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ARTIGO: Nossas praias, a Via Costeira e o bunda-lê-lê. Por Marcus Aragão

POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG DO BG EM 07/07/23.

Nossas praias estão impróprias para o banho, impróprias para o turismo, impróprias para os natalenses.

Durante muito tempo fomos conhecidos em todo o Brasil pelas belezas das nossas praias. A questão é que até o morro está careca de saber que isso está mudando. Se antes os turistas se sentiam atraídos pelas nossas praias, hoje eles se sentem traídos.

— Até tu, Ponta Negra?

Se em Recife precisamos ter cuidado com os tubarões, aqui em Natal a atenção é com ratos, baratas e bocas de lobo. Quem começa a andar pela nossa orla tem que ter cuidado onde pisa. A eterna falta de uma urbanização racional infestou nossas praias com barracas e ambulantes que, pela falta de higiene, atraem ratos e outras pragas, tornando-se alvo involuntário de pisadas distraídas. Fique atento. Banheiros imundos, assaltos frequentes e lixo nas calçadas compõem esse cenário de purgatório — e o inferno é logo ali.

Segundo o presidente da ABIH, o risco do turista ser assaltado é de 90%. A falta de policiamento ostensivo e o domínio da cidade pelas facções estão tornando a vida na cidade do sol um inferno de Dante. Os 10% que não foram assaltados pelos bandidos não resistirão aos preços extorsivos cobrados pelas barracas. Sem falar na prostituição que compõe o cardápio alternativo da orla.

— A boca de lobo é o ânus da cidade.

Um cano enorme que defeca literalmente toneladas de fezes em nossas praias ao ar livre, sem nenhum pudor, para todos assistirem incrédulos esse espetáculo bizarro. Quantas bactérias essa imundície não traz em seu córrego? Se a “boca de lobo” é o ânus, nossa orla é um imenso rego? A “língua preta” é a diarréia da cidade. Quantas crianças, idosos, pais de família e ainda a vida marinha são infectados através dessa imundície? E o pior, temos várias “bocas de lobo” em nossas praias. Se o turista europeu já fica constrangido quando percebe um cachorro fazendo o que o gato enterra em via pública, imaginemos o que não pensa quando se depara com todo o potencial de uma “boca de lobo”. É a cidade fazendo bunda-lê-lê para o turismo.

Se o turista escapou dos perigos do calçadão, conseguiu não ser fisgado pelos preços das barracas, desviou as bocas de lobo na areia e resolve dar um mergulho, percebe que está bem no meio do bojo dos problemas. Os relatórios de balneabilidade constantemente apontam a presença de coliformes fecais, ou agora chamados de “termotolerantes”s, em uma presença bem elevada, tornando impróprio entrar na água. Teríamos que substituir o Morro do Careca por uma pastilha sanitária gigante?

A situação do turista é realmente preocupante. Porém, a diferença é que seus problemas se acabam quando ele vai embora. Certamente, a melhor parte da viagem, ou pelo menos a mais segura, é o retorno para casa. Ele está livre. Não precisa dar ouvidos ao canto da sereia dos políticos locais que prometem e nunca resolveram essa questão.

Se para o turista não está fácil, imagine para nós, natalenses, que não temos para onde escapar? O turista, que tem menos, tem mais do que a gente. Aliás, ele ainda tem um direito extra que nos é negado — usufruir da Via Costeira. Podemos passear de carro e de bicicleta, liberam para correr e andar, mas não podemos ficar nem estacionar. Nascemos aqui, mas não é permitido usar a praia que Deus nos deu. A maior faixa litorânea da cidade — é só para as visitas.

Fazendo uma comparação da Via Costeira com uma casa, é como se não nos deixassem jantar na sala. Só podemos fazer as refeições na cozinha — só que somos os donos da casa.

A Via Costeira é admirada por todos, mas usufruída por bem poucos. O pernambucano pode desfrutar tranquilamente, basta se hospedar nos hotéis. O baiano da mesma forma. O capixaba, idem. O gaúcho e o alagoano, também. Enfim, só quem não pode somos nós — os nativos. Afinal, não vamos nos hospedar nos hotéis em nossa própria cidade. Queremos morar com vista para o mar, entendeu? Por que não?

Meu leitor ecochato, não fique verde de raiva, pois não defendo acabar com o meio ambiente. É possível conciliar e planejar com sabedoria. Maceió errou? João Pessoa errou? Claro que não. Ah, quer dizer que temos leis arcaicas? Vamos fazer novas leis para um novo tempo.

Já foi um grande passo a implantação do novo plano diretor que melhorou a situação das edificações em diversos pontos de nossa cidade e na Via Costeira. Excelente, mas, por enquanto, ainda está no papel — é preciso que comecemos a construir. A população não pode esperar ainda mais. Quase 40 anos não foram suficientes?

Fiz o artigo em 2020: “Por que a Via Costeira não é sua?”. Foi realmente um recorde de acessos e compartilhamentos. Fiquei feliz com a repercussão, mas nada comparável à alegria que terei em escrever o artigo comemorando a entrega da Via Costeira ao povo de Natal.

Para não me alongar muito, já vou terminando esse giro pelas praias, passando pelo Forte e indo para a Ribeira. Tenho acompanhado com otimismo as iniciativas da prefeitura para resgatar esse importante bairro. Vamos ver se é para inglês ver ou se é para nossa gente viver. Espero que sim. Quem sabe essa onda de mudança começa pela Ribeira e vai desaguar no mar — trazendo de volta nossas praias! Quando esse dia chegar, bastará um mergulho para lavar a alma de todos nós.
 

Marcus Aragão
Instagram @aragao01

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Corrida Unimed Natal abre inscrições com percursos de 5km e 10km

Evento será realizado no dia 12 de julho, na Praça Cívica, e lança primeiro lote com condições especiais

Estão abertas as inscrições para a primeira edição da Corrida Unimed Natal, evento que chega ao calendário esportivo da capital potiguar unindo saúde, qualidade de vida e incentivo à prática esportiva. A prova será realizada no dia 12 de julho, com largada às 5h15, na Praça Pedro Velho, no bairro Tirol, em Natal. Neste primeiro lote, os participantes podem se inscrever nas categorias de 5km e 10km.

Promovida pela Unimed Natal e organizada pela Sportri, a corrida reunirá atletas profissionais, corredores amadores e famílias em uma experiência voltada ao bem-estar e à promoção da saúde. A expectativa é reunir milhares de participantes em um percurso planejado para proporcionar segurança, estrutura e uma grande celebração do esporte.

Os kits da corrida contarão com camiseta oficial do evento, número de peito e medalha para os concluintes. A programação também terá estrutura de apoio aos atletas, pontos de hidratação e premiação para diferentes categorias.

Para o diretor-presidente da Unimed Natal, Dr. Márcio Rêgo, a realização da corrida reforça o compromisso da cooperativa com iniciativas voltadas à promoção da saúde e da qualidade de vida. “A Corrida Unimed nasce com o propósito de incentivar hábitos saudáveis e aproximar ainda mais a cooperativa da comunidade por meio do esporte. Queremos proporcionar uma experiência organizada, acolhedora e marcante para todos os participantes”, destaca.

As inscrições para o primeiro lote já estão disponíveis e podem ser realizadas pela Ticket Sports. As informações oficiais sobre a corrida estão sendo divulgadas na página de inscrições e nas redes sociais da Unimed Natal (@unimednatal). A organização orienta que os atletas garantam a participação antecipadamente, já que as vagas são limitadas.

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Relatórios do MP colocam em xeque o discurso de bom gestor de Allyson.

A campanha de Allyson Bezerra ao Governo do Estado tem uma aposta clara: fazer da Prefeitura de Mossoró uma vitrine.

O problema é que os dados oficiais não estão colaborando com esse roteiro.

Enquanto o prefeito projeta uma Mossoró de avanços nas redes sociais, o Ministério Público do Rio Grande do Norte tem produzido relatórios que contam uma história bem diferente. E é esse contraste que começa a virar munição política para os adversários.

Na assistência social, inspeções realizadas entre 2025 e 2026 revelam um cenário crítico: prédios deteriorados, serviços funcionando de forma precária e população vulnerável desassistida. Não é a imagem de uma gestão exemplar.

Na educação, o MP aponta um problema que não foi resolvido: a falta de vagas em creches. A rede não cresceu na mesma proporção que a demanda — um gargalo antigo que a gestão não conseguiu fechar.

Na saúde, o quadro também preocupa. Foram identificadas deficiências no funcionamento de UPAs, problemas estruturais e deterioração em unidades básicas. Exatamente os serviços que mais impactam quem mais precisa.

Inicialmente, imaginava-se que as investigações da Polícia Federal, por meio da Operação Mederi, seriam a principal dor de cabeça de Allyson. No entanto, a sequência de notícias tendo como fonte o Ministério Público vem, na minha avaliação, desgastando de forma significativa o discurso de bom gestor que o prefeito tenta consolidar.

A tentativa de centralizar o debate eleitoral na capacidade administrativa é vista como uma estratégia de Allyson para evitar temas ligados à polarização nacional. O que talvez não estivesse no cálculo da equipe do prefeito era o volume de relatórios e informações negativas surgindo neste momento, colocando em xeque o discurso de êxito administrativo propagado pela gestão.

Fonte das informações: Blog Neto Queiroz

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Antônio Rocha, o Rochinha, tem o nome citado no caso do Banco Master.

O empresário Antônio Rocha Neto, o “Rochinha”, nome conhecido em Natal, apareceu nas investigações do caso do Banco Master por conta de uma negociação imobiliária com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

A matéria do site Metrópoles publicada hoje, 10/05,  aprofunda a questão trazendo detalhes sobre a transação imobiliária. 

Ciro Nogueira nega as acusações e classifica as investigações como “perseguição política”.

O caso segue em apuração pelas autoridades.

Fonte das informações: Site Metrópoles. 

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Com pesar, recebemos a notícia do falecimento de Cadidja Capuxú, filha da desembargadora Berenice Capuxú.

 

Recebemos com profunda tristeza a notícia do falecimento de Cadidja Capuxú.

Nossa família conhece e estima há muitos anos a família Capuxú e Roque. Uma família marcada pela educação, discrição e respeito com as pessoas.

Cadidja enfrentou sua doença com bravura e dignidade. Sua partida deixa um vazio doloroso para familiares, amigos e todos que tiveram a oportunidade de conviver com ela.

Manifesto minha solidariedade à desembargadora Berenice Capuxú, ao advogado Olavo Roque, ao advogado André Ximenes, seus filhos, aos irmãos Diogo, André e Tiago, demais familiares e amigos neste momento de imensa dor.

Que Deus conforte o coração de todos.

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Comissão de Justiça da ALRN aprova política de transparência na geração de energia

A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, nesta terça-feira (5), um projeto que cria regras para dar mais transparência na geração distribuída de energia elétrica. A proposta é do deputado Hermano Morais (MDB) e trata de como esse tipo de serviço deve funcionar, com impacto direto para consumidores e empresas.

Durante a reunião, os deputados também aprovaram o reconhecimento de utilidade pública da Associação Madre Rosa (Assomar), proposta pelo deputado Adjuto Dias (PL), e do Centro de Saúde e Social Santa Terezinha, de iniciativa do deputado Dr. Bernardo (PV).

Na área cultural e turística, foram aprovados projetos que reconhecem o Festival Bonita Rock, do deputado Nelter Queiroz (PP), além do Mirante das Cruzes, em Areia Branca, e da Pedra do Chapéu, em Tibau, ambos de autoria do deputado Ivanilson Oliveira (PV).

Também foram aprovadas a criação da rota turística Caminhos das Serras do Sertão, proposta por Nelter Queiroz, e o reconhecimento da Rádio Rural de Natal como patrimônio histórico e cultural do estado, de autoria de Adjuto Dias.

Participaram da reunião os deputados Francisco do PT, Ubaldo Fernandes, Galeno Torquato, Kleber Rodrigues e Coronel Azevedo.

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Líderes parlamentares destacam geração de energia solar no RN e criminalidade

No horário destinado aos líderes, na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, nesta quarta-feira (06), falaram os deputados estaduais Neilton Diógenes (PP) e Coronel Azevedo (PL). Entre os pronunciamentos, destacaram-se a falta de atratividade no RN para investimentos no setor de energia solar, devido aos entraves burocráticos e o Projeto de Lei nacional que equipara as facções criminosas como organizações terroristas.

O deputado Neilton Diógenes (PP) comentou que o Rio Grande do Norte está perdendo investimento na área de energia solar por não possuir atratividade para o mercado.  “O nosso estado tem grande potencial no setor de energia solar que poderia trazer geração de emprego, renda e mais rendimentos para as prefeituras municipais. O mercado brasileiro oportunizou em 2026, R$ 31, 8 bilhões de reais de investimento no setor, enquanto o nosso estado rejeitou 51 projetos de usinas de energias solares. Esses projetos que não foram aprovados impediram que houvesse um investimento no RN de R$ 13 bilhões de reais”, contou.

O parlamentar alertou que o RN está perdendo competitividade em um mercado que continua atraindo investimentos de todo o mundo. “Nós temos o melhor sol, um grande potencial, mas temos entraves burocráticos. Precisamos renovar, destravar e modernizar a lei que regulamenta esse desenvolvimento”, opinou.

De acordo com ele, em menos de 2 anos, o RN deixou escapar uma capacidade de geração superior a todo seu parque solar centralizado historicamente em operação. “Um alerta negativo porque os investidores de longo prazo desviam rotas e passam a investir nos estados vizinhos, com mais segurança jurídica para a permanência desses parques solares. Nosso estado hoje ele tem dificuldade de absorver um projeto sustentável de energia solar que possa ter resolutividade de verdade na geração de emprego e renda”, concluiu.

Já o Coronel Azevedo (PL) fez um apelo aos deputados estaduais para que assinassem um requerimento de autoria dele solicitando à governado do estado que peça ao presidente da república que considere a classificação das facções criminosas como organizações terroristas.

“O povo está sofrendo com as facções no RN e esse requerimento dirá ao Brasil que os deputados estaduais estão ao lado do povo sofrido. Isso é importante porque as facções já são transnacionais e os sistemas dos bancos mundiais podem ajudar no combate ao financiamento desses criminosos. As facções estão causando terror no Brasil, oprimindo os mais carentes, proibindo a instalação de serviços públicos, pedindo pagamento de taxas, matando trabalhadores brasileiros”, disse o parlamentar.

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Uma homenagem às mães. A aurora que nunca falha. Por Fernando Rocha.

Na minha infância, o dia não amanhecia enquanto minha mãe não acordasse.
Não era metáfora. Era a ordem natural das coisas, tão certa quanto a gravidade e o movimento dos astros. O sol podia já estar alto, a luz já derramada pelas frestas da janela, os pássaros já em pleno exercício de seu ofício matinal, e ainda assim o dia permanecia suspenso, incompleto, como uma frase sem ponto final. Era ela quem rompia o silêncio com os primeiros passos no corredor, o cheiro do café se espalhando pela casa como um anúncio solene, a voz chamando pelo nome com aquela entonação que nenhum outro ser humano jamais reproduziu. Só então o mundo começava.


Os filósofos gregos passaram séculos discutindo o sumo bem, o summum bonum, esse bem supremo em direção ao qual toda existência tende sem sempre saber. Aristóteles o chamou de eudaimonia, o florescimento pleno da alma. Platão o colocou além do próprio ser, inacessível e luminoso como o sol que torna tudo visível sem poder ser olhado diretamente. Agostinho o identificou com Deus, dizendo que o coração humano permanece inquieto até repousar nele.
Todos estavam certos. E todos estavam, à sua maneira, falando de mãe.


Porque a mãe é a aurora. Não a aurora decorativa dos poetas românticos, feita de rosa e dourado para enfeitar versos. A aurora real, aquela que chega sem pedir licença, que não consulta o humor de ninguém, que simplesmente aparece e com sua presença desfaz toda a escuridão anterior. Com ela não há tristeza que resista ao primeiro café, nem melancolia que sobreviva ao primeiro abraço. Não porque ela negue a dor, mas porque sua presença a redimensiona, coloca cada sofrimento no lugar exato que ele merece, nem maior nem menor, e revela que ao redor da dor existe sempre mais vida do que a dor deixa ver.


As lições da mãe têm uma característica que nenhuma escola reproduziu: elas não doem. Não porque sejam fáceis, mas porque chegam embrulhadas em algo que as torna palatáveis sem torná-las menos verdadeiras. A correção que viria dura de qualquer outra boca chegava pela boca dela temperada com uma precisão afetiva que desarmava qualquer resistência. Você não se defendia. Você simplesmente entendia, e o entendimento ficava.
E permanece.


Essa é a marca mais espantosa das lições maternas: sua durabilidade. Tudo na vida tem prazo. As certezas filosóficas envelhecem, os amores se transformam, as convicções políticas mudam, os corpos cedem. Mas aquilo que a mãe depositou nos primeiros anos, com a paciência artesanal de quem sabe que está construindo algo para durar, permanece intacto décadas depois, funcionando silenciosamente como uma bússola que não precisa ser consultada porque já foi internalizada.


Kant dizia que o sumo bem exige a coincidência entre virtude e felicidade, e que o mundo empírico raramente oferece essa coincidência. Tinha razão quanto ao mundo. Mas esqueceu de considerar as mães, que são justamente o lugar onde virtude e felicidade coincidem de maneira espontânea e gratuita, sem precisar de nenhuma postulação metafísica para se justificar.


A mãe não ama porque é virtuoso amar. Ama porque amar é, para ela, simplesmente o modo de existir. E nesse amor sem cálculo e sem condição está, talvez, a aproximação mais concreta que a experiência humana oferece daquilo que os filósofos buscaram em sistemas elaborados durante séculos.
Aristóteles disse que o sumo bem é aquilo que é desejado por si mesmo e não como meio para outra coisa. Toda criança sabe, antes mesmo de ter linguagem para dizê-lo, que o colo da mãe é exatamente isso: não serve para nada além de si mesmo, e por isso vale tudo.


O dia, na minha infância, não amanhecia enquanto ela não acordasse.
Hoje compreendo que não era dependência. Era reconhecimento. A intuição precoce, ainda sem palavras, de que certas presenças são fundamento, e que o dia só faz sentido pleno quando quem nos ensinou a vê-lo está, de alguma forma, junto.


A aurora nunca falha. E as mães, mesmo quando o tempo as transforma e a vida as afasta, continuam amanhecendo dentro de nós, todos os dias, com aquela luz que nenhuma escuridão conseguiu apagar.

À Oliveth, minha mãe.

Fernando Rocha é Procurador da República

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O Peso do Lar. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

Minha singela homenagem às mães segue em forma de imagem. Em especial, às mães “donas de casa”.

Mas qualquer texto sucumbe à força dessa imagem, que me rouba as palavras e sequestra minha contemplação.

“La Mujer Que Nunca Hizo Nada” (A Mulher Que Nunca Fez Nada), criada pelo artista José Luis Fernández (Zaragoza, Espanha, 2001) é uma escultura hipnotizante, avassaladora.

É uma obra que nos convida a refletir, cada um a seu modo, sobre a mulher, mãe e esposa que nos acompanhou em algum momento da vida. E que ainda acompanha. Ou em vida, ou em memória.

Que peso carrega essa mãe, tantas vezes estigmatizada como “apenas dona de casa”?

Qual o tamanho da nossa dívida com essas mulheres que, mesmo se desdobrando em mil, eram reduzidas ao rótulo “do lar”?

Fica aqui minha homenagem a todas essas mães, na pessoa da minha amada Dona Laura, exemplo de mãe, esposa e dona de casa.

Luis Marcelo Cavalcanti é Advogado e Procurador do Estado.

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Mãe, o primeiro nome do amor. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Mãe, o primeiro nome do amor

Há um instante, anterior às leis, às religiões e às ideologias, no qual o ser humano aprende o significado genuíno do cuidado. Esse momento costuma ter o rosto de uma mãe.

A maternidade talvez seja a mais universal das experiências afetivas, reunindo, a um só tempo, força, renúncia e ternura. A mãe é essa figura paradoxal que suporta dores descomunais para oferecer ao filho a sensação de que o mundo ainda ostenta contornos coloridos.

E a literatura cedo percebeu que as mães não ocupam as margens da História. A coadjuvância não rima com o eixo moral que frequentemente representam. Em Les Misérables, Victor Hugo entregou a Fantine a dimensão trágica da maternidade sacrificial, ao desenhar uma mulher que consome a própria dignidade para preservar a vida da filha. Em Vidas Secas, Graciliano Ramos construiu Sinhá Vitória como símbolo de resistência, para incorporar as mulheres que sustentam a família mesmo quando a vida parece reduzida à escassez. Machado de Assis, em Dom Casmurro, empresta à Dona Glória uma personagem que encarna a maternidade atravessada pelo profundo desejo de proteger o destino do filho.

Nessa arquitetura afetiva, a avó parece projetar uma posição ainda mais delicada. Diz-se que a avó é mãe com açúcar. Não porque ame mais, mas porque o tempo amadurece o sentimento. A maternidade da avó já não carrega a ansiedade dos primeiros enfrentamentos. A avó ama vendo, nos netos, a continuidade invisível daqueles que um dia embalou nos braços.

É inegável: muitas mães — e avós — sustentam emocionalmente famílias inteiras sem reivindicar protagonismo. Movem-nas propósitos mais altos e mais virtuosos.

Por isso mesmo a densidade da palavra Mãe segue, incólume, atravessando culturas e séculos. Ela não designa uma pessoa. Antes de tudo designa um lugar no mundo: o lugar onde o amor, por sua própria natureza, aprendeu a ficar. Feliz dia das mães!

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas é Juiz de Direito e Doutorando em Direito.

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Unimed Natal inaugura novo Centro Avançado em Mossoró e reforça expansão da rede própria no Oeste potiguar

 

Nova unidade amplia a rede própria da cooperativa no Oeste potiguar e passa a operar com estrutura ampliada e novos serviços de saúde

A Unimed Natal inaugurou, nesta sexta-feira (8), o novo Centro Avançado Mossoró, marcando mais uma etapa da estratégia de expansão da rede própria da cooperativa no interior do Rio Grande do Norte. Localizada na Avenida João da Escóssia, no bairro Nova Betânia, a nova unidade amplia a presença da operadora na região Oeste com uma estrutura mais moderna, integrada e preparada para ampliar a oferta de serviços de saúde aos beneficiários.

A solenidade de inauguração reuniu membros da diretoria executiva e conselheiros de administração da Unimed Natal, médicos cooperados, autoridades locais e políticas, como o prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, além de imprensa e convidados. O espaço inicia os atendimentos com os serviços anteriormente ofertados no antigo Centro Clínico na segunda-feira (11) e passará, nas próximas semanas, por uma ampliação gradual da operação, com incorporação de novas especialidades, exames e procedimentos.

Durante a inauguração, o diretor-presidente da Unimed Natal, Dr. Márcio Rêgo, destacou a importância estratégica da nova unidade para o fortalecimento da assistência no interior do estado. “A inauguração do novo Centro Avançado Mossoró representa um passo importante no projeto de expansão da nossa rede própria e no compromisso da Unimed Natal de levar uma assistência cada vez mais resolutiva, integrada e próxima das pessoas. Mossoró é uma cidade estratégica para o desenvolvimento da saúde no Oeste, e estamos investindo em uma estrutura preparada para crescer junto com as necessidades da população”, afirmou.

Com estrutura planejada para oferecer mais conforto e agilidade no atendimento, o Centro Avançado contará a partir de junho, em sua operação completa, com consultas em 18 especialidades médicas, exames laboratoriais e de imagem, ultrassonografia, raio-X, eletrocardiograma, monitorização cardíaca, vacinação, infusão de medicamentos, terapias, curativos e pequenos procedimentos.

A unidade tem capacidade estimada para mais de 4 mil atendimentos mensais e integra o plano de interiorização da cooperativa, ampliando o acesso à saúde de qualidade com mais eficiência e proximidade para os beneficiários da região Oeste.

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