A verdade imperativa que intitula este ensaio, frequentemente emprestada à autoria de Pablo Neruda, mas lavrada por Alfredo Cuervo, aplica-se, hoje, à perfeição. Neste Dia da Mulher, a melhor homenagem talvez seja reconhecer o óbvio que tantas vezes foi negado: a vida, como a conhecemos, tem voz, cor, cuidado e coragem de mulher. Não como adorno de calendário, mas como eixo silencioso que sustenta rotinas, famílias, instituições e sonhos. Onde falta a presença feminina, falta também uma parte essencial do ser humano: a capacidade de recomeçar, e de resistir.
Durante muito tempo se vendeu a caricatura da guerra dos sexos, como se homens e mulheres fossem exércitos rivais condenados ao conflito. Mas o mundo maduro vem aprendendo que a história não melhora somente pelo confronto, mas, antes, pelo reconhecimento. Novos tempos reclamam menos disputas e mais parceria; menos rótulos e mais escuta. A mulher demonstra, dia após dia, o seu valor. Não por concessão, mas por evidência. Na competência, na intuição, e na delicadeza que não é fraqueza — mas é força educada e que pode ser sutil.
E se a vida tem algum critério de verdade, ele não está no brilho das vitrines, senão na qualidade dos vínculos. O que vale a vida são os afetos, disse, um vez, o min. Barroso. O valor está no gesto que ampara, na palavra que não humilha, ou na mão que fica quando tudo conduz à despedida. Por isso, hoje, os júbilos também se convertem em compromisso: que a igualdade seja prática, e que o respeito seja irrestrito.
Percebi, confesso, que sempre assistiu razão a Vinicius de Moraes: e que “tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.” Parabéns, mulheres. Sem vocês, realmente, esse mundo não seria igual.
Bruno Montenegro Ribeiro Dantas – Juiz de Direito – Doutorando em Direito
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