No amor, o para sempre é feito de agoras. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.
Somos todos mortais até o primeiro beijo e após a segunda taça de vinho, escreveu Eduardo Galeano. Talvez nisso resida uma das mais belas verdades sobre o amor. Ele nos desmente a finitude por instantes. Não nos torna eternos, mas suspende, por um breve milagre, a contabilidade do tempo.
Amar é algo que mais se sente do que se explica. O verbo encanta, mas é o gesto que confirma. À sua maneira, Machado de Assis sabia disso e advertiu: “A melhor definição de amor não vale um beijo de moça namorada.”
De fato, a vida não tarda em ensinar, dentre tantas lições, que por vezes é melhor ser feliz do que ter razão, para lembrar Ferreira Gullar. O amor não é tribunal onde se colecionam vitórias, mas casa em que se aprende, pouco a pouco, a desarmar o orgulho.
Aos casais, neste Dia dos Namorados, endereço a mensagem de Emily Dickinson, que serve de título a estes brevíssimos escritos: “o para sempre é feito de agoras”. Não há eternidade que não comece na delicadeza deste minuto presente. Que, no horizonte dos futuros possíveis, descortine-se, não sem algum otimismo, um desejo: o de envelhecer ao lado de quem ainda nos inaugura.
No fim, tinha razão Vinícius de Moraes: bastar-se a si mesmo certamente é a maior solidão. Afinal, é o outro, na sua diferença, que nos completa e nos torna mais humanos.
Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito.
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