Reposição Hormonal ou bomba? Esteróides podem aumentar 800% o risco de doença do coração. Por Aragão.
— Cuidado para não chamar de “reposição hormonal” aquilo que, na prática, funciona como uso estético ou indiscriminado de anabolizantes.
A banalização do termo “reposição hormonal” pode estar transformando corações em bombas-relógio. Deve ser muito tentador ficar em forma, ganhar músculos, perder gordura e ganhar disposição e vitalidade que há tempos não sentia. Mas tudo na vida tem um preço.
É fundamental escolher médicos criteriosos e conscientes dos prejuízos para a saúde que o uso indevido dos anabolizantes pode provocar.
Hoje parece que todo mundo precisa de uma reposição hormonal. — Será?
É só entrar em qualquer academia e ver o desfile de corpos sarados que, sem o empurrãozinho do êmbolo da seringa, não seriam tão sarados assim.
O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) tornou-se um problema de saúde pública entre frequentadores de academias.
- Cardiomiopatia: Aumento do risco em 790%.
- Insuficiência Cardíaca: Risco 263% maior.
- Infarto Agudo do Miocárdio: Chances de ataque cardíaco elevadas em 200%.
- Intervenções Coronárias: Risco 195% maior.
- Tromboembolismo Venoso: Aumento de 142% no risco de coágulos e embolias.
- Arritmias: Elevação de 126% nas irregularidades dos batimentos.
O estudo “Cardiovascular Disease in Anabolic Androgenic Steroid Users”, publicado na prestigiada revista Circulation da American Heart Association, traz alertas contundentes sobre o impacto dessas substâncias no coração. A pesquisa foi liderada por Josefine Windfeld-Mathiasen.
Os pesquisadores acompanharam 1.189 homens que receberam sanções por uso de anabolizantes na Dinamarca por 11 anos. Os resultados revelaram que o uso de EAA está associado a um risco substancialmente maior de doenças cardíacas graves e precoces.
O ganho muscular acelerado impõe um fardo cardíaco altíssimo. Windfeld-Mathiasen e seus colegas reforçam que médicos devem manter vigilância rigorosa sobre pacientes com histórico de uso de EAA, integrando essa conscientização na prática clínica e em esforços de saúde pública.
— Reposição hormonal é válida para quem realmente precisa. E isso, somente um bom médico pode diagnosticar.
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