Tubarões da areia em Porto de Galinhas. Por Aragão.
Seu habitat natural são as praias turísticas. Têm um faro excepcional para detectar a presença de turistas na areia. Após anos de evolução, essa espécie aprendeu a pescar. Colocam cadeiras e sombrinhas como isca e ficam à espera. Quando a presa se aproxima e senta na cadeira, pronto. Em questão de segundos, garantem uma mordida enorme no bolso dos banhistas.
Cervejas e tira-gostos com preços que sangram qualquer orçamento; taxas de consumação exorbitantes e uma pressão velada. Se você questiona, atiça o instinto predador e começa a intimidação, que muitas vezes beira a violência — e, em Porto de Galinhas, descambou num mar de agressões e estupidez, desencadeado por um bando de tubarões da areia ou, simplesmente, barraqueiros.
— Tubarão para cobrar, sardinha para pagar.
Eles cobram tudo, mas não pagam impostos, não pagam aluguel, não cumprem regras sanitárias, não usam EPIs; muitos contratam pela informalidade. Por quê? Restaurantes no mundo inteiro não cobram para que alguém se sente, nem impõem consumação mínima — salvo raras exceções, geralmente associadas a casas noturnas. No caso das praias, criou-se uma espécie de “legalização informal do abuso”, sustentada pela falsa legitimidade do argumento de que “as cadeiras são nossas e podemos cobrar”. — Existem barraqueiros mansos e legais mas estão em extinção.
— A maré não está para peixe.
Chegou a hora de o poder público fazer uma pescaria séria para separar os tubarões dos peixes pequenos em todo o litoral brasileiro. Em Porto de Galinhas, os responsáveis pelas agressões precisam ser identificados, investigados e responsabilizados exemplarmente, para que esse modelo predatório deixe de se reproduzir nas nossas praias.
— Que o brasileiro possa ter, ao menos, o direito de usufruir do presente de Deus, que são nossas belas praias, com paz e tranquilidade.
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