Ontem, ao assistir ao sorteio da mega da virada (óbvio que também apostei), me deparei com essa vinheta da CAIXA estampada na foto. Sem querer, o próprio governo federal admite a tragédia que tomou conta do país nos últimos 05 anos. A frase dúbia, pensada para divulgar o prêmio bilionário da mega, atestou o que todos já sabem: o Brasil literalmente parou para apostar em Bets e jogos como o Tigrinho, que estão destruindo economia, famílias, empregos, relacionamentos e saúde mental.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio, só em 2024 o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas. Em Minas Gerais, a perda pode chegar a R$ 30 bilhões, reduzindo o PIB estadual em R$ 18 bilhões. (Fonte: G1/MG).
“São pessoas que jogam e usam os cartões de crédito de forma compulsiva e sem controle – como é próprio em todo o tipo de jogo de azar. Em apenas um ano, os brasileiros apostaram cerca de R$ 100 bilhões no Jogo do Tigrinho e outros”, revela estudo realizado pelo professor José Pastore, uma das maiores referências no assunto (O Estado de S.Paulo, 26 de setembro de 2024).
“O Hospital das Clínicas aqui em São Paulo já admite não ter mais estrutura para receber pessoas para tratar esse problema este ano. Estamos falando de saúde pública, de um problema que é uma epidemia”, explica Ione Amorim, consultora do IDEC.
Matéria publicada pela Agência Brasil aponta que os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets em 2024 e os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em bets, por meio de Pix, em agosto de 2024, segundo o Banco Central.
A verdade é que, quando se unem vício e desilusão, o resultado não pode ser menos trágico. Os gatilhos de dopamina que o sistema de recompensas dispara no cérebro do apostador contumaz vem preencher, também, o vazio de quem já não acredita ser possível alcançar sua independência financeira com trabalho duro e honesto. Reflexos de uma nação desorientada, abandonada e sem referencial de construção de uma carreira que não dependa de sorte ou azar.
Luis Marcelo Cavalcanti é Procurador do Estado e advogado.
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