— Os tolos também votam. Eis o problema.
Ninguém pode questionar a habilidade, o raciocínio rápido e a lucidez de Rogério Marinho. Essas qualidades abriram as portas para que ele entrasse nos mais restritos círculos do poder da direita — hoje, é o líder da oposição no Senado. É uma referência no Brasil como uma voz contra o sistema, que sabe se posicionar sem afetação ou extremismos — deixando-o imune, até agora, aos olhares atentos do STF.
Do ponto de vista técnico, é um dos quadros mais qualificados da política potiguar. Mas Rogério Marinho convence pela lógica, e raramente mobiliza pela emoção. Explica com clareza, mas não encanta. Seu discurso é correto, consistente — e frio. Isso não é defeito de caráter, é traço de perfil. Mas perfis também vencem ou perdem eleições.
No meio do povão, ele parece sempre distante; falta conexão. Em um estado como o RN, onde a política ainda passa muito pela relação direta, pelo contato humano e pela sensação de pertencimento, essa distância cobra um preço.
— A verdade desconfortável e incontestável que sempre reaparece: Os tolos também votam.
E isso não é um insulto — é um dado da democracia, ainda o melhor regime de governo que existe. Nela, o voto é universal: alcança o cidadão bem informado e o desinformado; o que analisa propostas e o que decide por impulso, por indicação, por simpatia, por raiva ou pela simples rejeição ao “jeito” do candidato.
Em nosso estado, uma grande parte dos eleitores é formada por pessoas com baixa instrução e que ainda votam por identificação ou conexão emocional. — Lembremos que a taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média nacional e que o ensino médio no RN ocupa o último lugar no Brasil no IDEB.
É comum, por aqui, não vencer o mais preparado, mas quem consegue se comunicar, gerar empatia e engajar-se com a massa — muitas vezes distante do debate técnico e pouco conectada a números, diagnósticos ou soluções estruturais.
— Eis o desafio de Rogério Marinho.
Comentários (0)