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Caos no Pólo Industrial de Macaíba.

Como nosso Pólo Industrial pode prosperar? Falta o mínimo para as indústrias poderem operar. Uma rua transitável para os funcionários terem acesso é pedir muito?

Um caminhão tombado no meio da via.
Água tomando completamente a estrada.
Operações interrompidas.

Chuva é previsível.
O que não deveria ser previsível — mas no Rio Grande do Norte insiste em ser — é a incapacidade do Estado de garantir o mínimo: infraestrutura funcional em áreas estratégicas da economia.

— Empresários do Pólo criticam a Prefeitura de Macaíba, o Governo do Estado, o Ministério Público e o Idema.

Há relatos — recorrentes — de que obras necessárias enfrentam entraves ambientais e burocráticos. Se isso procede, estamos diante de um conflito clássico: o Estado que deveria viabilizar soluções passa a bloqueá-las.

O episódio de hoje não é um evento isolado. É sintoma de um modelo que combina burocracia, lentidão e falta de coordenação — e que, no fim, penaliza exatamente quem sustenta a economia real. Além desse caos das chuvas, ainda tem as faltas de energia recorrentes na região. Tema de outro artigo publicado recentemente em nosso blog.

No Rio Grande do Norte, produzir já é difícil. Agora, no Pólo Industrial de Macaíba, é quase impossível.

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Recanto Cultural: Casa Durval Paiva recebe exposição de Dulci Cunha e promove oficina com pacientes

A Casa Durval Paiva dá continuidade às ações do projeto Recanto Cultural com a edição do mês de abril, que traz a artista Dulci Cunha como destaque. A exposição, que segue até 30 de abril, apresenta obras produzidas em aquarela, técnica que marca a sensibilidade e a delicadeza do trabalho da artista.

Como parte da programação, Dulci também conduzirá uma oficina artística com os pacientes acolhidos pela instituição, proporcionando um momento de aprendizado, expressão e troca de experiências por meio da arte.
Autodidata e fisioterapeuta de formação, Dulci Cunha é residente em Natal e teve seu interesse pela pintura despertado ainda na infância, influenciada pelas obras de seu avô. Ao longo de sua trajetória, buscou aprimoramento por meio de cursos no Atelier do NAC/UFRN e aulas com artistas como Carolina Spina. Desde 2022, integra o Grupo Universitário de Artes Plásticas (GUAP/UFRN) e tem participado de exposições coletivas e oficinas. Atualmente, também atua como professora de pintura na Casa Séfora.

O Recanto Cultural tem como objetivo promover a inclusão sociocultural dos pacientes da Casa Durval Paiva, utilizando a arte como ferramenta de estímulo à criatividade, expressão de sentimentos e fortalecimento emocional. A iniciativa contribui para o desenvolvimento de talentos e potencialidades, colaborando com o processo de cuidado e bem-estar durante o tratamento.

Mais informações sobre os projetos e ações da Casa Durval Paiva podem ser acessadas pelas redes sociais (@casadurvalpaiva) ou pelo www.casadurvalpaiva.org.br.

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Natal tem chuva acima da média histórica e Prefeitura alinha ações para reduzir impactos

Diante do grande volume de chuvas que atingem a capital desde a madrugada, o Município reuniu, nesta sexta-feira (24), representantes das principais secretarias para alinhar medidas de resposta e reduzir impactos na cidade. O encontro do gabinete de crise teve como foco a atuação integrada dos órgãos municipais no enfrentamento da situação.

Dados da estação A304 do INMET apontam que, entre 1º e 24 de abril de 2026, foram acumulados 375,8 mm de chuva, acima da média histórica de 141 mm para o mesmo período, considerando a série entre 2003 e 2025. O cenário reflete um padrão atípico, com registros elevados em diferentes áreas do Nordeste.

O prefeito Paulinho Freire afirmou que o Município mantém monitoramento contínuo da situação e atuação conjunta entre as equipes. “Estamos acompanhando os dados de forma permanente. Todas as secretarias estão mobilizadas e trabalhando de maneira integrada para reduzir os impactos das chuvas e garantir o atendimento à população”, disse.

De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes), nas últimas 24 horas, em algumas estações de monitoramento, foram registrados mais de 120 mm de chuva em alguns pontos de Natal. As informações são dos pluviômetros automáticos da rede SEMURB/GEOMA, com dados atualizados até as 10h desta sexta-feira (24). A Defesa Civil mantém monitoramento contínuo das condições meteorológicas e dos volumes pluviométricos, com acompanhamento sistemático das áreas mais sensíveis.

Durante a reunião, a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, informou que equipes atuam na desobstrução da rede de drenagem com o uso de caminhões de hidrojato e sucção. Segundo ela, as ações preventivas realizadas nas lagoas de captação contribuíram para evitar um cenário mais crítico. De acordo com a secretária, equipes de monitoramento estão acompanhando a situação das 82 lagoas de captação. As equipes da Urbana também seguem com a limpeza de vias públicas.

A Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) realiza o acompanhamento das vias por meio de agentes em campo e monitoramento por videomonitoramento, com atualização constante das condições de tráfego. As vias afetadas por alagamentos são classificadas como transitáveis ou intransitáveis, com orientação à população sobre rotas alternativas quando necessário.

A Prefeitura orienta que a população acompanhe os canais oficiais para atualizações sobre as condições das vias e previsões meteorológicas. Em caso de ocorrências, a recomendação é acionar os serviços municipais disponíveis.

A assistente virtual Estela está disponível para receber chamados de forma rápida e prática. Pelo WhatsApp, é possível registrar ocorrências relacionadas a risco de alagamento, ameaça de deslizamento e áreas de vulnerabilidade. O contato é (84) 3232-4900.

Outros contatos de emergência:

Defesa Civil: 190
STTU: 156 (ocorrências de trânsito)
Corpo de Bombeiros: 193

As equipes seguem mobilizadas, com monitoramento contínuo e atuação integrada para responder às demandas e reduzir os impactos provocados pelas chuvas.

Crédito: Foto: Demis Roussos | Secom/Natal

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Unimed Natal amplia área do pronto-socorro adulto para agilizar atendimentos em período de alta demanda.

Diante do aumento de casos de viroses e da superlotação observada em hospitais de todo o país, cooperativa expande área azul e reorganiza fluxo para dar mais agilidade e conforto aos pacientes.

Em meio ao aumento sazonal de viroses respiratórias e à alta procura por atendimentos de urgência em todo o Brasil, a Unimed Natal anuncia a ampliação da área azul do pronto-socorro adulto do Hospital Unimed. A iniciativa busca otimizar o fluxo assistencial, reduzir o tempo de espera e garantir mais conforto aos pacientes.

A área azul, destinada a pacientes que necessitam de medicação e observação, já havia passado por expansão anteriormente e agora recebe uma nova ampliação. O espaço passa a contar com uma área de retaguarda voltada para pacientes que já concluíram a fase de medicação e aguardam resultados de exames laboratoriais ou de imagem.

Com essa reorganização, esses pacientes são direcionados para um ambiente reservado, mais confortável, com estrutura adequada para espera, incluindo sistema de chamada nominal. A medida evita a ocupação prolongada das poltronas destinadas à administração de medicamentos, permitindo maior rotatividade e garantindo que novos pacientes em necessidade de atendimento possam ser acolhidos com mais agilidade.

Outro avanço importante é a implantação de um consultório médico dentro dessa área ampliada. Com isso, pacientes em fase final de atendimento podem ser avaliados e liberados no próprio local, sem a necessidade de retornar à porta de entrada do pronto-socorro, tornando o fluxo mais eficiente.

De acordo com o diretor-presidente da cooperativa, Dr. Márcio Rêgo, a medida é uma ação alinhada ao cenário atual da assistência em saúde. “Estamos vivenciando um período de alta demanda em todo o país, com unidades de saúde operando acima da capacidade. A ampliação da área azul é uma ação concreta para melhorar o fluxo interno, reduzir o tempo de permanência dos pacientes e garantir um atendimento mais organizado e seguro”, afirma.

A Unimed Natal reforça ainda a importância do uso consciente dos serviços de urgência e emergência. Em casos de sintomas leves, como quadros gripais sem sinais de gravidade, os beneficiários podem utilizar o serviço de Médico Online 24h, disponível no aplicativo da cooperativa. A teleconsulta permite atendimento ágil, seguro e sem deslocamento, contribuindo para desafogar o pronto-socorro e direcionar os casos mais graves para atendimento presencial.

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Nina sai em defesa de Álvaro e aponta retenção de recursos federais como entrave a obras em Natal

 

A vereadora Nina Souza (PL), que se coloca como pré-candidata à Câmara Federal em 2026, usou uma entrevista ao canal BNews Natal, no YouTube, para sustentar a narrativa de que parte das obras iniciadas na gestão do ex-prefeito Álvaro Dias não avançou por falta de repasses federais.

Ao tratar da composição política do PL para o próximo ciclo eleitoral, Nina buscou reposicionar o legado administrativo de Álvaro, confrontando críticas recorrentes sobre obras inacabadas. Segundo ela, há uma omissão deliberada por parte de adversários ao não contextualizar a origem do problema.

“Ficam fazendo filmagem na frente das obras, dizem que elas estão inacabadas, mas não dizem que esses recursos estão sendo segurados pelo governo federal”, afirmou.

A vereadora também recorreu ao contexto da pandemia para reforçar a imagem de gestão sob pressão. Na leitura dela, o período impôs limitações adicionais, mas também evidenciou protagonismo direto do então prefeito na condução da crise sanitária.

“Álvaro enfrentou um momento muito difícil. Pegou Natal estagnada, com um Plano Diretor que afugentava o empreendedorismo daqui. Além disso, veio uma pandemia, e ele foi o grande líder nesse processo. A gente não via a governadora em campo nenhum naquela época, mas via Álvaro dentro dos hospitais, até atuando como médico”, declarou.

Ao abordar especificamente as obras não concluídas, Nina voltou a atribuir o problema à dependência de recursos externos — especialmente verbas federais e emendas parlamentares que, segundo ela, não teriam sido liberadas.

Nesse ponto, ela citou a estratégia adotada pela atual gestão municipal como uma espécie de solução emergencial para destravar intervenções paralisadas.

“O prefeito Paulinho conseguiu financiamento, vai terminar essas obras com dinheiro de refinanciamento. Olha só o que é represar esses recursos”, disse.

Na avaliação política, Nina argumenta que Álvaro Dias reúne atributos administrativos e experiência acumulada para disputar o Governo do Estado, ressaltando sua trajetória em diferentes cargos eletivos.

“Ele tem essa força de trabalho, essa capacidade. Chegar a ser eleito governador é uma coisa muito importante”, afirmou.

Por fim, a vereadora amplia o raciocínio para além da disputa local e defende uma lógica de alinhamento político como condição prática de governabilidade.

“A situação do Estado é tão ruim que esse voto precisa ser casado. O governador só vai ter condição de poder atingir alguma coisa se tiver apoio do governo federal e da sua bancada”, concluiu.

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Cristiane Dantas apresenta novos projetos de lei voltados à saúde

A deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB) apresentou nesta semana quatro novos projetos de lei para tramitar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, todos voltados à saúde, de forma segmentada. As matérias passarão inicialmente pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça.

O primeiro deles é voltado à promoção da saúde auditiva dos profissionais da segurança pública. De acordo com a matéria, PL nº 152/2026, a finalidade é prevenir danos e perdas auditivas, preservar a saúde ocupacional e melhorar a qualidade de vida dos agentes de segurança, para isso prevê que seja incentivada a realização de avaliações auditivas e exames audiométricos periódicos, integrados aos calendários de saúde ocupacional de cada corporação, onde a rede pública de saúde possa garantir o acesso ao diagnóstico especializado e reabilitação quando necessário.

“A natureza da atividade policial e de salvamento expõe esses profissionais, diariamente, a níveis de ruído extremamente elevados e críticos. Então nosso intuito é o de proteger, não apenas, a saúde física do servidor, mas também garantir a eficiência do serviço público. Um profissional de segurança com audição comprometida pode ter sua percepção de campo reduzida, colocar em risco a própria vida e a de terceiros em operações táticas”, justifica a autora.

Na segunda matéria, a deputada Cristiane pretende instituir a Política Estadual de Prescrição Médica Inclusiva, para facilitar a compreensão adequada dos receituários médicos por pacientes com dificuldades de leitura ou interpretação, especialmente pessoas analfabetas, semianalfabetas, idosas ou com limitações cognitivas. Segundo prevê o PL nº 153/2026, a iniciativa pretende que os profissionais médicos adotem recursos visuais complementares nas prescrições médicas, tais como símbolos, ícones ou desenhos.

Na terceira proposição, o projeto de lei nº 174/2026, quer instituir a Política Estadual de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente com Diabetes Mellitus Tipo 1 no Estado do Rio Grande do Norte e garante o acesso a tecnologias de monitoramento glicêmico contínuo.

O projeto determina o acesso a insumos modernos, incluindo insulinas análogas de ação ultrarrápida e prolongada; além da garantia de acesso a sistemas de monitoramento contínuo de glicose (sensores), conforme indicação do médico assistente, priorizando crianças e adolescentes com hipoglicemias inadvertidas ou descontrole glicêmico severo.

Já a quarta matéria, PL nº 176/2026, institui a Política Estadual de Proteção e Segurança dos Profissionais de Saúde no exercício de suas funções e estabelece diretrizes para a prevenção de atos de violência nas unidades de saúde do Estado. Segundo a matéria, as unidades de saúde deverão manter vigilância presencial e contínua e até videomonitoramento.

“É direito fundamental do profissional de saúde exercer sua atividade em
ambiente que assegure sua integridade física e mental, sendo dever dos gestores a adoção de protocolos de segurança ativa e preventiva”, ressalta a deputada.

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Se houver união, os três podem ganhar. Por Aragão.

A pesquisa realizada pelo instituto Data Census, em parceria com o site RN News, mostra a disputa para o Senado Federal considerando o 1° + 2° voto consolidado. O senador Styvenson Valentim lidera com 36,1%, seguido pela senadora Zenaide Maia, com 31,5%. Em seguida aparecem Samanda Alves, com 8,5%; Rafael Motta, com 7,6%; Coronel Hélio, com 7,4%; Jean Paul, com 5,1%; Sandro Pimentel, com 2,8%; e Babá Pereira, com 1,1%.

Hoje, o que se vê é um sistema com dois nomes fortes e um conjunto fragmentado, o que torna muito difícil mudar essa lógica. Sem um fator de ruptura, o resultado tende a permanecer. — É aí que Flávio Rocha pode mudar o jogo.

Ao contrário de candidaturas tradicionais, Flávio Rocha não operaria apenas dentro de um nicho ideológico. Seu perfil empresarial, discurso liberal e trânsito em diferentes segmentos sociais tornam possível atrair votos além da direita. Trata-se de redistribuir votos — especialmente no eleitorado que hoje orbita mais próximo de Zenaide Maia do que de Styvenson. Somando esses votos aos de Coronel Hélio, que poderia ser seu suplente, tornaria possível a eleição de Styvenson e Flávio Rocha.

Coronel Hélio seria suplente de Flávio Rocha, que poderia ir para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio — abrindo caminho para a chegada de Hélio ao Senado.

Coronel Hélio é um grande nome da direita e pode ser o fator decisivo para tornar essa estratégia realidade. Como mostram as pesquisas, sem essa composição, a tendência natural será a eleição de Styvenson e Zenaide.

A entrada de Flávio Rocha no Senado e, posteriormente, em uma função relevante no governo federal, poderia ser positiva para o Rio Grande do Norte e para o Brasil.

As próximas eleições não serão fáceis, e será o espírito agregador, unindo os melhores quadros, que permitirá melhorar a representatividade no Congresso. A união é sempre a melhor estratégia.

Sobre a pesquisa mencionada no primeiro parágrafo: O levantamento ouviu 2.000 eleitores em 71 municípios do estado, entre os dias 18 e 20 de abril. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob o número RN-05562/2026.

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Sua Conta de Energia Elétrica subirá, em média: 5,40% no RN.

— Mais um choque no bolso do consumidor.

Para dar aumento nunca falta energia às instituições. Desta vez, foi a Aneel definiu as novas tarifas de energia que passam a vigorar a partir desta quarta-feira (22) para os mais de 1,6 milhão de clientes atendidos pela Neoenergia Cosern. 

O reajuste tarifário médio anunciado pela agência foi de 5,40%. O impacto será distribuído de forma distinta entre as classes de consumo: os clientes de alta tensão, como grandes indústrias e empresas, terão uma alta média de 10,90%; para a baixa tensão, que inclui as residências, o aumento médio será de 3,74%.

— Apagão de esperança. Precisamos de uma luz.

Foto meramente ilustrativa

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O Eterno Retorno do AbsurdoUma crônica sobre a derrota da razão. Por Fernando Rocha.

Schopenhauer advertiu. Nietzsche gritou. E ninguém quis ouvir.

O projeto iluminista nasceu como uma aposta altiva na razão. Os filósofos do século XVIII acreditavam, com fervor quase religioso, que a luz da razão dissiparia as trevas da barbárie. Kant, em sua célebre resposta à pergunta “O que é o Esclarecimento?”, proclamou que o ser humano deveria ter a coragem de servir-se de seu próprio entendimento, sem a tutela de outrem. Era a maioridade da humanidade, anunciada solenemente, como se o simples ato de enunciá-la fosse suficiente para consagrá-la na história.

Mas Schopenhauer, o mais sombrio dos herdeiros de Kant, já havia percebido a fissura no edifício. Para ele, por baixo da razão e de suas construções conceituais tão elegantes, pulsava algo mais antigo, mais forte e absolutamente indomável: a Vontade. Não uma vontade humana, racional, deliberada, mas uma força cega, irracional, que se expressa em tudo o que existe, dos astros ao músculo do coração, da árvore ao tirano. A razão, dizia Schopenhauer, é apenas o servo da Vontade, um instrumento que ela usa quando lhe convém e descarta quando não precisa mais. O Iluminismo havia confundido o criado com o amo.

Nietzsche foi mais longe e mais brutal. Em sua crítica à modernidade, ele viu que a razão não era apenas serva, mas mentirosa. A moral racional do Ocidente, os chamados “valores civilizatórios” tão caros à tradição liberal, eram, para ele, expressões de ressentimento, máscaras com que os fracos domam os fortes, ficções úteis que ninguém, no fundo, realmente acredita. “Deus está morto”, e com ele toda a arquitetura racional que o substituiu. O que viria depois, avisou Nietzsche, seriam guerras como jamais houve sobre a terra. Não foi profecia: foi análise.

E a história, essa professora sem piedade, tratou de dar razão aos dois pessimistas.

Hitler não subiu ao poder pela força bruta. Subiu pela palavra, pelo voto, pela sedução das massas. Usou a razão instrumental, a ciência, a burocracia, a língua culta e os mapas precisos para organizar o extermínio sistemático de seis milhões de judeus. A racionalidade técnica estava inteiramente a serviço da Vontade mais obscura. Os campos de concentração tinham horários, planilhas, hierarquias. O genocídio era eficiente. Nunca a razão esteve tão a serviço do irracional.

Stalin, por sua vez, construiu o maior aparato racional que o socialismo já produziu, um Estado com cinco anos de metas, departamentos planejados, estatísticas de produção, e usou toda essa maquinaria para liquidar seus próprios companheiros de revolução. Os processos de Moscou tinham ata, advogados e réus que confessavam crimes que não cometeram. Era a razão processual formalmente perfeita ao serviço do puro arbítrio. A Vontade de um homem vestida com o uniforme da legalidade.

É nesse ponto que Albert Camus entra com sua lucidez implacável.

Para Camus, o absurdo não é uma anomalia, não é um defeito de percurso da civilização, não é algo que a razão, aperfeiçoada, possa um dia superar. O absurdo é a condição humana. Nasce do confronto entre o desejo humano de sentido, de ordem, de justiça, e o silêncio indiferente do mundo. O mundo não responde às nossas perguntas. Não há razão suficiente para a morte de uma criança inocente, para a destruição de uma cidade, para o triunfo do mais cruel sobre o mais justo. O absurdo não é exceção: é a regra.

E o que o ser humano faz diante do absurdo? Camus identificou três respostas possíveis: o suicídio físico, que ele recusou como capitulação; o suicídio filosófico, que é abraçar uma fé, uma ideologia, qualquer coisa que apague a consciência do absurdo; e a revolta, que é olhar o absurdo nos olhos, recusá-lo moralmente, e ainda assim continuar vivendo e lutando. É preciso imaginar Sísifo feliz, escreveu ele, porque a lucidez é, em si mesma, uma forma de dignidade.

O que Camus não imaginou, ou talvez tenha imaginado e não ousado escrever, é que o absurdo poderia tornar-se política de Estado.

Olhemos para o presente sem condescendência.

Gaza: uma das regiões mais densamente habitadas do planeta. Mais de quarenta mil mortos. Hospitais bombardeados. Crianças retiradas dos escombros com os braços em pedaços. E os comunicados oficiais continuam invocando a “autodefesa”, o “direito à segurança”, os “alvos militares”. A razão jurídica, o Direito Internacional Humanitário, as resoluções do Conselho de Segurança, tudo isso existe, está escrito, está codificado. E simplesmente não acontece. A Vontade é mais forte do que a norma. O irracional do poder veste a farda da razão de Estado e segue em frente, indiferente às câmeras e aos relatórios.

Trump, por sua vez, é o emblema mais perfeito da vitória do absurdo sobre o projeto iluminista. Não porque seja ignorante, embora seja, mas porque representa a dissolução consciente e deliberada do princípio de que existem fatos compartilhados, de que a razão pública tem valor, de que as instituições valem mais do que os caprichos de um homem. Ele invoca o direito internacional como retórica quando lhe convém e o descarta como papel inútil quando não serve. É o caso do Irã: instalações bombardeadas em nome da não proliferação nuclear, como se a destruição de alvos civis e a morte de técnicos e trabalhadores iranianos fossem resposta proporcional e racional a uma ameaça ainda hipotética. A lógica é a da Vontade pura: aniquila-se o que se teme antes que ele possa reagir, e chama-se isso de legítima defesa preventiva. É a mesma lógica que Hitler usou ao justificar a invasão da Polônia como medida de segurança.

Com a Venezuela, o absurdo assume outra forma, igualmente reveladora. A pretexto de combater o tráfico de drogas e restaurar a democracia, tropas e navios de guerra norte-americanos operam nas águas do Caribe como se o princípio da soberania nacional fosse uma concessão revogável por decreto presidencial. A ameaça de invasão militar paira sobre Caracas com a naturalidade com que se anuncia uma operação policial. O bloqueio econômico que há anos estrangula o povo venezuelano, não o regime, o povo comum, as crianças sem remédio, os hospitais sem equipamento, é apresentado como instrumento legítimo de pressão democrática. Há nisso uma perversão da linguagem que Orwell descreveu com precisão: a guerra chama-se paz, a miséria imposta chama-se liberdade, a ameaça de invasão chama-se cooperação. Schopenhauer o entenderia imediatamente: ali está a Vontade nua, com o disfarce da razão cada vez mais fino e surrado.

O paralelo com Hitler e Stalin não é hipérbole, nem ofensa gratuita. É uma categoria analítica. O que Nietzsche e Schopenhauer descreveram é uma estrutura que se repete: a razão como verniz, a Vontade como motor, o sofrimento dos mais fracos como resultado. Muda a escala, muda o vocabulário, muda o uniforme. Mas a estrutura permanece.

O Iluminismo queria que os direitos humanos fossem racionais, isto é, dedutíveis da natureza do ser humano, universais, não negociáveis. Queria que a ética fosse mais forte do que a força. Queria que a lei valesse para o poderoso tanto quanto para o miserável. Era um projeto bonito. Talvez o mais bonito que a civilização ocidental produziu.

Mas Schopenhauer já sabia que a Vontade não lê Kant. E Nietzsche já sabia que a moral racional é sempre a moral dos que precisam dela para sobreviver. Os que têm força suficiente criam sua própria moral, ou dispensam a moral inteiramente e a substituem pelo espetáculo.

Camus diria que o que vivemos hoje não é um acidente, não é um desvio, não é uma crise temporária de que a democracia liberal se recuperará com algum bom senso institucional. O absurdo é inevitável. A questão não é extingui-lo, porque isso não é possível. A questão é como nos posicionamos diante dele.

A revolta camusiana não é a revolução, que troca um absurdo por outro. É algo mais modesto e mais exigente ao mesmo tempo: é recusar-se a chamar de razão o que é pura Vontade de poder. É recusar a linguagem da normalidade quando se fala de crianças mortas. É insistir, sem ingenuidade, que os princípios iluministas ainda valem como critério de julgamento, mesmo que a história os viole sistematicamente.

Sísifo sobe a pedra sabendo que ela vai rolar. E sobe de novo.

É a única dignidade que nos resta quando o irracional ocupa o trono e a razão pede licença para entrar.

Fernando Rocha é Procurador da República e Mestre em Direito Internacional.

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Natal recebe o show “Três vozes para celebrar – onde a oração se faz canção” no Teatro Riachuelo

O palco do Teatro Riachuelo será cenário de uma noite especial de fé e música no próximo dia 28 de maio, com a realização do show “Três Vozes para Celebrar – onde a oração se faz canção”. O espetáculo reúne três grandes nomes da música católica brasileira: Eliana Ribeiro, Suely Façanha e Adriana Arydes.

Reconhecidas por suas trajetórias marcadas pela evangelização por meio da música, as artistas prometem emocionar o público com um repertório que reúne grandes sucessos de suas carreiras, canções de louvor e momentos de profunda espiritualidade.

*A abertura do evento ficará por conta do padre Carlos Sávio, com o momento especial *“Conexão e Fé”,* uma experiência de oração e adoração que marcou profundamente milhares de pessoas durante a pandemia, por meio de suas lives no Instagram. Será um momento único de espiritualidade e encontro com Deus, preparando o público para a noite de louvor.

A proposta do show é proporcionar uma experiência única de encontro com a fé, por meio de vozes que marcaram gerações dentro da música católica.

Com produção cuidadosamente pensada para envolver o público, “Três Vozes para Celebrar” se apresenta como uma oportunidade de vivenciar uma noite de louvores, conduzida por três das mais expressivas cantoras do segmento no país.

Os ingressos estão disponíveis, exclusivamente, na bilheteria do teatro e pelo site Uhuu.com.

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Flávio Bolsonaro grava inserção com Álvaro Dias e reforça discurso de segurança e combate à violência no RN

O senador Flávio Bolsonaro gravou uma inserção do PL ao lado do ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, e do pré-candidato ao Senado, Coronel Hélio, reforçando o alinhamento político do grupo e o foco no combate à violência no Rio Grande do Norte.

No vídeo, Flávio faz críticas à situação atual do estado governador pelo PT e convoca os aliados para apresentar uma alternativa ao cenário que classifica como preocupante.

“O estado do Rio Grande do Norte não pode mais continuar sofrendo com tanta incompetência e com tanta violência”, afirma o senador.

Durante a inserção, Álvaro Dias e Coronel Hélio aparecem ao lado de Flávio Bolsonaro, simbolizando a união do grupo político. O discurso destaca o avanço da criminalidade e a necessidade de ações mais firmes na área de segurança.

“A criminalidade, a marginalidade lá no nosso estado aumentou muito. E nós temos que acabar com isso e devolver a tranquilidade para o nosso estado”, reforça Álvaro.

A peça incorpora uma das principais bandeiras do PL na área: o enfrentamento direto às organizações criminosas, tratadas por Flávio Bolsonaro como grupos com atuação semelhante à de terroristas. A defesa é por ações mais duras do Estado, com fortalecimento das forças de segurança, endurecimento das leis e combate estruturado às facções.

A inserção reforça o posicionamento do campo conservador nacional, defendendo um “novo caminho” para combater a violência e ampliar a segurança da população.

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