Estudo do República.org e do Movimento Pessoas à Frente mostra assimetria no funcionalismo público, em especial na magistratura; rendimentos acima do teto custaram R$ 20 bilhões em 1 ano.
Os ganhos quase sempre acima do teto dos juízes botam 75% dos magistrados no seleto grupo de 1% mais ricos do Brasil (que ganha acima de R$ 685 mil em 2025, segundo o levantamento). Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que o Brasil tem 18.987 juízes em atividade.
“Quase 11.000 juízes brasileiros ganharam mais de US$ 400 mil (paridade de poder de compra – PPP) entre agosto de 2024 e julho de 2025, o que ultrapassa a remuneração paga a qualquer juiz de 7 dos 10 países estudados”, diz o estudo.
— O CUSTO DOS SUPERSALÁRIOS
Esses supersalários do Brasil consumiram R$ 20 bilhões de agosto de 2024 a julho de 2025. Estão concentrados principalmente na magistratura.
Segundo o estudo, 79,9% dos juízes brasileiros recebem acima do teto. Isso é, ganham mais do que R$ 46.366,19 por mês, na média. Essa taxa é de 70,4% entre integrantes do Ministério Público e de 59,4% nas carreiras da AGU (Advocacia Geral da União).
Para Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, o avanço dos gastos extra-teto no Brasil tem um “efeito desmoralizante em relação à legitimidade do Estado” por ampliar a “desigualdade remuneratória” dentro do serviço público.
“Vem sendo realizada uma corrida para receber salários além do teto. […] Isso pode ter um efeito em outras carreiras. O Brasil precisa de uma resposta muito efetiva para frear esse fenômeno, que impacta, inclusive, a capacidade do Estado de fazer novos investimentos ou de ampliar o investimento em áreas essenciais”, afirma.
Como mostrou o Poder360, um dos grupos que mais preocupa em relação aos supersalários é o Judiciário. No ano passado, por exemplo, juízes receberam remunerações mensais acima de R$ 100 mil 63.816 vezes.
Fonte: Poder 360.
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