— Diga-me quem tu segues e te direi quem tu és.
Jogadores de futebol, pagodeiros e garotas do TikTok merecem seu lugar ao sol. Todos têm direito aos seus 15 minutos de fama. O problema surge quando uma nação não olha para mais nada e segue hipnotizada por astros sem brilho.
Talvez não pudesse ser diferente em um país onde cerca de 30% da população é formada por analfabetos funcionais, pessoas com limitações para compreender textos mais complexos ou interpretar informações além do óbvio.
Somos um povo que vive suas vitórias pelo futebol, aprende história pelo cinema, entende política pelos memes, “investe” seu dinheiro nas bets e esquece os próprios problemas acompanhando as novelas da vida irreal das celebridades digitais.
Sem o sol da educação para servir de guia, muitos brasileiros seguem o brilho dos LEDs dos smartphones como se fossem uma luz no fim do túnel.
— Túnel de pombos.
O escritor John le Carré criou essa metáfora ao contar a história de pombos que eram soltos por um corredor estreito e, ao saírem do outro lado, encontravam atiradores à espera.
— Talvez o nosso túnel seja digital.
Quem espera nossa gente do outro lado do túnel dos algoritmos é a política e a economia. Mirando narrativas em mentes já entorpecidas pela dopamina barata de dancinhas, fofocas ou vieses de confirmação devidamente confirmados.
Quando tivermos ídolos que nos ensinem a pensar, em vez de dançar, talvez o povo deixe de entrar no túnel de pombos.

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