Ao financiar espetáculos e anestesiar a população, cria-se uma cortina de fumaça — feita de gelo seco — que faz o mossoroense, literalmente, “tirar o pé do chão”.
Segundo o Painel Festejos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), os municípios potiguares gastaram mais de R$ 192 milhões com contratações de artistas e bandas apenas em 2025 — uma cifra que escancara a permanência do velho modelo de governar com “pão e circo”.
— Não é assim que a banda toca.
No topo da lista, Mossoró lidera os gastos: R$ 25,7 milhões em shows. A prefeitura defende o investimento amparada no impacto econômico do Mossoró Cidade Junina, que teria movimentado mais de R$ 360 milhões na economia local. Mas quem realmente lucra com a festa? — a população ou os grandes cachês?
— Mossoró Cidade Junina? Ótimo.
— Mas cadê “Mossoró Cidade Saúde” e “Mossoró Cidade Educação”?
Vejamos o seguinte exemplo: na segunda-feira passada (22), agentes comunitários de saúde e de endemias de Mossoró realizaram um protesto contra o prefeito Allyson Bezerra, que foi chamado de “caloteiro” pelos manifestantes.
De acordo com matéria do Jornal de Fato, o Incentivo Financeiro Adicional (IFA) está sendo repassado à Prefeitura de Mossoró pelo Governo Federal, mas o prefeito se recusa a fazer o repasse aos profissionais que atuam no suporte à saúde e no combate às endemias.
“Estamos cobrando do prefeito Allyson Bezerra uma promessa feita por ele mesmo. Esse pagamento deveria ser feito uma vez ao ano desde 2023”, destaca o agente comunitário de saúde (ACS) Gilberto Pedro.
Outro exemplo é que, há poucos meses, houve relatos de UPAs com equipamentos lacrados por falta de pagamento. Enfim, exemplos não faltam.
Na cultura política potiguar, a lógica do “entretenimento que rende voto” segue viva. Festas se tornam vitrines eleitorais, e o brilho do palco ofusca a precariedade do dia a dia.
Um dos gargalos da administração de Allyson Bezerra é a forma de investir os recursos públicos. Como ser a cidade do RN que mais investiu em festas tendo tantas outras prioridades?
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