Quem não viveu grandes guerras tende a romantizá-las como eventos estratégicos. Mas a guerra não é um jogo de xadrez. É colapso, ruptura institucional e sofrimento social. É a tentativa deliberada de exterminarmos a nós mesmos.
Depois que os demônios são libertados, fazê-los voltar à garrafa é tarefa quase impossível. A Segunda Guerra Mundial foi inicialmente estimada para durar quatro meses. Durou seis anos. Custou cerca de 60 milhões de vidas. Redesenhou fronteiras, destruiu economias e inaugurou uma era nuclear que ainda hoje nos ameaça.
Todas as partes entram convencidas de que estão com a razão. Mas não existe razão na guerra. Os efeitos colaterais são imensos e imprevisíveis, pois ninguém conhece todas as cartas que o outro lado tem na manga.
Em um mundo equipado com armas hipersônicas, inteligência artificial aplicada a sistemas militares, arsenais nucleares ativos e redes digitais integradas, o risco sistêmico é qualitativamente superior ao de 1939. A interdependência econômica é mais profunda. A vulnerabilidade global é maior.
Uma escalada mal calculada pode produzir:
• Choque energético global;
• Recessão coordenada;
• Radicalização política interna nos países envolvidos;
• E, no limite, um conflito de alcance verdadeiramente mundial.
A ilusão recorrente é acreditar que desta vez haverá controle. Que desta vez os limites serão respeitados. Que desta vez a racionalidade prevalecerá automaticamente.
A história não confirma esse otimismo.
— Com guerra, a história é outra.
Se ainda não aprendemos com os erros do passado, seguimos cometendo novos erros — e talvez não exista futuro suficiente para nos arrependermos.
— Oremos.
Comentários (0)