— Pão, circo e feriados.
O Brasil se envereda no populismo, que mais parece um suborno. Sim, em ano eleitoral podemos esperar de tudo em troca de votos.
Falhamos em oferecer uma educação de qualidade, não conseguimos dar segurança à população, nossa saúde é uma temeridade, temos uma das maiores taxas de juros do planeta — 15% ao ano —, crédito caro e uma elevada carga tributária. Segundo a CNC, 80,4% das famílias relataram estar endividadas.
Nesse cenário, somente uma mente extremamente populista poderia pensar algo como: — já que falhamos miseravelmente em construir um país próspero que atendesse à população, que tal diminuirmos a escala de trabalho? É realmente bem mais fácil do que melhorar o Brasil. Basta uma PEC e vender na mídia como um avanço, uma conquista para o trabalhador.
É mais uma decisão da série: — já que não conseguimos oferecer emprego para todos, que tal bolsas assistencialistas? É só embalar como um cuidado com a população. Não sou contra o Bolsa Família. Sou muito mais a favor de programas que “ensinem a pescar, e não entreguem o peixe”.
Permitam-me fazer uma reflexão incômoda — mas honesta. O que o trabalhador brasileiro faria com um dia adicional de folga? Pesquisas do IBGE sobre uso do tempo mostram que o brasileiro não aloca tempo livre adicional em estudo, requalificação ou investimento em projeto pessoal. Aloca, majoritariamente, em consumo de entretenimento, redes sociais e — sim — gasto em álcool e lazer. O dia extra de folga, essa espécie de feriado semanal, pode se transformar em mais despesa para as famílias.
A França pode reduzir jornada porque já construiu, ao longo de décadas, a base de produtividade que sustenta a redução. O Brasil quer fazer o caminho inverso — começar pela jornada menor e esperar que a produtividade se ajuste sozinha.
— 97% das empresas do Brasil são micro ou pequenas empresas. Elas são responsáveis por 7 em cada 10 novos empregos; 6 em cada 10 micro ou pequenas empresas quebram antes de completar 5 anos.
O aperto de uma redução da escala 6×1 não será nas grandes empresas, mas nas micro e pequenas.
Esse Cavalo de Troia deve trazer embutido mais desemprego e recessão. Sufocando a micro, pequena e média empresa, sufocamos o Brasil.
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