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No amor, o para sempre é feito de agoras. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Somos todos mortais até o primeiro beijo e após a segunda taça de vinho, escreveu Eduardo Galeano. Talvez nisso resida uma das mais belas verdades sobre o amor. Ele nos desmente a finitude por instantes. Não nos torna eternos, mas suspende, por um breve milagre, a contabilidade do tempo.

Amar é algo que mais se sente do que se explica. O verbo encanta, mas é o gesto que confirma. À sua maneira, Machado de Assis sabia disso e advertiu: “A melhor definição de amor não vale um beijo de moça namorada.”

De fato, a vida não tarda em ensinar, dentre tantas lições, que por vezes é melhor ser feliz do que ter razão, para lembrar Ferreira Gullar. O amor não é tribunal onde se colecionam vitórias, mas casa em que se aprende, pouco a pouco, a desarmar o orgulho.

Aos casais, neste Dia dos Namorados, endereço a mensagem de Emily Dickinson, que serve de título a estes brevíssimos escritos: “o para sempre é feito de agoras”. Não há eternidade que não comece na delicadeza deste minuto presente. Que, no horizonte dos futuros possíveis, descortine-se, não sem algum otimismo, um desejo: o de envelhecer ao lado de quem ainda nos inaugura.

No fim, tinha razão Vinícius de Moraes: bastar-se a si mesmo certamente é a maior solidão. Afinal, é o outro, na sua diferença, que nos completa e nos torna mais humanos.

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito.

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70 ANOS. Uma carta do Professor Severino Lopes ao cidadão de Natal

 

O professor Severino Lopes da Silva faleceu em 2002. Neste 2 de junho de 2026, quando o hospital que ele fundou completa setenta anos, tomamos a liberdade de imaginar o que ele diria ao cidadão natalense se pudesse, por um instante, voltar à sua mesa e escrever esta carta.
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Meu nome é Severino Lopes da Silva. Nasci em Macaíba, em 12 de setembro de 1924. Fui médico psiquiatra e Professor de Medicina da UFRN. E em 2 de junho de 1956, fundei em Natal o primeiro hospital psiquiátrico do Rio Grande do Norte, a Casa de Saúde Natal.
Escrevo a você, que mora nesta cidade, que paga seus impostos, que cuida da sua família e que talvez nunca tenha ouvido falar de mim nem do hospital que eu idealizei. E está tudo bem. Hospital bom é aquele que você só conhece quando precisa – e que está lá quando você chega.
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Eu me formei na Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira do Brasil, e fui para a Espanha me especializar em psiquiatria. Sou filho intelectual da escola alemã, que ensinava uma coisa que quase ninguém praticava naquela época: não se trata a doença, trata-se o ser humano. A mente, o corpo, a história, o que levou a pessoa até ali. Voltei para Natal com essa convicção e com um plano.
Comecei com dois colegas sócios. Com seis meses, o primeiro desistiu. Com dois anos, o segundo também. Fiquei sozinho com um hospital recém-nascido e sem dinheiro para mantê-lo de pé.
Então eu fiz o que sabia fazer: fui à luta. Transformei a Casa de Saúde Natal em sociedade anônima, subi numa Simca Jangada e saí pelo Rio Grande do Norte inteiro vendendo ações. Município por município. Com minha esposa Isabel, minha cunhada Tica e meu filho Carlos, ainda menino pequeno, no banco de trás. Foi o povo do Rio Grande do Norte que financiou aquele hospital. Antes de qualquer governo, o povo acreditou.
Começamos na Rua Sachet, 482, na Ribeira. Ficamos lá dez anos. No final de 1966, mudamos para o prédio que existe até hoje, no bairro hoje chamado de Barro Vermelho. Erguemos aquele prédio aos poucos, tijolo por tijolo. Hoje são mais de 7.800 metros quadrados de área construída.
Desde o primeiro dia, a Casa de Saúde Natal funcionou do jeito que eu aprendi na Europa: equipe completa. Com Médicos Psiquiatras, Médicos clínicos, enfermagem, psicologia, assistência social, praxiterapia (que se chama hoje terapia ocupacional) com diversas oficinas, horta terapêutica, musicoterapia, ecoterapia. Nos jornais de 1958 e 1959 você encontra reportagens sobre esse trabalho. Quando falam hoje em “reforma psiquiátrica” como se fosse uma invenção recente, eu peço licença para discordar. Já fazíamos isso na década de 1950.
Durante mais de quatro décadas, eu dirigi esse hospital. Vi a assistência à saúde psiquiátrica avançar, vi medicamentos transformarem a vida de pacientes que antes não tinham esperança, vi famílias inteiras se reconstruindo porque alguém recebeu o tratamento certo na hora certa. Também vi o Brasil criar um movimento para fechar hospitais psiquiátricos – não por evidência científica, mas por ideologia. E lutei contra isso enquanto pude.
Em 2002, eu parti. Mas o hospital ficou.
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Eu não estava mais lá quando o cerco se fechou de vez. Se o Brasil tinha mais de 360 hospitais psiquiátricos e 122 mil leitos na década de 1990, nos anos seguintes um verdadeiro caos se instaurou na saúde psiquiátrica: diárias congeladas, exigências impossíveis sem contrapartida financeira, uma política desenhada para estrangular. Hoje restam pouco mais de 56 hospitais e cerca de 11 mil leitos. A população foi de 174 milhões para mais de 205 milhões. Os números falam por si.
O nosso hospital sobreviveu. A diretoria tomou uma decisão que eu teria apoiado se estivesse por lá: transformou a instituição em filantrópica, através da Sociedade Professor Heitor Carrilho. Fizeram novos contratos, novos convênios. Hoje são 24 planos de saúde. A remuneração continuou abaixo do custo – às vezes 25%, 30% do que se gasta para o tratamento global do paciente. Mas não fechamos.
Em 2022, aconteceu algo que me encheria de alegria. A Prefeitura do Natal, obrigada por uma ação civil pública, precisaram realocar 30 leitos clínicos da Maternidade Araken. Não tinham onde colocar. Procuraram o nosso hospital – que até então só cuidava de saúde mental. A equipe hesitou, como é prudente hesitar diante do que não se conhece. Mas aceitou. Em menos de 50 dias, estava tudo pronto. E assim foram abertos novos leitos clínicos, escrevendo um novo capítulo na assistência à saúde da nossa cidade. O que custava 5 milhões de reais ao mês ao município passou a custar 1 milhão e duzentos mil. O Ministério Público visitou três vezes e atestou: o melhor serviço na assistência do SUS de Natal, entre convênios e particulares. Todas as enfermarias climatizadas, camas Fowler elétricas, a mesma qualidade para o paciente do SUS, do convênio ou do particular.
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Eu não escrevo esta carta para pedir aplausos. Médico que faz o que tem que fazer não espera aplauso. Escrevo para dizer a você, cidadão de Natal, uma coisa que talvez ninguém tenha dito: na sua cidade existe um hospital de excelência em psiquiatria e em clínica geral, com setenta anos de serviços prestados, construído por um potiguar, financiado pelo povo do Rio Grande do Norte e que nunca fechou as portas.
Eu o construí para você. Para a sua mãe, o seu filho, o seu vizinho. Para o dia em que a vida apertar e alguém precisar de um lugar que cuide de gente como gente.
Que você nunca precise de nós. Mas se precisar, o hospital vai estar lá – como está há setenta anos.
Professor Severino Lopes da Silva
Macaíba, 1924 – Natal, 2002
Fundador do Complexo de Saúde Professor Severino Lopes

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Os ídolos da nossa gente dizem muito sobre o nosso país. Por Aragão.

— Diga-me quem tu segues e te direi quem tu és.

Jogadores de futebol, pagodeiros e garotas do TikTok merecem seu lugar ao sol. Todos têm direito aos seus 15 minutos de fama. O problema surge quando uma nação não olha para mais nada e segue hipnotizada por astros sem brilho.

Talvez não pudesse ser diferente em um país onde cerca de 30% da população é formada por analfabetos funcionais, pessoas com limitações para compreender textos mais complexos ou interpretar informações além do óbvio.

Somos um povo que vive suas vitórias pelo futebol, aprende história pelo cinema, entende política pelos memes, “investe” seu dinheiro nas bets e esquece os próprios problemas acompanhando as novelas da vida irreal das celebridades digitais.

Sem o sol da educação para servir de guia, muitos brasileiros seguem o brilho dos LEDs dos smartphones como se fossem uma luz no fim do túnel.

— Túnel de pombos.

O escritor John le Carré criou essa metáfora ao contar a história de pombos que eram soltos por um corredor estreito e, ao saírem do outro lado, encontravam atiradores à espera.

— Talvez o nosso túnel seja digital.

Quem espera nossa gente do outro lado do túnel dos algoritmos é a política e a economia. Mirando narrativas em mentes já entorpecidas pela dopamina barata de dancinhas, fofocas ou vieses de confirmação devidamente confirmados.

Quando tivermos ídolos que nos ensinem a pensar, em vez de dançar, talvez o povo deixe de entrar no túnel de pombos.

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Uma homenagem às mães. A aurora que nunca falha. Por Fernando Rocha.

Na minha infância, o dia não amanhecia enquanto minha mãe não acordasse.
Não era metáfora. Era a ordem natural das coisas, tão certa quanto a gravidade e o movimento dos astros. O sol podia já estar alto, a luz já derramada pelas frestas da janela, os pássaros já em pleno exercício de seu ofício matinal, e ainda assim o dia permanecia suspenso, incompleto, como uma frase sem ponto final. Era ela quem rompia o silêncio com os primeiros passos no corredor, o cheiro do café se espalhando pela casa como um anúncio solene, a voz chamando pelo nome com aquela entonação que nenhum outro ser humano jamais reproduziu. Só então o mundo começava.


Os filósofos gregos passaram séculos discutindo o sumo bem, o summum bonum, esse bem supremo em direção ao qual toda existência tende sem sempre saber. Aristóteles o chamou de eudaimonia, o florescimento pleno da alma. Platão o colocou além do próprio ser, inacessível e luminoso como o sol que torna tudo visível sem poder ser olhado diretamente. Agostinho o identificou com Deus, dizendo que o coração humano permanece inquieto até repousar nele.
Todos estavam certos. E todos estavam, à sua maneira, falando de mãe.


Porque a mãe é a aurora. Não a aurora decorativa dos poetas românticos, feita de rosa e dourado para enfeitar versos. A aurora real, aquela que chega sem pedir licença, que não consulta o humor de ninguém, que simplesmente aparece e com sua presença desfaz toda a escuridão anterior. Com ela não há tristeza que resista ao primeiro café, nem melancolia que sobreviva ao primeiro abraço. Não porque ela negue a dor, mas porque sua presença a redimensiona, coloca cada sofrimento no lugar exato que ele merece, nem maior nem menor, e revela que ao redor da dor existe sempre mais vida do que a dor deixa ver.


As lições da mãe têm uma característica que nenhuma escola reproduziu: elas não doem. Não porque sejam fáceis, mas porque chegam embrulhadas em algo que as torna palatáveis sem torná-las menos verdadeiras. A correção que viria dura de qualquer outra boca chegava pela boca dela temperada com uma precisão afetiva que desarmava qualquer resistência. Você não se defendia. Você simplesmente entendia, e o entendimento ficava.
E permanece.


Essa é a marca mais espantosa das lições maternas: sua durabilidade. Tudo na vida tem prazo. As certezas filosóficas envelhecem, os amores se transformam, as convicções políticas mudam, os corpos cedem. Mas aquilo que a mãe depositou nos primeiros anos, com a paciência artesanal de quem sabe que está construindo algo para durar, permanece intacto décadas depois, funcionando silenciosamente como uma bússola que não precisa ser consultada porque já foi internalizada.


Kant dizia que o sumo bem exige a coincidência entre virtude e felicidade, e que o mundo empírico raramente oferece essa coincidência. Tinha razão quanto ao mundo. Mas esqueceu de considerar as mães, que são justamente o lugar onde virtude e felicidade coincidem de maneira espontânea e gratuita, sem precisar de nenhuma postulação metafísica para se justificar.


A mãe não ama porque é virtuoso amar. Ama porque amar é, para ela, simplesmente o modo de existir. E nesse amor sem cálculo e sem condição está, talvez, a aproximação mais concreta que a experiência humana oferece daquilo que os filósofos buscaram em sistemas elaborados durante séculos.
Aristóteles disse que o sumo bem é aquilo que é desejado por si mesmo e não como meio para outra coisa. Toda criança sabe, antes mesmo de ter linguagem para dizê-lo, que o colo da mãe é exatamente isso: não serve para nada além de si mesmo, e por isso vale tudo.


O dia, na minha infância, não amanhecia enquanto ela não acordasse.
Hoje compreendo que não era dependência. Era reconhecimento. A intuição precoce, ainda sem palavras, de que certas presenças são fundamento, e que o dia só faz sentido pleno quando quem nos ensinou a vê-lo está, de alguma forma, junto.


A aurora nunca falha. E as mães, mesmo quando o tempo as transforma e a vida as afasta, continuam amanhecendo dentro de nós, todos os dias, com aquela luz que nenhuma escuridão conseguiu apagar.

À Oliveth, minha mãe.

Fernando Rocha é Procurador da República

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O Peso do Lar. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

Minha singela homenagem às mães segue em forma de imagem. Em especial, às mães “donas de casa”.

Mas qualquer texto sucumbe à força dessa imagem, que me rouba as palavras e sequestra minha contemplação.

“La Mujer Que Nunca Hizo Nada” (A Mulher Que Nunca Fez Nada), criada pelo artista José Luis Fernández (Zaragoza, Espanha, 2001) é uma escultura hipnotizante, avassaladora.

É uma obra que nos convida a refletir, cada um a seu modo, sobre a mulher, mãe e esposa que nos acompanhou em algum momento da vida. E que ainda acompanha. Ou em vida, ou em memória.

Que peso carrega essa mãe, tantas vezes estigmatizada como “apenas dona de casa”?

Qual o tamanho da nossa dívida com essas mulheres que, mesmo se desdobrando em mil, eram reduzidas ao rótulo “do lar”?

Fica aqui minha homenagem a todas essas mães, na pessoa da minha amada Dona Laura, exemplo de mãe, esposa e dona de casa.

Luis Marcelo Cavalcanti é Advogado e Procurador do Estado.

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Mãe, o primeiro nome do amor. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Mãe, o primeiro nome do amor

Há um instante, anterior às leis, às religiões e às ideologias, no qual o ser humano aprende o significado genuíno do cuidado. Esse momento costuma ter o rosto de uma mãe.

A maternidade talvez seja a mais universal das experiências afetivas, reunindo, a um só tempo, força, renúncia e ternura. A mãe é essa figura paradoxal que suporta dores descomunais para oferecer ao filho a sensação de que o mundo ainda ostenta contornos coloridos.

E a literatura cedo percebeu que as mães não ocupam as margens da História. A coadjuvância não rima com o eixo moral que frequentemente representam. Em Les Misérables, Victor Hugo entregou a Fantine a dimensão trágica da maternidade sacrificial, ao desenhar uma mulher que consome a própria dignidade para preservar a vida da filha. Em Vidas Secas, Graciliano Ramos construiu Sinhá Vitória como símbolo de resistência, para incorporar as mulheres que sustentam a família mesmo quando a vida parece reduzida à escassez. Machado de Assis, em Dom Casmurro, empresta à Dona Glória uma personagem que encarna a maternidade atravessada pelo profundo desejo de proteger o destino do filho.

Nessa arquitetura afetiva, a avó parece projetar uma posição ainda mais delicada. Diz-se que a avó é mãe com açúcar. Não porque ame mais, mas porque o tempo amadurece o sentimento. A maternidade da avó já não carrega a ansiedade dos primeiros enfrentamentos. A avó ama vendo, nos netos, a continuidade invisível daqueles que um dia embalou nos braços.

É inegável: muitas mães — e avós — sustentam emocionalmente famílias inteiras sem reivindicar protagonismo. Movem-nas propósitos mais altos e mais virtuosos.

Por isso mesmo a densidade da palavra Mãe segue, incólume, atravessando culturas e séculos. Ela não designa uma pessoa. Antes de tudo designa um lugar no mundo: o lugar onde o amor, por sua própria natureza, aprendeu a ficar. Feliz dia das mães!

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito e Doutorando em Direito.

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Shakira bate público de Madonna em Copacabana, sem precisar queimar cruzes nem transar no palco. Por Aragão.

Dois milhões de pessoas lotaram a praia de Copacabana para ouvir um show de música. Dançaram e cantaram os hits memoráveis da Shakira. A qualidade do seu repertório foi suficiente para embalar as milhares de pessoas. Não precisou de lactação nem levantar bandeiras nem de polemizar em busca de engajamento e aplausos. — Sua música bastou.

Madonna nunca perdeu a oportunidade de transformar polêmica em produto. Queimou cruzes, hipersexualizou o palco e usou bandeiras de causas sociais como se fossem cenário de videoclipe. Tudo calculado para gerar manchete, engajamento e manter o nome circulando.

Shakira fez o caminho inverso. Subiu no palco em Copacabana e entregou exatamente o que uma artista deve entregar: música boa, dança de verdade e uma energia capaz de fazer dois milhões de pessoas esquecerem que estavam espremidas numa faixa de areia. Sem performance de escândalo. Sem ritual para a imprensa. Sem precisar de polêmica para justificar o ingresso.

— It’s a Material Girl!

Artistas com o alcance e a fortuna de Madonna poderiam usar esse poder para causas reais — combater à violência contra as minorias e promover sua inclusão no mercado de trabalho, projetos concretos de impacto social. Mas a performance calculada para atrair público, a nudez gratuita e zombar da religião dá mais ibope do que financiar uma ONG séria.

Shakira preferiu cantar. E ganhou. Encantou 200 milhões de brasileiros.

— Whenever, Wherever.

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A arte de engraxar os sapatos Por Luis Marcelo Cavalcanti

Ontem fiz algo que há muito tempo não fazia: engraxei meus sapatos. Dez pares, para ser exato. Lembrei imediatamente – e durante todo o tempo – de vovô Adalberto. Até senti sua presença, confesso. Normal. Afinal, assim como atender seus pacientes e tocar piano, engraxar sapatos era umas das coisas que ele mais gostava de fazer.

Parei para refletir sobre a simbologia por trás desse hábito. Lembrei de quando vovô me chamava para sentar ao seu lado e ajudá-lo com os sapatos. Eram muitos pares, a maioria brancos, como eram os sapatos dos médicos de antigamente. Depois vinham os marrons e os pretos. Eu o ajudava, ele me ensinava e me corrigia.

Extraio daquilo algumas lições:

1. É necessário “parar”, mesmo que seja apenas para engraxar os sapatos. E tem sido difícil “parar” nesses dias acelerados de uma vida desenfreada, ansiosos que estamos sempre por aprovação e consumo. Um dia já não é suficiente para tantas coisas que assumimos fazer. Mas, afinal, o que é de fato importante para nós?

2. É preciso limpar os sapatos, tirar a poeira, recuperar e renovar o brilho. E tudo isso se aplica a nós mesmos: quando fazemos isso com os sapatos, é como se fizéssemos com nossa alma.

3. Sempre é tempo de “cuidar” do que é nosso. Muitas vezes aquele sapato velho, que aparentemente não nos serve mais, só precisa de cuidado e atenção para brilhar de novo. Deveríamos fazer isso com tudo que está a nossa volta, especialmente com pessoas que amamos.

4. Não é preciso esfregar com força o sapato. Basta ter leveza e precisão para obter o brilho ideal. Segurar do jeito certo, lustrar com boa vontade, sem pressa, e sem preguiça. Ao me corrigir inúmeras vezes, Dr. Adalberto me ensinava que era preciso dar o melhor de nós em tudo que fazemos.

Enfim, antes de dormir e depois de colocar pra dormir meu pequeno João – o bisneto de Adalberto que, eu espero, possa se tornar também um eterno aprendiz de engraxate – decidi compartilhar com você essa reflexão, amigo leitor.

P.S. *Aprendi também que tenho sapatos pra cacete, e que minha coordenação com a mão esquerda é uma merda…*

Luis Marcelo Cavalcanti é Advogado e Procurador do Estado.

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Unimed Natal reforça apoio à cultura no RN e incentiva programação do Encanta Natal na Rampa

Com shows de Sueldo Soares, Nonato Negão, Quarteto Linha e Sergynho Pimenta, evento aposta em música e convivência em um dos cartões-postais de Natal.

A Unimed Natal, reconhecida como a empresa que mais apoia a cultura no Rio Grande do Norte, é uma das incentivadoras do projeto Encanta Natal – Cultura ao Entardecer, que ganha nova edição no próximo sábado (2), no Complexo Cultural Rampa. A proposta une música, paisagem e convivência em um dos cenários mais simbólicos da cidade, com o pôr do sol dando lugar a uma noite marcada pelo samba e Axé Music.

A programação reúne nomes conhecidos do público. Sueldo Soares e Nonato Negão sobem ao palco juntos novamente, retomando uma parceria que já conquistou plateias, sob a direção artística do maestro Chico Betoven. Em seguida, o Quarteto Linha se junta a Sergynho Pimenta, em um encontro que mistura diferentes influências dentro do samba e do axé.

Com início às 16h e acesso gratuito, o evento aposta na ocupação qualificada de espaços públicos, valorizando a cultura local e promovendo experiências ao ar livre para todas as idades. A ambientação da Rampa, às margens do rio Potengi, contribui para um clima que começa leve, ao entardecer, e evolui para uma programação musical mais intensa ao longo da noite. Os ingressos podem ser retirados antecipadamente no Restaurante Petrópolis, das 11h às 15h.

Para o diretor-presidente da Unimed Natal, Dr. Márcio Rêgo, o incentivo a iniciativas como essa faz parte do compromisso da cooperativa com a qualidade de vida da população. “Acreditamos que saúde também passa pelo acesso à cultura, ao lazer e à convivência. Apoiar projetos como o Encanta Natal é contribuir para uma cidade mais viva, com oportunidades de encontro e bem-estar para as pessoas”, afirma.

Além da programação cultural, o evento também abre espaço para um gesto de solidariedade. Quem puder, é convidado a levar 1 kg de alimento não perecível, fortalecendo uma corrente de apoio a quem precisa. A proposta é unir música, convivência e cuidado coletivo em uma mesma experiência.

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Natal recebe o show “Três vozes para celebrar – onde a oração se faz canção” no Teatro Riachuelo

O palco do Teatro Riachuelo será cenário de uma noite especial de fé e música no próximo dia 28 de maio, com a realização do show “Três Vozes para Celebrar – onde a oração se faz canção”. O espetáculo reúne três grandes nomes da música católica brasileira: Eliana Ribeiro, Suely Façanha e Adriana Arydes.

Reconhecidas por suas trajetórias marcadas pela evangelização por meio da música, as artistas prometem emocionar o público com um repertório que reúne grandes sucessos de suas carreiras, canções de louvor e momentos de profunda espiritualidade.

*A abertura do evento ficará por conta do padre Carlos Sávio, com o momento especial *“Conexão e Fé”,* uma experiência de oração e adoração que marcou profundamente milhares de pessoas durante a pandemia, por meio de suas lives no Instagram. Será um momento único de espiritualidade e encontro com Deus, preparando o público para a noite de louvor.

A proposta do show é proporcionar uma experiência única de encontro com a fé, por meio de vozes que marcaram gerações dentro da música católica.

Com produção cuidadosamente pensada para envolver o público, “Três Vozes para Celebrar” se apresenta como uma oportunidade de vivenciar uma noite de louvores, conduzida por três das mais expressivas cantoras do segmento no país.

Os ingressos estão disponíveis, exclusivamente, na bilheteria do teatro e pelo site Uhuu.com.

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