Um Papangú e uma cultura nua de significado não devem receber verbas públicas. Por Aragão.
— Quanto talento é necessário para dar cambalhotas nu, melado de tinta?
Você poderia pensar que somente um papangu precisa utilizar a nudez para chamar atenção para sua peça. Mas o fato é ainda pior: chamada a atenção, não existe entrega alguma.
O ator parece se entregar a uma convulsão suja de tinta em sua apresentação “Papangú” na UFRN. Nada tem propósito. Nada é comunicado, exceto uma intenção de agredir quem assiste e tentar culpar quem se sentiu agredido por se sentir assim.
A falta de conexão com a população é tão grande que não se conseguiu nada do povo, exceto exacerbar ainda mais a rejeição a essa “convulsão” ou, na melhor das hipóteses, a uma cultura sem conteúdo.
Não fomentou a cultura negra. Foi um desserviço, pois a verdadeira cultura negra é linda na música, no ritmo, na dança, na literatura, no cinema, na política e em inúmeras áreas.
— Machado de Assis e Lima Barreto fizeram verdadeira cultura na literatura;
— Nelson Mandela, Obama e Martin Luther King Jr., na política;
— Raça Negra, Cartola e Martinho da Vila, na música;
E exemplos não faltam de pessoas negras que fizeram e fazem arte de verdade.
Destinar dinheiro público para uma peça que desagrada parte significativa do povo brasileiro é um contrassenso. Utilizar um lugar de fala, para nada comunicar?
Gostaria o ator de diminuir preconceitos? Não conseguiu.
Teria o ator a intenção de combater desigualdades? Não conseguiu.
Pensaria em difundir a cultura negra? Não conseguiu. A apresentação não é vista como manifesto cultural.
A forte rejeição nas redes sociais mostra que grande parte da população não apoia gastos públicos em apresentações dessa natureza. Principalmente um papangu fake pois o tradicional não anda nu.
o problema não é a liberdade artística, mas quando o choque parece substituir a própria arte.
— O ator pregou uma peça na plateia
Não sabendo dançar como o Olodum, não sabendo cantar como Djavan, nem escrever como Machado de Assis, o ator se viu despido de conteúdo. Se tivesse a humildade de ensinar uma receita de bolo em sua apresentação, não saciaria a fome cultural, não alimentaria a alma, mas, para quem esperava um espetáculo, levaria ao menos bolo.
Comentários (0)
Nenhum comentário recente.