Tenho certeza de que Bolsonaro sabia que haveria críticas ao nome de Flávio; por isso lança com certa antecedência, também para testar essa indicação. Então, vamos analisar a questão com a necessária luz da razão. E razão é algo difícil de se ter quando se está sofrendo as agruras e humilhações de uma prisão. Não ter dado ouvidos às ruas e ao mercado mostra a aflição a que Bolsonaro deve estar sendo submetido.
Bolsonaro escolher seu filho como herdeiro político é humano, compreensível, até previsível. Mas é inadequado. O Brasil não precisa de uma dinastia — precisa de um líder testado, capaz de executar um governo que tire o país do pântano institucional e reconcilie a direita com o centro moderado. Sem isso, não há 50% mais um. E Bolsonaro, com todo seu peso eleitoral, não transfere uma coroa; transfere, quando muito, uma intenção de voto. O resto precisa ser conquistado.
Não abro mão das minhas convicções e continuo com preferência em Tarcísio. Uma vitória seguida de um bom governo é a melhor forma de fortalecer a direita e o próprio Bolsonaro.
O Brasil não pode mais errar. Tarcísio já provou, nos cargos anteriores e no governo de São Paulo, que sabe trabalhar, sabe fazer. E tão importante quanto o que ele sabe fazer é o que ele não sabe fazer. Tarcísio não sabe radicalizar — e isso é ótimo. Sua postura agrada uma parcela enorme da população que não aguenta mais o teatro das polarizações e, ao mesmo tempo, projeta a esperança de um mandato em que o Judiciário permita governar.
A ideia deste texto não é romper com Bolsonaro. É um chamado à razão. Apenas uma voz que pretende se juntar a tantas outras que, também sem abrir mão do pragmatismo, possam falar tão alto até que Bolsonaro consiga dar ouvidos à razão. E, assim, possamos seguir juntos rumo à vitória.
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