Quando os algozes são vítimas e a lógica perversa. Por Aragão.
“Os traficantes são vítimas dos viciados”, — Lula.
Será que essa frase infeliz revela apenas uma frase — ou um modo distorcido de ver o mundo?
Seguindo essa lógica, seria exagero pensar que os operários são vítimas dos patrões?
Os ladrões, vítimas de quem tem mais bens?
Os bandidos, vítimas da polícia?
O pedófilo, vítima de uma doença?
O estuprador, vítima da sensualidade feminina?
Os hereges, vítimas dos que creem?
E, por fim, Satanás, vítima de um Deus todo-poderoso?
Acredito em atos falhos isolados — qualquer um pode cometê-los. Somos humanos.
Mas quando percebemos que esses “lapsos” não são tão isolados assim, começamos a ver o padrão.
Um método.
Lula, vítima de Sérgio Moro?
Talvez não seja apenas discurso — mas uma forma de enxergar o mundo onde o erro nunca é do autor, e sim da circunstância.
Dizer que os traficantes são vítimas dos viciados mostra que o bom senso, a justiça e a humanidade é que são as verdadeiras vítimas de sua fala, Lula.
Quando os valores dos líderes se afastam tanto da realidade do seu povo, a conclusão é inevitável:
— Nós todos somos vítimas dos governantes.
Foto: Rafa Neddermeyer.
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