Empreiteiras pedem investigação do Congresso em contratos de R$ 5 bilhões da Neoenergia.
— Empresas dizem que são “estranguladas” pela Neoenergia.
Em março de 2026, a Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM) encaminhou à Câmara dos Deputados uma representação formal acusando a Neoenergia de práticas abusivas em contratos de transmissão de energia. Foi solicitado um inquérito para investigar pelo menos cinco acordos tratam da instalação de mais de 2 mil quilômetros de Linhas de Transmissão. Os contratos ultrapassam a cifra de R$ 5 bilhões.
Segundo a ABCEM, a Neoenergia, supostamente, age de uma maneira similar em todos esses casos. Vence leilões para construção de Linhas de Transmissão com projetos subdimensionados, obtém orçamentos baixos das empreiteiras e, após início das obras —, passa a não realizar pagamentos e forçar renegociações contratuais abusivas. O resultado: três projetos que deveriam ter entrado em operação em março de 2024 acumulam atraso de 680 dias. A empresa nega todas as acusações.
O ponto mais grave, porém, vai além dos contratos. Quando esses atrasos são analisados à luz do fenômeno do Curtailment — o corte forçado de geração renovável por falta de capacidade de transmissão —, emerge uma hipótese inquietante: o atraso nas linhas pode não ser acidental.
Antes, caro leitor, entenda melhor o que é o Curtailment — é quando temos que desperdiçar energia solar ou eólica porque não temos linhas de transmissão em quantidade suficiente para transportar essa energia produzida. Segundo matéria da Valor Econômico, as limitações na infraestrutura de transmissão foram a motivação para os cortes em 65% dos casos.
A lógica perversa é simples: Se não construir as linhas de transmissão necessárias, as usinas eólicas e solares podem ter sua energia gerada desperdiçada. Ora, quem ganha com isso? Pois é, atrasar obras, portanto, poderia ser uma estratégia silenciosa da monopolista?
O resultado são empresas de eólica e geração solar reduzindo o investimento enquanto a Neoenergia segue lucrando bilhões.
Evidentemente, essa minha hipótese ainda carece de comprovação formal. Mas a coincidência entre os atrasos denunciados, a concentração de receita e o agravamento do Curtailment exige resposta urgente de ANEEL, CADE e do Congresso.
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