— Que viagem, hein?
Já está virando rotina. Se vai para SP, deve ir para João Pessoa ou Recife. Se vai a Lisboa, deve sair do Ceará. De que adianta ter voos diretos se sai bem mais caro partindo daqui? Essa questão está gerando uma turbulência na economia e no turismo local.
Veja só esses exemplos: Natal–São Paulo–Natal pela Latam, partindo em 01 de outubro, está R$ 3.158,57. O mesmo trecho saindo de Recife fica apenas R$ 1.008,21.
— Menos de 1/3 do valor?
— Mas o que é isso, companheira?
Natal–Lisboa–Natal pela Latam, partindo em 19/01/26, está R$ 7.572,59. O mesmo trecho saindo de Fortaleza fica por R$ 4.199,28.
Exemplos não faltam: Natal–São Paulo–Natal pela Gol, partindo em 01 de outubro, está R$ 2.185,66. O mesmo trecho saindo de Recife fica apenas R$ 1.369,57.
Natal–Porto Alegre–Natal pela Azul, partindo em 01 de outubro, está R$ 3.666,18. O mesmo trecho saindo de Recife fica apenas R$ 1.480,02.
Já é um absurdo o aeroporto Aluízio Alves ser tão longe. Agora, com esses preços, ele ficou ainda mais distante. Bem, um dia sonhamos em ter um HUB aqui; o tempo mostrou que nosso estado não está conseguindo nem manter os voos domésticos. Afinal, a atual situação deve gerar um êxodo para outros estados.
— Será que o governo do estado taxa mais o combustível dos aviões? Será que é política fiscal? Falta de competitividade?
O que sabemos é que os preços das passagens partindo do RN estão nas alturas. A solução ainda não aterrizou — e está bastante atrasada.
Temos excelentes agências de turismo e uma rede hoteleira de referência mas o governo precisa ajudar o turismo. Precisarmos viajar para outro estado antes da viagem é uma saída de emergência que usamos a todo instante. Onde queremos chegar? Se o destino for o desenvolvimento, é preciso mudar o plano de voo do RN. Se não houver correção de rota, o RN continuará taxiando na pista enquanto os vizinhos decolam.
— Apertem os cintos, o piloto sumiu.
Foto: Elisa Elsie
Comentários (1)
Uma resposta para “Por que viajar de avião decolando do RN é tão mais caro? Por Aragão”
Parabéns pelo texto, caro jornalista!