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O colapso: exaustão elevada à virtude. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Vivemos sob um paradoxo inquietante: jamais a humanidade dispôs de tantos instrumentos destinados a poupar esforço, otimizar o tempo e ampliar o conforto, e, no entanto, poucas épocas foram tão marcadas por uma sensação difusa e persistente de exaustão. O cansaço deixou de ser episódico para se converter em traço estrutural da vida contemporânea. As obrigações se acumulam em ritmo vertiginoso, o trabalho transborda para os espaços mais íntimos da existência, a parentalidade é convertida em projeto de alta performance, e o tempo, cada vez mais rarefeito e fragmentado, escorre como areia fina entre os dedos. Essa sociedade do cansaço, para lembrar Byang-Chul Han, não resulta de um colapso súbito, senão de um processo cultural longo e silencioso, cujos mecanismos foram profetizados, com impressionante lucidez, por obras da literatura. Nelas, encontramos não apenas o diagnóstico do mal-estar da modernidade, mas também as chaves interpretativas de uma forma peculiar de servidão: aquela que se exerce sob o signo da liberdade, na qual o imperativo do desempenho incessante se disfarça de
realização pessoal e a felicidade se reverte em meta compulsória e inalcançável.

A lógica que governa é a tônica da positividade obrigatória. O indivíduo é instado a se tornar um empreendedor de si mesmo, permanentemente engajado em processos de otimização pessoal, gestão de imagem e maximização de resultados. Cada interação social passa a ser compreendida como oportunidade estratégica. Cada gesto exerce o papel de um investimento simbólico. Não por acaso, essa gramática da performance encontra uma de suas expressões mais influentes na obra de Dale Carnegie3, cuja pedagogia das relações humanas ensina a administrar impressões, despertar desejos e converter vínculos em ativos. O sucesso, nesse horizonte, depende menos da autenticidade do que da eficácia relacional. Vive-se sob a pressão constante de ser agradável, disponível e influente, enquanto a vulnerabilidade, o conflito e a imperfeição humana são percebidos como falhas a serem ocultadas. Essa positividade compulsória cobra seu preço: um desgaste profundo, resultante da negação sistemática da ambivalência que constitui a experiência humana.

A mesma lógica aparece, de forma radicalizada, na distopia de Aldous Huxley. Em Admirável Mundo Novo, a estabilidade social é assegurada ao custo da profundidade subjetiva, por meio do condicionamento e da supressão do sofrimento. SOMA, a droga do contentamento perpétuo, encontra hoje equivalentes mais sutis, como o entretenimento incessante, a validação algorítmica das redes sociais e a moralização da felicidade como dever. Aprende-se a amar aquilo que se é obrigado a fazer, a desejar o que já foi previamente programado.

A recusa ao desconforto e a eliminação de qualquer negatividade produzem uma existência superficial, avessa à reflexão crítica. Nesse contexto, a verdade e a beleza
autênticas tornam-se ameaças à estabilidade. A racionalidade que emerge é a do cálculo, não a do sentido, aproximando-nos do pragmatismo de personagens como Luís Alves, de Machado de Assis, para quem a vida praticamente se reduz à vitória estratégica daqueles que sabem querer. A ambição, quando absolutizada, transforma as relações em alianças instrumentais e exaure o sujeito na luta permanente por reconhecimento e êxito.

A essa tirania do desempenho soma-se outro fator decisivo de desgaste existencial: o excesso de informação. Vivemos quase que em uma versão avançada da Biblioteca de Babel de Jorge Luis Borges. Um universo saturado de dados, no qual a abundância paradoxalmente esvazia o sentido. A promessa de acesso irrestrito ao conhecimento converte-se em ruído permanente, exigindo atenção contínua, mas raramente permitindo compreensão profunda. A mente é bombardeada por fragmentos desconexos que impedem o recolhimento necessário à reflexão. Repete-se o drama de Funes, o Memorioso: a incapacidade de esquecer paralisa o pensamento. Pensar, como lembra Borges, é abstrair, generalizar, eliminar diferenças. Repleta de estímulos, a consciência acumula detalhes irrelevantes, mas perde o dom de sintetizar. A consequência não é somente o cansaço cognitivo, mas também uma crescente docilidade intelectual, que reduz a disposição para o questionamento crítico e abre espaço para narrativas simplificadoras que se impõem e assumem a roupagem da realidade.

Essa condição de esgotamento não se limita ao plano produtivo. Antes ela se manifesta também na luta cotidiana por sentido. Muitos de nós nos vemos engajados em
batalhas desproporcionais contra estruturas abstratas e impessoais, como as exigências do mercado, a burocracia ou os ideais inalcançáveis de equilíbrio e sucesso, para citar alguns exemplos. A luta assume frequentemente contornos quixotescos. Como Dom Quixote, lançado contra moinhos de vento que confunde com gigantes, insistimos em sustentar ideais de plenitude e justiça em um mundo governado pela utilidade. A colisão entre intenção e realidade produz frustração reiterada, alimentando a sensação de inutilidade do esforço.

No contexto brasileiro, a figura do idealista esmagado pela realidade ganha expressão particularmente trágica em Policarpo Quaresma8. Seu nacionalismo ingênuo e
sua crença na regeneração do país colidem violentamente com a corrupção, a violência e a indiferença do Estado. A trajetória que o conduz do entusiasmo à aniquilação simboliza o burnout moderno: a extenuação daqueles que se dedicam intensamente a um ideal, a um trabalho ou a uma causa, apenas para descobrir a desproporção brutal entre o indivíduo e as engrenagens do sistema. A derrota não decorre da falta de empenho, mas da assimetria estrutural que transfigura o esforço em estafa vã.

Após um olhar mais profundo, contudo, observa-se que o enfraquecimento das grandes narrativas de sentido e a hiperindividualização da vida social lançaram o sujeito na tarefa solitária de justificar sua própria existência. Dostoiévski captou com precisão esse dilema ao explorar o peso insuportável da liberdade absoluta. Quando não há instância transcendental que fundamente valores e escolhas, o ser humano se torna legislador de si mesmo, mas também carrega sozinho o fardo dessa responsabilidade. A solidão que daí decorre não é unicamente social, mas ontológica: o sofrimento de não poder amar, de não encontrar um sentido que ultrapasse o próprio eu.

Essa solidão aparece de forma pungente na voz infantil de Maria Carmem, autora da obra Se deus me chamar não vou9. Seu diário revela o abandono silencioso em um mundo adulto disfuncional e indiferente. A recusa expressa no título não é mera rebeldia, senão um gesto de autopreservação diante de exigências precoces de maturidade e resiliência. A criança solitária torna-se, assim, metáfora de uma sociedade que empurra seus membros à autossuficiência forçada, exigindo-lhes força onde deveria haver amparo.

Ao reunir essas imagens, me parece evidente que o arranjo civilizacional atual não se estrutura prioritariamente pela coerção externa, mas por uma tirania internalizada. Somos condicionados a amar nossa própria gaiola, a confundir liberdade com desempenho e felicidade com anestesia. Nesse particular, o grito do protagonista John, o Selvagem, em Admirável Mundo Novo, ressoa como uma recusa radical ao conforto administrado. Ao reivindicar o direito à dor, ao perigo e à imperfeição, ele afirma a necessidade de uma existência autêntica, não higienizada, capaz de suportar as contradições que constituem o ser humano.

Em arremate, é possível que o verdadeiro escândalo do nosso tempo não seja a saturação subjetiva em si, mas a naturalidade com a qual a aceitamos. Aprendemos a tratar a exaustão como virtude, o esgotamento como prova de valor, o colapso como etapa inevitável do sucesso. Não estamos cansados: estamos adestrados. A pergunta decisiva, portanto, não é como descansar melhor, mas por que insistimos em viver de modo a precisar desesperadamente de descanso. Enquanto buscamos técnicas de produtividade, terapias de adaptação e paliativos emocionais, deixamos intacta a engrenagem que nos consome.

Talvez a fadiga que nos atravessa seja mesmo e precisamente o sintoma dessa resistência silenciosa. A persistência da sociedade do desempenho, devo registrar, só encontra sobrevida diante de uma última linguagem disponível para dizer aquilo que já não ousamos formular: que algo está profundamente errado com a forma pela qual escolhemos existir.

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito, Mestre em Direito e Poder Judiciário pela ENFAM.

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Setor de energia solar confirma protesto contra a Neoenergia Cosern, amanhã, dia 06.

A mobilização do setor de energia solar no Rio Grande do Norte segue crescendo. Mesmo após a sinalização de diálogo por parte da Neoenergia Cosern, consumidores, empresários e integradores continuam relatando insatisfação com as mudanças no faturamento e na compensação de créditos de energia.

Representantes do setor afirmam que as medidas anunciadas pela Neoenergia Cosern não solucionam as principais reclamações, tampouco reparam, de forma efetiva, os prejuízos causados ao setor e à população.

Diante desse cenário, empresas, consumidores e profissionais ligados à micro e minigeração distribuída mantiveram a convocação para uma manifestação pública em frente à sede estadual da Neoenergia Cosern, em Natal.

O ato está marcado para sexta-feira, 6 de fevereiro, às 8h, na Rua Jean Mermoz, nº 150, bairro Cidade Alta, Baldo. Segundo os organizadores, a mobilização terá caráter pacífico e busca chamar atenção para as demandas do setor e dos consumidores que se sentem prejudicados.

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Cristiane Dantas volta a cobrar recuperação da RN-002, em Georgino Avelino

A deputada Cristiane Dantas (SDD) voltou a cobrar, durante sessão plenária desta quinta-feira (05), providências do Governo do Estado em relação ao programa de recuperação de rodovias, com foco no trecho da RN-002.

A parlamentar lembrou que no dia 23 de setembro de 2025 foram assinadas ordens de serviço da segunda etapa do programa de recuperação da malha viária estadual, com investimento de R$ 621 milhões para a recuperação de 665 quilômetros de rodovias em todo o estado. Entre os trechos previstos está a RN-002, no segmento que liga a BR-101 ao município de Senador Georgino Avelino.

Segundo Cristiane Dantas, a situação atual da rodovia é crítica. Ela relatou que não há mais asfalto, apenas barro e buracos, o que tem provocado acidentes e aumentado a sensação de insegurança para quem precisa trafegar pelo local. A deputada destacou que, pela data em que a ordem de serviço foi assinada, o trecho já deveria estar sendo contemplado.

Antes de concluir sua fala, a deputada informou ainda que pretende entrar novamente em contato com a diretoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RN), para reforçar a cobrança. Ela defendeu que os recursos disponíveis e já licitados sejam efetivamente aplicados, lembrando que o programa vai contemplar a recuperação de 38 rodovias em diferentes regiões do Rio Grande do Norte.

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Crônica: Montesquieu na UTI (de tanto rir) e o “Autocontrole” dos Deuses. Por Alexandre Aragão.

Bom dia, dona Maria, que está aí no ponto de ônibus tentando entender por que o preço do arroz subiu, mas a moralidade desceu!

Pois é. Eu estava aqui pensando com os meus botões – que são poucos, mas funcionam melhor que certas instituições – e imaginei a seguinte cena: o Barão de Montesquieu, aquele francês que desenhou essa coisa bonita chamada “Separação de Três Poderes”, levantando do túmulo, olhando para o Brasil e tendo uma síncope de riso. Uma gargalhada daquelas de perder o fôlego!

Sabe por quê? Porque agora inventaram a jabuticaba jurídica suprema: o “autocontrole” para evitar fiscalização.

Veja essa, meu caro leitor! É genial. É fantástico. O sujeito diz: “Olha, não precisa ninguém me fiscalizar não, viu? Eu mesmo me fiscalizo. Eu tenho autocontrole!”

Ah, faça-me o favor! Me ajuda aí!

É a mesma coisa que botar a raposa tomando conta do galinheiro e ela assinar um termo de compromisso dizendo: “Fiquem tranquilos, galinhas. Eu terei autocontrole gastronômico. A porta pode ficar aberta, mas eu prometo que não vou morder ninguém.”

Aí eu pergunto, com a simplicidade de quem não usa toga, mas usa o cérebro: quem não deve, não teme! Não é isso que a gente ensina para criança pequena? Se o boletim tá azul, o menino mostra pro pai com orgulho. Se tá vermelho, esconde embaixo do colchão.

Agora, vem essa conversa mole, esse papo furado de rodapé de livro jurídico, dizendo que evitar a fiscalização externa é “preservar a democracia”.

Pera lá! Preservar a democracia ou preservar o cargo? Preservar as instituições ou preservar o compadrio?

A democracia, meu amigo, não é feita de redomas de vidro onde ninguém pode tocar. Democracia é vidraça! É transparência! Se um poder não pode olhar o que o outro faz, isso não é República, é Olimpo. É terra de deuses intocáveis.

Dizer que fiscalização é “ataque” é uma falácia orquestrada. É um escudo de papelão pintado de ouro. Eles gritam “Democracia!” enquanto trancam a porta do cofre e engolem a chave.

Montesquieu dizia que “o poder deve frear o poder”. Ele não disse “o poder deve se autoanalisar no espelho e dizer que está lindo”.

Essa blindagem da autoproteção é o cúmulo do cinismo. É o compadrio dos cúmplices do desmando, onde uma mão lava a outra, e as duas tentam tapar os olhos da população.

Então, excelências, menos “autocontrole” retórico e mais satisfação ao povo, que é quem paga a conta da luz, do ar-condicionado e da lagosta de vocês.

Toc, toc, toc. Tem alguém aí ou só tem ego de deuses?

Alexandre Aragão é advogado, com especialização em direito tributário pelo IBET e em direito empresarial pela FGV/RJ

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População reage com indignação à novas promessas da Neoenergia e protesto está mantido para sexta-feira, dia 06.

A sociedade potiguar segue indignada com os vários problemas de faturamento relacionadas as contas dos consumidores. A falta de repostas eficazes por parte da Neoenergia Cosern foram acumulando insatisfação que resultou em Notificação do Procon, Inquérito Civil no Ministério Público e agora, protesto marcado para sexta-feira, dia 06, em frente a sede da empresa na Rua Jean Mermoz, 150, Cidade Alta, Baldo.

São inúmeros comentários nas redes sociais que comprovam o nível de insatisfação da população que clama por melhorias no sistema de compensação da energia solar gerada, entre outros pleitos.

Segue a Nota da Neoenergia Cosern que gerou indignação:

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NOTA NEOENERGIA COSERN

Natal (RN), 03 de fevereiro de 2026

A Neoenergia Cosern informa que se reuniu nesta terça-feira (03) com a direção da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER) e com representantes de empresas e energia solar para esclarecer as principais dúvidas relacionadas ao faturamento dos clientes MMGD. Na ocasião, a distribuidora também apresentou um plano de ação para, entre outras iniciativas, reforçar o atendimento presencial para tirar dúvidas sobre MMGD a partir da próxima segunda-feira (09) nas Lojas de Atendimento de Natal (Rua João Pessoa, Centro), Mossoró e Caicó.

Uma nova reunião sobre o tema foi agenda para o início de março.

ASSESSORIA DE IMPRENSA DA NEOENERGIA COSERN

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Seguimos acompanhando o caso com a atenção e esperando soluções.

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“Em Ação” da ALRN leva saúde, cidadania e dignidade para Rio do Fogo

Para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e muitas vezes enfrenta longas distâncias, filas e a falta de atendimento especializado, o projeto “Em Ação”, braço social da Assembleia Legislativa do RN, representa o cuidado que chega, o serviço público que se faz presente e muda realidades. Ontem e hoje (28), o município de Rio do Fogo recebeu a iniciativa que acontece em parceria com a Prefeitura Municipal e diversos órgãos públicos, levando atendimento gratuito e de qualidade diretamente à população.

Realizada das 8h às 17h, no Distrito de Punaú, a ação garante acesso facilitado a exames essenciais para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças. Mamografias, ultrassonografias, raio-X e eletrocardiogramas estarão disponíveis para a população, com destaque para a realização de mamografia em mulheres entre 40 e 75 anos sem necessidade de requisição médica, uma medida que salva tempo, amplia o acesso e pode salvar vidas.

O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), acompanhado do prefeito Marcio de Cici, visitou o projeto.

“Só sabe a dificuldade de conseguir consultas e exames em especialidades médicas quem precisa. Quem está aguardando há meses e ver essa oportunidade chegar em nosso município em grande escala e zerando filas é um grande presente”, disse o prefeito Marcio de Cici.

O “Em Ação” também oferece atendimentos médicos especializados em áreas fundamentais, como cardiologia, ginecologia, pediatria, oftalmologia, mastologia, psiquiatria, ortopedia, entre outras especialidades, permitindo que moradores tenham acesso a consultas que muitas vezes só seriam possíveis fora do município.

Além da saúde, a iniciativa reforça a cidadania como direito básico. Serviços como emissão de documentos, atendimentos do INSS, orientação jurídica, Procon e ações de valorização pessoal ampliam o alcance social do evento e contribuem para a inclusão de quem mais precisa da presença do Estado.

A Prefeitura de Rio do Fogo participa com serviços de vacinação, testes rápidos, emissão do cartão SUS e atualização do Cadastro Único, fortalecendo a atenção básica e garantindo que o atendimento não se encerre ao final do evento, mas continue no dia a dia do município.

A programação inclui ainda ações educativas e de formação cidadã promovidas pela Escola da Assembleia, além de atividades recreativas para as crianças, garantindo acolhimento para toda a família.

A ação acontece na Escola Municipal Ana de Paiva Fagundes, na Rua Dom Eugênio Sales, nº 90, no Distrito de Punaú. A expectativa é atender centenas de moradores, reafirmando o compromisso da Assembleia Legislativa do RN com a interiorização dos serviços públicos e, sobretudo, com o cuidado à saúde e à dignidade do povo potiguar.

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manoelneto@email.com 04 fev 2026

A ALRN, como outras instituições sempre tem algumas 'gordurinhas' no seu orçamento. Louvável essa medida da Presidência, exemplo a Serra seguido pelo Executivo e Judiciário.

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ALRN abre trabalhos legislativos nesta terça

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte inicia oficialmente os trabalhos legislativos de 2026 nesta terça-feira (3), a partir das 9h, com uma sessão solene conduzida pelo presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). A solenidade abre os trabalhos da 4ª Sessão Legislativa da 63ª Legislatura, na sede do Legislativo estadual.

A cerimônia inclui agenda que inicia às 9h com revista às tropas da Polícia Militar do RN, um ato simbólico em que o chefe do Legislativo passa em revista às forças de segurança posicionadas em frente à sede da Assembleia. Essa tradição é uma forma de reafirmar a harmonia entre os Poderes e o compromisso das instituições com a ordem pública e a segurança do Estado.

Outro momento solene é a foto oficial, registrando a composição do parlamento estadual no início do novo ano legislativo. Essa imagem simboliza a representatividade dos deputados estaduais e reforça o compromisso do Poder Legislativo com a população potiguar.

A solenidade será transmitida ao vivo pela TV Assembleia (canal aberto 10.3) e pelas redes sociais oficiais do Legislativo potiguar no @assembleiarn, permitindo que a população acompanhe o início das atividades parlamentares diretamente de casa.

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Mundo em pânico, mas no Brasil o carnaval. Por Fernando Rocha.

O mundo vive hoje uma tensão que não se via desde os dias mais duros da Guerra Fria. Potências se encaram com discursos de chumbo e tarifa, sanções econômicas ocupam o lugar de mísseis, enquanto a ameaça, explícita ou velada, de uma guerra nuclear volta a frequentar o vocabulário dos chefes de Estado. O presidente dos Estados Unidos fala em refundar a ordem internacional não por pactos, mas por intimidação. A política global parece novamente governada pelo medo, pela dissuasão bruta e pela lógica do confronto permanente.

Ainda assim, em plena travessia desse cenário quase distópico, o Brasil se prepara para quatro dias de carnaval.

Não se trata de dizer que isso seja bom ou ruim. Trata-se apenas de reconhecer que isso é singular. Profundamente singular. Enquanto o mundo prende a respiração diante de ameaças geopolíticas, o país afina o surdo, testa o trio elétrico, ensaia passos de frevo e discute fantasia, bloco e desfile. O contraste não é apenas curioso, é quase um manifesto involuntário.

Talvez o carnaval seja mais do que uma festa. Talvez seja um símbolo nacional. Um gesto coletivo que desafia a lógica da gravidade permanente. Um rito em que o Brasil, consciente ou inconscientemente, escolhe suspender o peso do mundo por alguns dias. Não é simples alienação, nem resistência organizada. É outra coisa. Algo que talvez só Freud explique, um mecanismo psíquico coletivo de sublimação, no qual a angústia global é convertida em ritmo, corpo e excesso.

O samba, o axé e o frevo não negam as mazelas. Não fingem que o mundo está bem. Apenas as desprezam solenemente por um instante. Não porque deixem de existir, mas porque, diante de um mundo que insiste em se levar excessivamente a sério, dançar pode ser a forma mais brasileira de afirmar a própria existência. É como se o país dissesse que o caos é global, o medo é real, mas ainda assim haverá batuque, suor, cor e rua tomada.

Talvez seja exatamente isso que desconcerta o resto do mundo. Enquanto a ordem internacional range, o Brasil dança. E, como dizia Nietzsche, aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. O carnaval, então, não é negação da realidade, mas a expressão de uma escuta própria, de um ritmo que não se submete à cadência do medo global. Pode soar loucura para quem observa de fora, mas é, antes de tudo, linguagem cultural.

O carnaval não resolve crises internacionais, não impede guerras nem dissolve tarifas. Mas revela algo essencial sobre o Brasil, uma cultura capaz de produzir alegria em meio à tensão máxima. Não como fuga covarde, mas como afirmação identitária. Um país que dança não porque ignora o abismo, mas porque aprendeu, à sua maneira, a encará-lo em movimento.

Fernando Rocha é Procurador da República e Mestre em Direito Internacional.

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Academia Panobianco desrespeita a Lei do Silêncio com aulão na praia de Miami às 06h30

Bem cedo começo a receber mensagens de moradores que foram acordados com o evento realizado na praia de Areia Preta (Miami) neste domingo (01/02). Eles relatam que o aulão às 6h30 da manhã acordou bebês, idosos e pessoas que só tinham esperança de dormir um pouco mais no fim de semana.

Excelente a iniciativa de fazer um aulão fitness na praia, mas precisava ser em um horário que incomodasse moradores? Não podia começar um pouco mais tarde? Não poderia ser à tarde? Ou ainda, em qualquer horário, dentro de uma academia? Todos nós merecemos sossego às 06h30.

— O direito de uma pessoa termina quando começa o direito da outra. 

Um evento às 6h30 da manhã, com caixa de som em volume alto, precisa levar em consideração que pode haver idosos, enfermos, bebês ou, simplesmente, pais e mães que precisam descansar e têm direito de fazer isso em suas próprias casas.

Como já falamos, não adianta queimar as calorias das clientes e queimar o filme do evento ao mesmo tempo. 

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Prefeitura do Natal lança painel de monitoramento de emendas parlamentares

A Prefeitura do Natal lançou, nesta semana, o Painel de Monitoramento de Emendas do Orçamento Geral da União (OGU), nova ferramenta de transparência desenvolvida pela Secretaria Municipal de Planejamento. A plataforma amplia o acesso às informações públicas e permite que a população acompanhe, em tempo real, a destinação dos recursos federais indicados para o município.

A iniciativa, determinada pelo prefeito Paulinho Freire, reforça a diretriz da gestão de governar com base em dados e evidências, garantindo maior controle social e acompanhamento da aplicação dos recursos oriundos da bancada federal.

“Este painel não é apenas uma ferramenta de gestão interna, mas um instrumento de prestação de contas à sociedade. O cidadão natalense agora pode acompanhar, com clareza, quem está destinando recursos, para onde esse dinheiro está sendo direcionado e se já foi efetivamente repassado aos cofres do município”, destacou o prefeito.

Disponível no endereço bit.ly/emendasnatal, o painel apresenta uma visão gerencial e detalhada das emendas destinadas a Natal no Orçamento Geral da União de 2025. A plataforma é atualizada de forma dinâmica, refletindo em tempo real as alterações na execução orçamentária.

De acordo com os dados disponíveis, do total de R$ 170,8 milhões indicados, R$ 101,9 milhões — o equivalente a 59,7% — já foram pagos e estão em fase de aplicação em ações e serviços no município. Outros R$ 19,7 milhões encontram-se empenhados, com pagamento garantido, enquanto R$ 34,4 milhões aguardam a superação de cláusulas suspensivas para liberação dos recursos.

O painel permite ainda o cruzamento de informações e a visualização do ranking dos parlamentares que mais destinaram recursos para Natal na atual gestão, oferecendo uma visão consolidada e inédita sobre o fluxo das emendas.

“Com essa ferramenta, saímos de informações fragmentadas para uma visão integrada e acessível. O cidadão passa a ter condições de verificar quais parlamentares estão direcionando recursos para Natal, acompanhar onde os valores estão sendo aplicados e identificar eventuais entraves. Isso fortalece a transparência, facilita a cobrança institucional e contribui para que os recursos cheguem mais rapidamente à população”, explicou o secretário municipal de Planejamento, Vagner Araújo.

A análise por área indica que a Saúde concentra a maior parte dos recursos, com R$ 105,7 milhões, representando mais de 60% do total das emendas. Em seguida, aparecem o Ministério das Cidades, com R$ 20,1 milhões destinados principalmente à infraestrutura urbana, e o Ministério da Economia, com R$ 16,6 milhões.

O sistema também detalha o estágio de cada repasse, permitindo a identificação de gargalos administrativos. Atualmente, cerca de R$ 14,7 milhões encontram-se na fase de “Aguardando Pagamento”, informação estratégica para subsidiar a atuação da gestão municipal junto aos órgãos federais responsáveis.

Crédito: Foto: Demis Roussos/Secom

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