. Silencia-se não apenas a voz, mas a própria legitimidade de pensar diferente.

A advertência de Russell sugere que a origem do fascismo não reside apenas na violência aberta, mas nesse processo gradual e quase imperceptível, primeiro a sedução, depois a supressão. Primeiro o aplauso apaixonado, depois o silêncio constrangido. A adjetivação como meio de excluir.

O mais inquietante é que esse mecanismo não pertence a um único campo ideológico. Ele pode emergir sempre que o pluralismo é tratado como fraqueza e a divergência como ameaça. Sempre que direitos passam a valer apenas para os nossos e deixam de ser universais, a democracia começa a se estreitar.

Talvez o antídoto esteja justamente no que o fascínio despreza e o amordaçamento teme, a dúvida honesta, o debate respeitoso, a defesa incondicional da dignidade humana, inclusive de quem discorda de nós. O respeito à tolerância.

No fim, sociedades livres não se sustentam sobre a sedução das massas nem sobre o silêncio imposto aos críticos. Sustentam-se sobre a coragem de conviver com a diferença.

Fernando Rocha é Procurador da República e Mestre em Direito Internacional.

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Vocação – a lealdade a si mesmo. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Dia desses conversava com meu filho sobre vocação. Percebi, de logo, a apreensão que o tomava diante das escolhas que se avizinham. Em tempos ásperos, descobrir a própria vocação é desafio de feição angustiante; e torna-se ainda mais penoso imaginar-se atravessando os dias para realizar algo por mera geração espontânea, eis que apenas tolerar esse fardo nem de longe preenche o espírito.

Iniciei, pois, uma conversa serena, embora densa, quase a reproduzir o realismo de Machado de Assis imposto na sua afamada Teoria do Medalhão.
Disse-lhe que exercer aquilo que não se ama converte-se em peso diário. É que todo trabalho sem paixão cobra caro. Vive-se, quando muito, por inércia — e quase sempre sem alegria, ou sem sentido.

Em termos aristotélicos, vocação é o encontro de uma atividade na qual as próprias capacidades se realizam orientadas a um fim bom — algo que, mais do que preencher o tempo, aperfeiçoa a vida.
Exercer a vocação, portanto, é ato de lealdade a si mesmo. Sem essa luz interna, o esforço cotidiano perde o brilho e a cor.

Khalil Gibran traduz com rara precisão esse sentimento ao rotular o trabalho como o “amor tornado visível”. Encontrar essa certeza exige coragem — e é essa coragem que nos protege da mediocridade. A aliança entre paixão e propósito, quando enfim firmada, liberta a existência da amargura.

Com a franqueza discreta que só se permite no intervalo íntimo entre pai e filho, disse-lhe ainda que há escolhas capazes de granjear aplausos, mas insuficientes para inscrever substância no eixo da alma.

Tudo se resume, senão, a volver os olhos para o conselho de Nietzsche: “Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o”.

Que ele recolha, à sua maneira e em alguma medida, átimos dessa lição. Que ele jamais se distraia com miudezas. Afinal, a vida não se repete. 

 

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Diteiro e Mestre em Direito e Poder Judiciário pela ENFAM.

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Neoenergia Cosern não paga aluguel ao RN para instalar seus postes e fios. Por Aragão.

A Neoenergia Cosern cobra dos consumidores que produzem energia solar pelo uso da sua rede. Usou, pagou. Não me refiro ao consumo de energia elétrica — apenas ao fato de utilizarmos sua rede quando injetamos a energia gerada pelos painéis solares. É a chamada tarifa de uso do sistema de distribuição, conhecida no setor como TUSD — que remunera postes, cabos, transformadores e toda a engrenagem física que mantém a eletricidade circulando.

Está na lei.

Mas existe um contrassenso enorme. Seguindo esse mesmo raciocínio, a instalação e o uso desses milhares de postes e fios em espaço público não deveriam pagar aluguel também ao povo? Isto é, ao Estado? Não seria o mínimo a se fazer em contrapartida pela benesse de ter o RN inteiro em suas mãos, o que se traduz em quase meio bilhão de reais de lucro por ano? Uma área enorme utilizada e não remunerada.

Infelizmente, a Neoenergia não paga porque está protegida pela lei. Mas é imoral. Por isso mesmo devemos questionar as leis. Boa parte da legislação do passado caiu por se tornar insustentável.

Precisamos evoluir a legislação. Já esteve nas leis brasileiras que mulheres não poderiam votar, que poderíamos escravizar pessoas; que era proibido se divorciar. Questionamos, pressionamos e mudamos as leis.

A Neoenergia presta um bom serviço, mas a relação atual com o consumidor é muito desigual.

De um lado, o cidadão paga para usar a rede. Do outro, a rede utiliza o espaço coletivo sem que esse custo seja discutido com a sociedade.

O STF proibiu municípios de cobrarem taxa pelo uso do solo por postes de energia. Mas nada impede que o tema seja enfrentado politicamente. Cabe ao Congresso discutir se o uso massivo do espaço público pode gerar contrapartida. 

Esse debate envolve toda a população. Mas por que a classe política não entra nesse debate? O que a classe política teme?

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Unimed Natal é reconhecida no Prêmio Líderes Valor Saúde 2026

Cooperativa é destaque na categoria Institucional – Operadora, e Hospital Unimed Natal lidera linhas de cuidado avaliadas por desempenho clínico e eficiência assistencial

A Unimed Natal será reconhecida no Prêmio Líderes Valor Saúde 2026, com cerimônia marcada para o dia 25 de março de 2026, em Confins/MG. A cooperativa foi destaque na categoria Institucional – Operadora, pela adoção de modelo de gestão assistencial baseado em DRG (Diagnosis Related Groups), e o Hospital Unimed Natal é líder nas linhas de cuidado em Asma, Medicina Interna Adulto e Medicina Interna Pediátrica.

O prêmio é promovido pelo Grupo IAG Saúde, com curadoria da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e do International Consortium for Health Outcomes Measurement (ICHOM), e integra a iniciativa Valor Saúde Brasil 2026.

A premiação reconhece instituições que se destacam pela excelência em desfechos clínicos e eficiência na utilização de recursos assistenciais, com métricas ajustadas à complexidade dos pacientes atendidos. A avaliação é realizada com base no Índice de Valor Saúde Brasil (IVSB), indicador da plataforma Valor Saúde DRG Brasil®️, que utiliza inteligência artificial e base nacional de dados para analisar mortalidade ajustada e consumo de recursos hospitalares.

O prêmio contempla duas categorias principais: institucional, voltada para organizações com desempenho global de destaque, e por linha de cuidado, que reconhece práticas assistenciais específicas com resultados superiores.

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Notícia do Estadão fortalece decisão de Walter, diz Kelps

Para o pré-candidato a deputado federal, Kelps Lima, a notícia do Estadão mostrando o Rio Grande do Norte em situação econômica terrível fortalece a decisão do vice-governador, Walter Alves, de não querer assumir a gestão do RN após a renúncia da governadora Fátima Bezerra.

A notícia do jornal Estado de São Paulo mostra que o RN está sem dinheiro em caixa para quitar despesas do passado e assumir novos compromissos em 2026. O RN está sob a mesma gestão desde 2019, há quase oito anos.

“Os números mostram que Walter está certo. O risco político de herdar essa catástrofe financeira é muito alto. Ele assumiria e ficaria no dilema: agir corretamente e cortar custos, sendo acusado pelos causadores do problema de neoliberalismo OU assumiria o desmantelo feito pelos outros, trazendo para o CPF dele uma série de danos políticos e jurídicos que não construiu”, analisa Kelps.

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Nota de solidariedade ao jornalista da tribuna do Norte, Fernando Azevedo. 

O Blog Marcus Aragão manifesta solidariedade ao jornalista da Tribuna do Norte, Fernando Azevêdo, alvo de comentários ofensivos nas redes sociais durante a cobertura do bloco Os Cão, na Redinha, em Natal.

Críticas à imprensa são legítimas e fazem parte do debate público. O exercício da atividade jornalística pressupõe questionamentos, contrapontos e divergências.

No entanto, manifestações que envolvem ataques pessoais, preconceito ou discriminação não contribuem para o debate democrático e extrapolam os limites da liberdade de expressão.

O respeito ao profissional, independentemente de divergências editoriais, é condição básica para a convivência em sociedade.

Reafirmamos que o enfrentamento de ideias deve se dar no campo dos argumentos — nunca no da ofensa.

O Blog Marcus Aragão defende a liberdade de imprensa, o direito à crítica e, igualmente, o respeito às pessoas.

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O efeito colateral da jornada para 5×2 é a antecipação da mão de obra 7×0. Por Aragão.

Segundo dados da consultoria Conference Board, a produtividade do trabalhador brasileiro equivale a aproximadamente 25% da produtividade do trabalhador americano — ou seja, o brasileiro produz, em uma hora de trabalho, o que um americano produz em cerca de 15 minutos. Ocupamos a 94ª posição entre cerca de 180 países no quesito produtividade.

Os países que conseguiram reduzir a jornada já tinham produtividade alta. E ainda a aumentaram. Isto é, prepararam-se para a redução da jornada sem deixar cair a produção.

Quando a jornada cai sem que a produtividade suba, o custo por hora trabalhada aumenta. E, quando o custo do trabalho sobe em um país já pouco competitivo, o mercado tende a reagir.

Enquanto o debate público ainda gira em torno da jornada, grandes empresas no mundo inteiro já estão substituindo silenciosamente tarefas humanas por inteligência artificial e automação.

Bancos fecharam milhares de agências físicas nos últimos anos porque aplicativos e algoritmos assumiram funções antes realizadas por gerentes e atendentes.

Call centers estão sendo substituídos por chatbots capazes de atender milhões de clientes simultaneamente.

Escritórios de advocacia utilizam IA para revisar contratos em minutos.

Supermercados adotam caixas de autoatendimento.

Centros logísticos operam com robôs que se movimentam 24 horas por dia.

Essas reduções são silenciosas. Não soam simpáticas. Não parecem humanas. Mas estão acontecendo — e em escala crescente.

A chegada desse exército de robôs humanoides às grandes fábricas é inevitável. Meu alerta é que reduzir a jornada em economias estruturalmente frágeis pode acelerar a substituição da mão de obra humana.

Será que essa redução da jornada visa influenciar as eleições? Seria mais fácil manipular essa massa que se tornará desempregada, eternamente dependente de mesadas do governo?

— A redução da jornada de trabalho pode ter o efeito colateral de reduzir a dignidade do brasileiro.

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O Leão de pelúcia e as cinzas da democracia

Diz a tradição que a Quarta-feira de Cinzas é o dia em que as máscaras caem e a realidade volta a bater na nossa porta. Mas no Brasil, você sabe, a fantasia é o nosso traje de gala o ano inteiro. E foi justamente nessa quarta-feira ingrata que o presidente da Unafisco, Kleber Cabral, deu uma entrevista para a GloboNews e soprou no nosso cangote a ressaca definitiva: “É menos arriscado fiscalizar o PCC”.

O que sobrou nos escombros do nosso bloco não foi confete, mas as cinzas da nossa própria democracia. Veja bem a que ponto de desmando nós chegamos! O crime organizado, com seu tribunal paralelo, virou um ambiente de trabalho mais seguro do que ousar cruzar o CPF de quem habita o Olimpo de Brasília. Como alertaria o saudoso Millôr Fernandes, “Democracia é quando eu mando em você, Ditadura é quando você manda em mim”.

O velho Leão da Receita, outrora o terror implacável de nós, pobres mortais, sofreu uma mutação genética na Quarta de Cinzas: virou um gatinho de pelúcia. Foi adestrado para ronronar no colo das excelências e mostrar as garras apenas para você, eu, o cidadão comum que comete o crime hediondo de errar uma vírgula na declaração do imposto.

Aí, no meio dessa vergonha institucionalizada, o auditor, encurralado, lança o grito de desespero: “Recorrer a quem?”. É a suprema sinuca de bico da República. O servidor que prestou concurso para proteger o país descobre, no meio da avenida, que o Estado tem dono. E o dono não é ele, muito menos você.

Se o auditor olha para o Executivo, ao qual está vinculado, encontra uma chefia de mãos atadas, encolhida no canto, mais preocupada em entregar a cabeça dos seus do que em defender a autonomia do órgão. Se ele olha para o Judiciário, topa justamente com a fonte do seu terror. A decantada “separação dos Poderes” virou apenas um bloco de sujos — um cordial acordo de cavalheiros para que ninguém incomode o sossego e os sigilos alheios.

No fim das contas, a manifestação da Unafisco serve para nos lembrar que as instituições brasileiras até estão funcionando, mas apenas como alegorias de um enredo macabro. A lei continua dura e implacável para todos, desde que o “todos” não inclua quem manda. 

Terminamos a festa assim: de um lado o PCC, com regras claras; do outro, os intocáveis. E o cidadão, como sempre, no fim do desfile, apenas varrendo as cinzas do Carnaval.

Alexandre Aragão é advogado, com especialização em direito tributário pelo IBET e em direito empresarial pela FGV/RJ.

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Carnem levare: do Carnaval à Quaresma

A festa — qualquer festa — costuma prometer o que a rotina, por definição, não entrega: leveza. O Carnaval, com sua democracia sonora, instala por alguns dias uma república provisória do corpo e do riso, em que a pertença parece simples e a vida, menos grave. Mas o esquecimento é um contrato de curtíssimo prazo. Na quarta-feira, a música não termina: ela apenas encerra o expediente e devolve a cada um aquilo que sempre esteve lá — a própria consciência, sem bateria de apoio.

A Quaresma sobrevive por tocar numa verdade elementar e, justamente por isso, incômoda: não somos só desejo; somos também limite. Santo Agostinho falou do coração inquieto — e talvez a inquietação seja o nome civilizado para o nosso apetite por sentido. Pascal desconfiava das distrações: o ruído nem sempre é alegria; por vezes é fuga, com luz de palco e pouca convicção. A Quaresma, ao contrário, é a recusa da fuga: é baixar o volume do mundo para escutar o que, em nós, insiste.

E então resta a pergunta — a mais difícil, porque não se resolve com aplausos: se a alegria depende de estímulo constante, seria, ela própria, alegria ou dependência? Schopenhauer, com seu diagnóstico sem anestesia, lembraria que muita sociabilidade nasce da incapacidade de suportar a solidão — e, nela, a própria companhia. Quando o som é perde o ânimo, não é o mundo que empobrece; é o sujeito que se revela.

Por isso mesmo, o jejum, a oração e a caridade não deveriam ser compreendidos como ritualismos religiosos, senão como gramática da liberdade. Jejuar é reaprender o governo de si — em tempos nos quais se vende impulso e rotulam-no como autenticidade. Orar não é magia: é recolocar a vida no centro, trocando a ansiedade por direção. E a caridade, como forma mais concreta de espiritualidade, retira o outro do papel de figurante e o devolve à condição de pessoa.

No fim, a despedida do Carnaval não condena a festa, antes restaura a medida. A vida não pode ser apenas um intervalo luminoso entre duas distrações.

Com crença ou sem fé, a Quaresma preserva uma certeza decisiva: o olhar interior é primordial — porque, quando o ruído cessa e a fantasia se recolhe, é no silêncio que se decide quem se é. É dizer: ninguém atravessa o mundo plenamente sem antes atravessar a si mesmo.

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito e Mestre em Direito e Poder Judiciário pela ENFAM.

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Nossos heróis não morrerão de overdose. Por Aragão.

— Na corrida pelo engajamento, Virginia Fonseca ganharia por uma bunda de vantagem.

A polêmica que começou nesta semana após uma entrevista publicada pela revista VEJA, em que Gabriel David afirmou que “nenhuma mulher é tão relevante midiaticamente nesse momento no Brasil como a Virgínia Fonsêca”. A declaração polemizou, entre leitores que não gostaram nada desse exagero. Justamente no momento em que uma outra brasileira conseguia um feito extraordinário mas ainda lutando para sair do anonimato.

Tatiana Sampaio não corre nem anda atrás de engajamento. — Ela faz as pessoas voltarem a andar — É bem diferente. 

Tatiana Sampaio é o Brasil que deu certo. É o Lucas Pinheiro, nosso medalhista olímpico, de jaleco. A cientista brasileira busca há quase 30 anos salvar vidas através da ciência. O fato que ela alcançou beira realmente o inacreditável. Simplesmente, 6 pacientes seus, tetraplégicos ou paraplégicos, apresentaram retomada de movimentos após a aplicação da polilaminina. Alguns voltaram a andar.

Em um país onde curtidas valem mais que currículos, a comparação foi inevitável: de um lado, milhões de seguidores; do outro, décadas de laboratório.

Acredito que a polêmica por mais absurda que seja só ocorreu porque sabemos que o Brasil valoriza as personalidades erradas. — Os heróis de Cazuza morreram de overdose.  

Ganha espaço na mídia jogador de futebol quando engravida mais uma fã, pagodeiro quando troca de namorada, cantora quando choca a sociedade para ganhar curtida e vale tudo para ver quem desce mais rápido a ladeira da moralidade. Sabedor disso, o colunista da Veja soltou sua pérola.

— Quem sabe nossa mídia também comece a andar com a ajuda da Tatiana Sampaio? 

A sociedade precisa se unir para construirmos os heróis de verdade da nossa gente — Somente eles poderão salvar nosso Brasil de ser eternamente o país do futebol, do carnaval e da corrupção.

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ALRN consolida e-Legis como referência nacional com implantação do sistema no Paraná

O trabalho desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte na área de tecnologia ganhou novo destaque nacional com a implantação da plataforma Legis Vídeos pela Assembleia Legislativa do Paraná, que entrou em funcionamento no dia 2 de fevereiro. A ferramenta integra o ecossistema e-Legis, sistema criado integralmente pela equipe técnica da ALRN e reconhecido como campeão em premiação da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), consolidando a Casa potiguar como referência em soluções digitais para o Legislativo.

O Legis Vídeos foi apresentado oficialmente em coletiva de imprensa pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi, e repercutiu na imprensa legislativa daquele estado. A plataforma permite o acesso organizado a vídeos, áudios, transcrições e atas das sessões plenárias e das reuniões da Comissão de Constituição e Justiça, ampliando a transparência e facilitando o acompanhamento das atividades parlamentares por jornalistas, assessores e pela população em geral.

Desenvolvido a partir de cooperação técnica entre as Assembleias do Paraná e do Rio Grande do Norte, o sistema utiliza recursos de inteligência artificial para organizar os conteúdos e oferecer buscas por data, tema, tipo de reunião ou parlamentar, além de navegação por linha do tempo interativa e possibilidade de download de trechos específicos. Segundo o diretor de Tecnologia da Informação do Paraná, Carlos Luiz Albuquerque Maranhão Neto, a ferramenta “fortalece o acesso à informação e contribui diretamente para a transparência do Poder Legislativo”.

“É motivo de orgulho ver um software desenvolvido internamente pela ALRN, sem parcerias externas, ser adotado por Assembleias de grande porte”, ressaltou o  diretor de Tecnologia da Informação da Assembleia do RN, Mário Sérgio Gurgel.

Atualmente, na região sul, além do Paraná, o sistema já é utilizado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, enquanto o Rio Grande do Sul demonstrou interesse em aderir à solução. Para ele, esse avanço é resultado do incentivo institucional do presidente da ALRN, deputado Ezequiel Ferreira, e do diretor-geral Augusto Viveiros, que apoiaram a formalização dos termos de cooperação.

Mário Sérgio destacou ainda que, nas próximas semanas, as Assembleias do Piauí e do Ceará irão conhecer o e-Legis, enquanto a Assembleia do Paraná deverá ampliar o uso da tecnologia ao conhecer outras funcionalidades do sistema desenvolvido no Rio Grande do Norte.

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