Minha solidariedade às jornalistas Anna Ruth, Andreia Freitas e Anna Karinna.
Assistimos a um Boulos solto, performático — sem pudor, sem personagem, sem máscaras. Boulos livre para ser Boulos.
Como se liderasse o Movimento dos Sem Respeito, um ministro — meio misógino, meio incendiário — entra no estúdio da 98 FM vermelho de raiva.
Empunhando uma narrativa “Martelo e Foice”, desferiu golpes com suas palavras, exibindo uma impressionante disposição à truculência. Mas para quê? Para afrontar Anna Karinna, Andreia Freitas e Anna Ruth, que apenas estavam trabalhando? Chamá-las de “mentirosas” é argumento? Na impossibilidade de mandá-las à Sibéria, deixou o clima no estúdio frio e seco.
Nada disso foi à toa. Esse ambiente agressivo e covarde deve fazer parte de uma estratégia em que a truculência é percebida como um ativo.
Ela mobiliza a base.
Produz recortes virais.
Simplifica narrativas complexas em choques binários.
Não sei o que podemos esperar das políticas públicas de alguém com essa postura — ou com a ausência dela. No deserto de suas palavras não germinará nenhum fruto de esperança ou de paz; apenas choca o ovo da serpente — a intolerância.
Esse “ovo” já segue em incubação nas bolhas de filtro, nas câmaras de eco e nos algoritmos das redes sociais que premiam engajamento acima de qualidade. Cada episódio desse tipo não apenas reflete esse ambiente — ele o alimenta. A violência inevitavelmente romperá a frágil casca.
Episódios como esse não são desvios isolados; são sintomas de um ecossistema que passou a premiar três vetores claros:
– o confronto performático, que transforma qualquer interação em espetáculo;
– a deslegitimação do interlocutor, que elimina a necessidade de argumentar;
– a intolerância como linguagem de base, que reduz a política a uma disputa moral simplificada.
Não me parece exagero enxergar nisso parte misoginia, parte ignorância.
São políticos assim que operam sob a lógica do conflito contínuo. E, sob essa lógica, os incentivos são claros: prospera quem tensiona mais, quem simplifica mais, quem transforma o outro em inimigo com maior eficiência.
Onde chegaremos, afinal, se nossos políticos — de esquerda ou de direita — adotarem a agressão como estratégia?
Comentários (3)
3 respostas para “Vídeo – O choque de Maria Corina ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz.”
Ela merece, pena que no nosso Brasil ameaçado ainda não temos um herói ou heroína nesse nível
Ela merece, pena que no nosso Brasil ameaçado ainda não temos um herói ou heroína nesse nível
👏👏👏👏👏👏