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A Planície Digital: Quando todas as vozes se equivalem, nenhuma voz importa. Por Fernando Rocha

Uma leitura de Richard Weaver para a era das redes sociais

Em 1948, Richard M. Weaver publicou “Ideias têm consequências” com uma tese que, lida hoje, soa quase profética: a crise do Ocidente moderno não é econômica nem tecnológica, mas a perda de uma hierarquia de valores capaz de distinguir o que merece ser ouvido do que deveria permanecer em silêncio. Weaver escrevia contra o relativismo filosófico de meados do século XX. Não poderia imaginar que, oito décadas depois, esse relativismo encontraria a sua encarnação mais acabada num dispositivo que cabe no bolso de qualquer pessoa.
O diagnóstico de Weaver era filosófico. A abolição dos universais, isto é, a ideia de que existem verdades transcendentes pelas quais os particulares podem ser medidos, produziu, segundo ele, uma civilização incapaz de hierarquizar. Se não há padrão objetivo, toda opinião se equivale a qualquer outra. A distinção entre o sábio e o ignorante, entre o especialista e o diletante, entre a análise cuidadosa e o palpite de bar se dissolve num igualitarismo epistêmico que nada tem de democrático: é, na verdade, a tirania do número sobre a competência.
As redes sociais realizaram esse pesadelo com uma eficiência que nenhum filósofo nominalista poderia ter previsto. Nas plataformas digitais, a autoridade epistêmica foi substituída pela métrica do engajamento. Um vídeo de trinta segundos gravado por alguém sem qualquer formação em epidemiologia pode alcançar, e frequentemente alcança, um público infinitamente maior do que o artigo revisado por pares de quem dedicou a vida inteira ao estudo de vírus. Não porque o vídeo seja verdadeiro, mas porque é emocionalmente eficaz. O algoritmo não distingue verdade de falsidade; distingue apenas o que retém atenção do que não retém. E a atenção, como qualquer publicitário sabe, é capturada pelo choque, pela indignação e pela simplificação, nunca pela nuance.
Weaver chamava isso de “igualitarismo sentimental”: a recusa em admitir que há pessoas mais qualificadas do que outras para opinar sobre determinados assuntos, não por algum privilégio de nascimento, mas pelo investimento real de tempo, estudo e disciplina intelectual. O médico que estudou doze anos para compreender o funcionamento do corpo humano não tem a mesma autoridade sobre doenças que o influenciador digital que leu dois artigos e assistiu a três podcasts. Dizer isso não é elitismo; é respeito elementar pelo esforço e pelo saber.
O problema é que a estrutura mesma das plataformas digitais milita contra essa distinção. No Twitter, no Instagram, no TikTok, todos os enunciados ocupam o mesmo espaço visual, têm o mesmo formato, são igualmente curtíveis e compartilháveis. A interface é democrática no sentido mais raso possível: iguala a forma e, ao fazê-lo, sugere igualdade de conteúdo. O parecer do jurista aparece na mesma timeline que o comentário do leigo indignado, e o leitor desatento, ou seja, a imensa maioria dos leitores, não tem instrumentos visuais para distinguir um do outro. A tipografia uniforme das redes sociais é a realização gráfica do nominalismo: tudo é particular, nada tem peso ontológico diferenciado.
Há um efeito perverso nesse nivelamento. Quando a opinião do especialista perde prestígio, o que ocupa o vácuo não é o silêncio reflexivo, mas o ruído. E o ruído, por definição, favorece quem fala mais alto, com mais frequência e com maior apelo emocional. A cultura digital não eliminou a hierarquia; substituiu a hierarquia do mérito pela hierarquia do alcance. O resultado é uma nova aristocracia, a aristocracia do influencer, cujo poder repousa não sobre o saber, mas sobre a capacidade de monetizar a atenção alheia. Weaver escreveu que a sociedade que rejeita toda autoridade legítima acaba submetida a autoridades ilegítimas. É difícil encontrar descrição mais precisa do ecossistema informacional em que vivemos.
Isso tem consequências práticas gravíssimas, muito além do debate abstrato. Na pandemia, a equivalência entre a opinião do virologista e a do comentarista de YouTube custou vidas. No debate sobre vacinas, a retórica emocional do medo superou décadas de evidência científica acumulada. Na discussão sobre mudanças climáticas, a dúvida manufaturada por interesses econômicos foi amplificada por plataformas desenhadas para maximizar o engajamento, não a verdade. Em cada um desses casos, o padrão é o mesmo: a recusa em reconhecer que há vozes mais qualificadas do que outras produz não a emancipação do cidadão comum, mas a sua manipulação por quem domina as ferramentas de persuasão digital.
Não se trata, evidentemente, de propor que apenas especialistas possam falar. A liberdade de expressão é um valor fundamental, e a crítica ao saber estabelecido é parte constitutiva do próprio método científico. O que Weaver nos ajuda a compreender é algo diferente e mais sutil: que a liberdade de falar não implica a equivalência entre todas as falas. Todos podem e devem poder se expressar; mas uma civilização saudável precisa ser capaz de distinguir, entre as vozes que se expressam, quais merecem mais atenção, mais peso, mais deferência, e quais devem ser ouvidas com a cautela proporcional à sua falta de lastro.
Recuperar essa capacidade de distinção é, talvez, o desafio cultural mais urgente da era digital. Isso passa por educação, certamente, por ensinar desde cedo a diferença entre opinião e conhecimento, entre correlação e causalidade, entre retórica e argumento. Mas passa também por uma reforma mais profunda, que Weaver chamaria de metafísica: a disposição de aceitar que nem tudo se equivale, que há coisas mais verdadeiras que outras, que a realidade não é uma construção arbitrária e que dizer “eu acho” não tem o mesmo peso que dizer “a evidência demonstra”.
As ideias, como Weaver nos advertiu, têm consequências. A ideia de que todas as opiniões valem igualmente, essa ficção generosa e perigosa, produziu um mundo em que o charlatão e o cientista competem em pé de igualdade pela atenção pública, e o charlatão frequentemente vence. Se quisermos sair dessa planície nivelada, será preciso ter a coragem intelectual de reafirmar o que deveria ser óbvio: que saber mais importa, que o estudo tem valor, que a hierarquia do conhecimento não é uma relíquia autoritária, mas a condição mesma de qualquer conversa civilizada.

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Flávio Rocha pode levar ao Senado a mesma capacidade que elevou a indústria e o varejo do RN. Por Aragão.

Flávio Rocha já provou sua capacidade nas áreas do varejo, indústria e shopping centers — mas chegou a hora de ampliar o desafio para o Congresso Nacional.

O RN não pode abrir mão do conhecimento, do network e da habilidade de um dos maiores líderes empresariais do nosso tempo. Isso é inegável. Porque não adianta somente suar a camisa; é preciso saber fazer.

Está mais do que na hora de Flávio Rocha começar a costurar as partes desse tecido político para viabilizar sua candidatura ao Senado nas próximas eleições.

Com o apoio de Romeu Zema, possível candidato a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, a candidatura ao Senado começa a ganhar forma.

Foi Zema quem convidou Flávio Rocha para se filiar ao NOVO. E a pré-candidatura do empresário, que tem história no RN, pode estar nos ajustes finais para trazer um projeto político sob medida para o nosso estado.

Rogério Marinho certamente já percebe que Flávio Rocha é um ativo que pode fazer a diferença para fortalecer o time da direita — tanto no período eleitoral quanto no pós-eleições.

As próximas eleições não serão nada fáceis, e será o espírito agregador, unindo nossos melhores talentos, que permitirá melhorar nossa representatividade no Congresso.

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Alunos de Medicina do UNI-RN vivenciam a prática profissional desde o primeiro período.

Nos laboratórios do UNI-RN, os alunos utilizam bonecos de simulação, peças anatômicas humanas e participam de práticas realísticas, com cenários que reproduzem atendimentos reais, desenvolvendo habilidades clínicas de forma segura.

UNI-RN abre inscrições para vestibular de Medicina; saiba como participar.

O Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN) está com inscrições abertas para o vestibular do curso de Medicina para ingresso no segundo semestre de 2026. Os candidatos podem se inscrever com a nota do Enem até as 18h do dia 27 de abril, utilizando os resultados das edições entre 2020 e 2025. Para concorrer à vaga por meio do vestibular, as inscrições estão abertas até as 18h do dia 12 de maio.

As inscrições acontecem por meio do site http://econ.rio.br/unirn. Ao todo, são disponibilizadas 60 vagas, sendo 30 para os que optarem pelo aproveitamento das notas do Enem e 30 para os que realizarem a prova do vestibular, que acontecerá no dia 16 de maio.

Para esclarecimento de dúvidas, os candidatos devem ler o Edital, publicado no site do UNI-RN. Outras informações também podem ser obtidas pelos canais de atendimento via WhatsApp, no número (84) 3215-2917, ou presencialmente no campus, no bairro de Tirol.

Sobre o curso de Medicina do UNI-RN

O curso de Medicina do UNI-RN possui nota máxima (5) no Conceito de Curso, avaliado pelo MEC. A nota reflete a excelência do projeto pedagógico, que utiliza metodologias ativas, como PBL, para a aplicação prática da profissão desde o primeiro período.

O UNI-RN conta com um hospital simulado, laboratórios bem equipados, unidade morfofuncional, museu de anatomia e parcerias com os municípios da região metropolitana de Natal, que permitem a inserção dos alunos no campo de estágio.

O curso é autorizado pelo Ministério da Educação por meio da Portaria SERES/MEC nº 476, de 18/07/2025, publicada no D.O.U. de 21/07/2025.

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Boa notícia para setor de energia solar: Projeto de Lei propõe acabar com o Fio B.

Uma boa notícia para quem investe em energia solar: começou a tramitar no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1.438/2026, que propõe o fim da cobrança pelo uso da rede elétrica — o chamado Fio B — sobre a energia excedente gerada e injetada na distribuição.  

— O governador do Piauí, Rafael Fonteles, articulou pessoalmente o Projeto de Lei, disse m entrevista: “Ninguém paga mais nada!”.

Na prática, o PL altera a Lei nº 14.300/2022, responsável pelo Marco Legal da Geração Distribuída (GD), que atualmente impõe o pagamento escalonado do uso da rede para consumidores com sistemas de geração solar.  

De autoria do deputado Francisco Costa (PT), com apoio dos 10 deputados federais do Piauí, a proposta busca eliminar totalmente esse encargo sobre a energia excedente. Segundo o texto, há uma desigualdade entre os consumidores: apenas quem protocolou seu pedido até janeiro de 2023 manteve a isenção das tarifas.  

O projeto prevê que toda a energia injetada na rede volte a ser convertida em créditos integrais, sem descontos, retomando as regras vigentes antes do Marco Legal da GD. Entre os principais pontos estão:  

 – Revogação completa das cobranças associadas ao Fio B.  

 – Fim definitivo da taxa sobre a energia compensada.  

 – Efeito retroativo, com devolução dos valores já pagos.  

Antes de chegar ao Plenário, o texto ainda passará pelas comissões temáticas do Congresso Nacional. A expectativa é de forte resistência por parte das concessionárias de energia, enquanto consumidores e entidades do setor devem se mobilizar para pressionar os parlamentares a apoiar a proposta — que pode beneficiar milhões de brasileiros que apostaram na geração solar.  

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E se o Brasil entrasse em guerra? Do bunker do STF até explosões de licitações. Por Aragão.

O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (10), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não faria ameaças ao Brasil se soubesse que ele é pernambucano. — Com esse humor belicoso, Trump deve estar achando que Lula é cearense.

Acredito que, se o Brasil entrasse em guerra, veríamos um exército de lobistas atirando para todo lado, marchando para o poder público com o objetivo de explodir o orçamento em milhares de emendas. Trincheiras de partidos fisiologistas se preparando para uma ofensiva nunca vista.

— Vorcaros se alistariam?

Teríamos licitações às pressas, aprovadas em caráter de urgência. — O Consórcio Nordeste comprando armamentos de fornecedores duvidosos.

Receberíamos um regimento de Cuba no programa Mais Soldados.

Quantos Ciros Nogueira e Ruedas seriam flagrados estourando champanhe em jatinhos da indústria armamentista?

Batalhões da militância da direita questionando a qualidade das armas chinesas e regimentos da esquerda ironizando o armamento americano.

Certamente, os ministros do STF criariam um bunker especial para realizar as sessões plenárias.

Em função da guerra, o Banco Central subiria ainda mais os juros para conter a inflação.

O STF daria 24 horas para o Exército explicar por que compramos as armas?

Tudo terminaria com uma tentativa de instalar uma CPI da Guerra, que já nasceria morta, vítima dos estilhaços da corrupção e do fogo amigo.

— Omi, deixe de guerra!

Brincadeiras à parte, todos sabemos que, no Brasil, já existem muitas guerras internas a vencer antes de sequer cogitarmos o pesadelo de um conflito internacional. Estamos em guerra contra a fome, contra a miséria, contra as drogas, contra o desemprego, contra os juros abusivos, contra o analfabetismo e tantas outras batalhas do dia a dia que nunca vencemos.

Temos inúmeras baixas de brasileiros tombando diariamente. Só no trânsito, morrem mais de 40 mil pessoas por ano.

— Nada de novo no front.

Não precisamos — nem podemos — de guerras novas. Temos que reverter essa situação de terra arrasada e experimentar, ao menos uma vez, viver em paz.

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Prefeitura de Natal inicia processo para implantação de Hospital Veterinário.

A Prefeitura de Natal iniciou os preparativos para a implantação de um novo hospital veterinário público na Zona Norte da cidade, ampliando a rede de atendimento e as ações de bem-estar animal na capital. Para conduzir o processo, foi instituída uma comissão multissetorial formada por cinco servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), reunindo diferentes áreas técnicas e administrativas.

O grupo será responsável pela elaboração do edital de chamamento público que vai selecionar a Organização da Sociedade Civil (OSC) encarregada da gestão da unidade. Durante reunião preparatória, a comissão discutiu aspectos relacionados ao funcionamento do futuro equipamento, como a oferta de serviços, o dimensionamento da equipe profissional, o fornecimento de medicamentos e a estrutura física necessária.

O secretário da Semurb, Thiago Mesquita, explicou que o novo hospital contará com atendimento 24 horas, ampliando o atendimento atualmente oferecido pelo Hospital Veterinário da Ribeira, que opera em horário reduzido. “A proposta é garantir atendimento imediato a animais em situações de urgência e emergência, fortalecendo a política pública de proteção e bem-estar animal”, afirmou.

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A Via Costeira, a ABIH e o TCE. Por Aragão.

O recente posicionamento oficial da ABIH-RN traz lucidez ao debate sobre a Via Costeira ao afirmar que a entidade “não defende a manutenção de áreas ociosas” e que é “indispensável garantir o cumprimento integral da legislação”. Isso inclui, inclusive, a aplicação de sanções como a “perda compulsória do direito de concessão”.

Neste ponto, o setor produtivo e os órgãos de controle, como o TCE-RN, parecem falar a mesma língua. 

Se a própria ABIH defende sanções para quem descumpre contratos, a medida cautelar que suspendeu as concessões, certamente, não deve estar sendo lida como um “ataque” à segurança jurídica, mas sim como o remédio amargo e necessário para sanar décadas de inércia. 

Devemos concordar que a insegurança real não reside na fiscalização da lei, mas na manutenção de contratos que se arrastam desde os anos 80 sem que um único tijolo tenha sido erguido. Como bem pontuou o auditor do TCE-RN — a intenção é justamente “repor a segurança jurídica”, garantindo critérios claros para o uso de áreas que estão obsoletas há 40 anos. 

A ABIH acerta ao pedir que o debate saia do campo da simplificação. De fato, o cenário é complexo: de um lado, temos o potencial de mais de 1 bilhão em investimentos represados; do outro, o fato de que as atuais concessionárias, segundo a auditoria, algumas sequer possuem capacidade econômico-financeira para executar as obras. Atribuir essa paralisia apenas a “insegurança regulatória” após quatro décadas seria usar essa simplificação como ferramenta retórica.

O ponto de convergência que deve unir todos os atores é a defesa de novas licitações. Como a ABIH defende a “expansão da atividade turística” e o “fortalecimento da cadeia produtiva”, acredito que deve ser a maior interessada em ver esses terrenos ocupados por investidores que possuam o capital e a vontade de realizar o que outros não fizeram em quase meio século. 

Natal não pode mais se dar ao luxo de perder centenas de milhões por ano em movimentação econômica por pura inércia contratual. 

Penso que, após tantas perguntas e respostas sobre o tema, todos nós realmente buscamos o mesmo objetivo: um turismo mais forte que possibilite o desenvolvimento do nosso Estado. 

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Abertura da FEMPTUR reúne lideranças; Álvaro Dias e Babá marcam presença ao lado de Paulinho e Joana.

O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, participou na sexta-feira (10) da abertura da 12ª edição da FEMPTUR, evento que transformou o Centro de Convenções de Natal em vitrine do turismo potiguar.


Ao lado do pré-candidato a vice Babá Pereira e do prefeito e vice de Natal, Paulinho Freire e Joana Guerra, Álvaro caminhou pelos estandes, conversou com expositores e acompanhou de perto as iniciativas voltadas à valorização dos destinos regionais.


A feira, que reúne representantes de municípios de todas as regiões do Rio Grande do Norte, destacou o potencial de cada localidade e abriu espaço para novos negócios e parcerias.

Além de prestigiar as atividades, Álvaro aproveitou o momento para dialogar com lideranças políticas e reforçar contato com gestores municipais

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Eu votei em Lula (Parte 2). Por Luís Marcelo Cavalcanti.

Dizem que o segundo casamento é a vitória da esperança sobre a experiência (autoria atribuída ao escritor inglês Samuel Johnson). Achei por bem não arriscar, nem com Lula nem com o PT. Me afastei por completo da moribunda esquerda brasileira desde o final do mandato LULA 1.

Vi, lembrando Chico Buarque, um abismo entre intenção e gesto (Fado Tropical). Só Chico não viu…

Não pretendo convencer ninguém de que fiz a escolha certa. É inútil. Num país raivosamente fraturado e binário, qualquer demonstração empírica sucumbe à crença na própria narrativa. Numa frase da liturgia da missa católica: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa igreja.”

E antes que tentem me colar algum estereótipo ou estigma, já deixo claro que não acredito em salvador da pátria. A reconstrução do Brasil não é obra de um homem só. É um processo coletivo que começa com a autocrítica de cada cidadão e eleitor. Para depois pensar num movimento que depura de baixo pra cima: começando pela forma como elegemos nossos vereadores, até chegar à presidência.

Não posso cobrar dos alienados de Brasília, se não sou capaz de respeitar o sinal vermelho, a faixa de pedestres, a vaga de idoso. Não posso criticar o deputado que se vende, se ofereço um “agrado” ao policial que me para no bafômetro. Não posso cobrar decência dos meus representantes, se troco meu voto por emprego pra família.

Para além disso, é preciso reinventar a própria forma federativa e a esdrúxula existência de quase 5.600 municípios, quase metade deles com menos de 10.000 habitantes, cuja estrutura administrativa, cera, dependente e ineficiente, serve muito mais aos que dela se locupletam do que à população.

Tudo isso reclama, inevitavelmente, uma nova Constituição.

Igualmente, precisamos mudar a forma como montamos a cúpula dos poderes e órgãos que têm relevante poder de decisão. Não podemos manter esse sistema que premia o amigo do rei, e que, na dura e feliz constatação de Samer Agi, entrega os melhores lugares aos piores de nós. Peço a Deus, em nome dos brasileiros, que um dia essa lógica se inverta.

Ah, não aceito o rótulo de bolsominion. No máximo, bolsomenos. E lulamenos ainda.

Luís Marcelo Cavalcanti é Advogado e Procurador do Estado.

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Será que sou esquerdista? Será que sou direitista? Será que sou oportunista? Será? Por Aragão.

O pau que rola na internet é a recente entrevista do pré-candidato ao governo do RN Allyson Bezerra na Band. Ele simplesmente não se posicionou quando confrontado com a trivial pergunta da jornalista Anna Ruth: — Quem ele apoia para presidente? Só faltou se levantar e fazer o passinho do João Inácio Jr que se tornou tão conhecido pelo meme que viralizou na internet. Allyson ficou sentado mas fez um contorcionismo com os argumentos, esticou as idéias mas não assumiu ser de direita nem de esquerda.

— Será que sou oportunista? Será?

Em cima do muro é um lugar tão pequeno que não caberia mesmo um governador. Não defendo em hipótese alguma a hiper polarização mas a clareza de posição e de propósitos. Essa tentativa de ficar se equilibrando a todo instante em cima de um estreito muro ideológico transmite, no mínimo, falta de convicção. E sabemos que não se pode agradar a dois reis ao mesmo tempo.

Quem permanece ali por muito tempo não demonstra moderação, mas cálculo. Não revela prudência, mas o eterno receio de se expor, medo de assumir posição. E, ao tentar manter-se acima do conflito, acaba se afastando daquilo que legitima a política: a clareza de propósito.

— Será que o povo perde? Será?

Quem pode terminar pagando caro é o povo. Lembremos o caso da construção do Hospital Infantil de Mossoró que foi embargado pela Prefeitura de Mossoró por um detalhe numa calha. Será que o embargo foi motivado pela verba ter sido encaminhada pelo Senador Styvenson — um não aliado político? Será que milhares de crianças ficaram sem atendimento por pura politicagem? Será que a motivação do embargo foi oportunismo político?

— Será que sou esquerdista? Será?

Particularmente, acho que o Allyson Bezerra dá muitas pistas que pode ser esquerdista. Sua senadora, Zenaide Maia, é de esquerda. O vice governador de Fátima Bezerra, Walter Alves é seu aliado. Seu partido, União Brasil votou alinhado com Lula na maioria das vezes mesmo após ter desembarcado da base governista.

— Se o Allyson Bezerra é realmente um oportunista político, só tempo dirá. A verdade sempre aparece.

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Vale do Pará amplia atuação com 11 lojas e ganha espaço entre grandes redes ao apostar no conhecimento do mercado local

Disputando espaço com redes como Ferreira Costa, Leroy Merlin e Carajás Home Center, o Vale construiu outro tipo de força — a força de ser potiguar e entender o mercado local. O Vale do Pará não se limitou a atender o cliente local — decidiu entendê-lo.

Não se trata apenas de ter orgulho em ser potiguar — é mais que isso — é transformar esse pertencimento em estratégia. Utilizar o conhecimento da própria gente para oferecer produtos e serviços ajustados à realidade do consumidor local.

Essa lógica aparece em tudo: na escolha dos pontos, no mix de produtos, na organização das gôndolas, nas promoções e na comunicação — tudo com aderência ao cotidiano de quem vive aqui.

— Soube falar com o consumidor local. E principalmente, ouvir.

Enquanto muitos operam com modelos padronizados, o Vale cresceu entendendo a realidade local. Ofereceu produtos compatíveis com o que o potiguar precisa. Ajustou preço ao bolso real de quem constrói, reforma e amplia aos poucos. E, talvez mais importante, manteve um atendimento que fala a mesma língua de quem está do outro lado do balcão.

Isso não é detalhe. É estratégia.

Com quase 50 anos de presença e 11 lojas espalhadas em natal e Grande Natal, o grupo construiu escala sem perder identidade. E agora dá um passo além.

Hoje, além da força tradicional, o Vale do Pará avança também em segmentos mais exigentes, com presença relevante na venda de pisos e porcelanatos premium e atuação consolidada em marcas como Brasilit, Suvinil, Elizabeth, Eliane e Deca.

Esse case serve de inspiração para outros segmentos que concorrem com players com escala nacional.  Ouvir o consumidor e oferecer soluções personalizadas gera muito mais resultados por tocar o coração, a mente e o bolso do consumidor.

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