MP instaura Inquérito Civil para investigar mensalidade do curso de Medicina UnP. Por Aragão.
Conforme artigo do Blog Marcus Aragão publicado há 6 meses, foi levantada a questão por que o curso de Medicina da UNP custava mais do que as Faculdades do Einstein e Sírio Libanês.
O que antes era uma apuração preliminar subiu de patamar. A 59ª Promotoria de Justiça de Natal oficializou a instauração do Inquérito Civil nº 04.23.2120.0000034/2026-33 para investigar a Universidade Potiguar (UnP) e sua mantenedora (Inspirali/Ânima). O foco da investigação é duplo: possível prática de preços abusivos no curso de Medicina e a suposta discriminação contra alunos financiados pelo FIES.
— Dois pesos e duas medidas?
O inquérito aprofunda a investigação sobre uma prática técnica grave: a criação de “dois preços” para o mesmo serviço. A denúncia aponta que a UnP oferece descontos coletivos generosos para alunos pagantes (como a “Bolsa Cashback”), mas se recusa a aplicar esses mesmos descontos aos contratos do FIES.
Na prática, isso significaria que a faculdade informa ao Governo Federal um valor “bruto” inflado para receber repasses maiores da União, enquanto o aluno pagante usufrui de um valor “líquido” muito menor. Essa conduta, se comprovada, fere o Edital do FIES e o Código de Defesa do Consumidor, gerando um possível impacto negativo ao erário público federal. — A investigação apura essa questão.
— O “Dossiê” PROCON
A investigação ganhou corpo com as informações enviadas pelo PROCON Natal. O órgão encaminhou ao MP um histórico detalhado de reclamações de alunos, que incluem:
- Cobranças de “débitos residuais” indevidos, mesmo após o repasse total do FIES.
- Suspensão de matrícula por inconsistências sistêmicas da própria instituição.
- Dificuldade extrema em realizar trancamentos de curso, com imposição de multas consideradas abusivas
Vamos acompanhar o desfecho deste Inquérito Civil do Ministério Público. Caso sejam comprovadas as irregularidades, o Inquérito poderá resultar em uma Ação Civil Pública, obrigando a readequação dos preços e o ressarcimento de valores pagos indevidamente por inúmeros estudantes potiguares.
O Inquérito Civil nº 04.23.2120.0000034/2026-33 não está sob sigilo, sendo regido pelo princípio da publicidade e pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), o que garante a qualquer cidadão o direito de acessar e obter cópia integral dos autos.
Download do Processo na íntegra:

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