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“Perdi meu pai para a depressão. Por Wissal Lauar.

Perdi meu pai para a depressão. Uma dor que não se explica, que não se mede, que simplesmente invade a vida da gente e muda tudo para sempre.

Ficam as lembranças, a saudade, as perguntas sem resposta e um vazio que nenhuma palavra consegue preencher.

Hoje eu entendo que a depressão não nasce da falta de amor, mas de uma dor profunda, de uma doença silenciosa que machuca a mente e o coração. Por isso eu digo, com toda a verdade que existe em mim: se você estiver doente, se sua mente estiver cansada, se o peso estiver grande demais… procure ajuda. Procure a Deus.

Procure um médico.

Procure um amigo. Mas não fique sozinho.

A dor pode mentir: Ela pode fazer você acreditar que não há saída. Mas há.

Sempre há um caminho, mesmo que ele precise ser construído passo a passo, com fé, tratamento e apoio.

Pensem nos filhos. Pensem nos abraços que ainda podem ser dados, nas histórias que ainda podem ser vividas, nas memórias que ainda podem ser construídas. Um pai ou uma mãe são referências que os filhos carregam para a vida inteira.

Se você está sofrendo, não tenha vergonha de pedir ajuda. Cuidar da saúde mental é um ato de coragem. Falar é um ato de amor. Permanecer é um ato de responsabilidade e de esperança.

Que Deus alcance cada coração ferido. E que nenhuma família precise viver essa dor.

Wissal Lauar.

Nota do Blog: Diante dos episódios recentes em nossa cidade, é fundamental reforçar que depressão é doença e tem tratamento. O suic1dio pode ser prevenido. Se você precisa de ajuda, ligue 188 (CVV). Há profissionais preparados para ouvir

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Reputações manchadas, de repente. Por Luís Marcelo Cavalcanti.

Meu amigo Aragão deu o mote,
eu pego e embalo o repente
Pois tem gente até que mente
Pra’atacar reputação

Oxford fez pesquisa,
provocou reflexão
Por que é que tanta gente
Só fala sob emoção?
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Cientista que estuda,
Tanto até que nem pisca
Descobriu na engenharia
A raiva que serve de isca
Quem curte, logo se pica
De tão doente emoção
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

O nome é até complicado
Em inglês se diz “rage-baite”
Com palavra tão bonita
Há até até quem se deleite
Mal sabe o ignorante
Pra que serve o palavrão
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

No passado, foi dinheiro
Mal contado por Revista
Um certo homem de honra
de conduta sempre à vista
Chamado Ibsen Pinheiro
Aclamado pelo povo,
julgado pela nação
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Pura maldade da Veja
Na capa o chamou: Ladrão
Mesmo avisada do erro
Mandou seguir com a impressão
Trocaram as contas em dólar
Um mil que virou milhão
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Agora foi Ruth dos Santos
Auditora de profissão
Trinta e dois anos servindo
Foi vítima do Xandão
Com nome e sobrenome
Expostos em televisão
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Mas dona Ruth é dos Santos
De nome e de proteção
O outro eu já não digo
Que me sobra’intimação
Vá de retro coisa ruim
Seu lugar é na prisão
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Biografia é coisa cara
longa é sua construção
Merece ser respeitada
Do blogueiro ao cidadão
Pra não se ver mutilada
A imagem de um inocente
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Vou parando por aqui
que raiva é isca mortal
Na briga do bem contra’o mal
Da Viviane à Patrícia
Não pode a mídia digital
Se transformar em milícia
Quem bate logo esquece
Quem apanha esquece não
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação

Avisa o mestre Karnal
Ódio é sentimento pequeno
Ter raiva é tomar veneno
Esperando n’outro a infecção
Tem até gente que mente
Pra’atacar reputação.

Luís Marcelo é Advogado e Procurador do Estado.

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Nilda e César Maia votarão em Kelps e Kleber.

A prefeita Nilda e o presidente da Câmara Municipal de Parnamirim, César Maia, discutiram projetos para o município com o pré-candidato a deputado federal, Kelps, e com o deputado estadual, Kebler Rodrigues.

O encontro foi nesta segunda-feira, em Parnamirim, para alinhar estratégias futuras que sustentem crescimento econômico da cidade, uma das que mais se desenvolvem no RN.

Nilda e César votarão em Kelps e Kleber em 2026.

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Gestão Nilda garante serviços de manutenção na rua Adeodato José dos Reis, em Nova Parnamirim.

A semana começa com trabalho nas ruas e presença da gestão Nilda solucionando mais um problema antigo. A Prefeitura irá iniciar a manutenção da calha da Rua Adeodato José dos Reis, em Nova Parnamirim, um dos principais corredores de mobilidade da região. O serviço inclui recuperação da calha, troca de grelha, reposição do paralelo e aplicação de nova manta asfáltica, garantindo mais fluidez, segurança viária e prevenção de alagamentos.

Com equipes do trânsito atuando no local e orientando motoristas sobre desvios, a intervenção reforça o ritmo de trabalho e a presença da gestão no dia a dia da cidade, cuidando da infraestrutura e mantendo o sistema de drenagem em pleno funcionamento.

A prefeita destacou o compromisso com a população: “Esse é o nosso jeito de governar: com serviço, cuidado e atenção às necessidades reais das pessoas. Estamos nas ruas para prevenir problemas, melhorar a mobilidade e dar mais tranquilidade a quem vive e circula por Nova Parnamirim.”

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Parnamirim lidera vacinação no RN e consolida sucesso do Verão Protegido com mais de 3 mil doses aplicadas

A política de vacinação da gestão da prefeita Nilda transformou o verão em tempo de cuidado e resultado em Parnamirim. Com o projeto Verão Protegido, o município aplicou 3.173 doses e liderou o ranking de imunização no Rio Grande do Norte durante o período, um desempenho que rendeu, inclusive, reconhecimento do Ministério da Saúde.

Para a prefeita, o resultado reflete uma gestão que prioriza gente e prevenção: “Liderar a vacinação no estado mostra que, quando a gente cuida das pessoas com planejamento e presença, o resultado aparece. Seguiremos trabalhando para garantir mais saúde e proteção para todos os parnamirinenses”, destacou Nilda.

O encerramento da iniciativa acontece neste sábado, das 8h às 16h, na Rede Mais do Centro, oferecendo mais uma oportunidade para a população atualizar a caderneta vacinal e manter a proteção em dia.

Estarão disponíveis as vacinas HPV, destinada a pessoas de 9 a 19 anos sem dose registrada; Febre Amarela, para pessoas a partir de 9 meses até menores de 59 anos sem histórico de vacinação; Tríplice Viral, voltada para pessoas de 12 meses a menores de 59 anos sem registro e também para profissionais de saúde; ACWY, para adolescentes de 11 a 14 anos sem registro; Hepatite B, para quem não possui o esquema completo com três doses; e Antitetânica, indicada para quem também não possui o esquema vacinal completo com três doses.

As ações extramuros terão continuidade ao longo do ano, com equipes levando a vacinação para empresas, condomínios, escolas, igrejas, comércios e eventos municipais, reforçando uma política permanente de prevenção. Com números expressivos, reconhecimento nacional e forte adesão da população, o Verão Protegido se consolida como mais uma entrega de impacto da gestão, reafirmando o compromisso com uma cidade mais saudável e protegida.

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Unimed Natal disponibiliza agendamento de exames pelo aplicativo

Funcionalidade permite que beneficiários realizem marcações de forma online, para exames já autorizados

A Unimed Natal passa a oferecer aos beneficiários a possibilidade de agendar exames diretamente pelo Aplicativo Unimed Natal Cliente. A funcionalidade já está disponível e permite que o processo seja feito de forma online, sem necessidade de ligação telefônica ou deslocamento até uma unidade.

O recurso é válido para exames previamente autorizados e pode ser acessado de maneira simples pelo aplicativo. Após entrar na área “Agendamento de Exames”, o usuário seleciona o procedimento autorizado, verifica as datas disponíveis e confirma o agendamento.

De acordo com o diretor-presidente da Unimed Natal, Dr. Márcio Rêgo, a novidade integra a estratégia de fortalecimento dos canais digitais da cooperativa. “Estamos ampliando o acesso aos nossos serviços por meio da tecnologia, oferecendo mais autonomia e comodidade ao beneficiário. O aplicativo é uma ferramenta que facilita o dia a dia e torna o atendimento mais ágil”, afirma.

Além da marcação, o aplicativo também permite consultar exames confirmados, acompanhar exames finalizados e realizar cancelamentos, quando necessário. A funcionalidade amplia as possibilidades de atendimento digital e reforça a proposta da cooperativa de oferecer mais praticidade no acesso aos serviços.

O Aplicativo Unimed Natal Cliente está disponível para download nas lojas oficiais. Para utilizar a funcionalidade, é necessário manter o app atualizado.

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Assembleia analisa resultados e traça metas para execução de Planejamento Estratégico

Avaliar ações, prever riscos e traçar metas. Esse foi o tema central da reunião realizada nesta sexta-feira (27) por diretores da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que tratou diretamente sobre a apuração dos indicadores referentes ao quarto trimestre de 2025 do Planejamento Estratégico Horizonte 2027.

O objetivo do monitoramento dos indicadores e iniciativas é otimizar a execução do planejamento estratégico, que foi pensado e montado para ser representativo e ter consonância com a natureza representativa da instituição. A determinação é, entre outros pontos, promover a colaboração nas principais atividades da Casa através da participação ativa da liderança dos servidores de todos os departamentos e representantes dos parlamentares, estabelecendo a conexão vital entre o corpo técnico da Assembleia e próprio Legislativo.

Durante o encontro, os técnicos da Casa discutiram junto às diretorias a análise da Gestão de Risco, expondo medidas que devem ser priorizadas com base no monitoramento realizado ao longo do ano passado. O foco é minimizar as chances de possíveis falhas na execução das atividades que serão desenvolvidas pelas diretorias ao longo do ano.

O diretor geral da Assembleia Legislativa, Augusto Carlos Viveiros, elogiou a atuação dos servidores da Casa e o cumprimento das metas estabelecidas. Para ele, o Planejamento Estratégico tem sido uma marca da gestão do Legislativo e tem trazido frutos importantes para o trabalho em prol da população.

“Essa é uma determinação do presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), que tem como objetivo sempre a melhoria do serviço do Legislativo e o alcance das ações à população do Rio Grande do Norte. Certamente, teremos um ano de muitos desafios e tenho certeza de que a equipe vai manter o nível de excelência no cumprimentos das metas de nosso Planejamento Estratégico”, disse Viveiros.

Além do diretor-geral, também participaram da reunião o diretor Administrativo e Financeiro da Casa, Pedro Cascudo; o diretor de Gestão de Pessoas, Thyago Cortez; o diretor de Políticas Complementares, Ricardo Fonseca; o diretor da Escola da Assembleia, José Bezerra Marinho; diretora-geral da Presidência; Dulcinéa Brandão; o diretor de Gestão Tecnológica, Mário Sérgio Gurgel, além da diretora de Planejamento Estratégico, Luciana Cardoso, de toda a equipe e também da Ouvidoria e Controladoria da Assembleia.

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Cristiane Dantas defende centro de referência para doenças raras em Natal

A deputada Cristiane Dantas (SDD) utilizou a sessão plenária desta quinta-feira (26) para reforçar o apelo por maior atenção e políticas públicas efetivas para as pessoas com doenças raras no Rio Grande do Norte. Em seu pronunciamento, a parlamenta enfatizou os desafios enfrentados por esses pacientes e suas famílias, especialmente na capital potiguar.

A legisladora iniciou sua fala questionando os presentes sobre a esclerodermia, uma das inúmeras condições raras existentes. Ela explicou que se trata de uma doença autoimune e crônica, caracterizada pela inflamação e endurecimento da pele, podendo afetar órgãos internos devido à produção excessiva de colágeno. Cristiane ressaltou que, no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas vivem com alguma enfermidade de baixa prevalência, muitas delas enfrentando dores constantes e um cenário de incerteza.

Sensibilizada com a causa e a necessidade de visibilidade, Cristiane Dantas lembrou que foi a propositora da Lei Estadual nº 11.477/2023, que institui o último dia de fevereiro como o Dia Estadual das Doenças Raras, data que será celebrada neste próximo sábado, dia 28. Acompanhando o discurso da parlamentar na galeria, estavam representantes da Associação de Doenças Raras do Rio Grande do Norte e de outras entidades de pacientes, a quem a deputada se dirigiu: “Vejam ali na galeria, não são só números, são pessoas, são mães, pais, são crianças, são pacientes que enfrentam dor, incerteza, e muitas vezes a invisibilidade do poder público”, afirmou.

A deputada destacou que a maioria dessas enfermidades é permanente, progressiva e sem cura, exigindo acompanhamento contínuo, equipe multiprofissional e acesso regular a medicamentos. No entanto, o cenário atual no estado apresenta “diagnósticos que demoram anos, falta de geneticista na rede pública estadual, déficit de reumatologistas, ausência de concurso e carência de medicamentos essenciais, levando famílias à judicialização pela UNICAT para garantir o que já deveria ser direito”. Ela classificou a situação como “inadmissível”.

Embora tenha reconhecido a importância da inauguração do primeiro serviço especializado em doenças raras em Mossoró, a representante pontuou que “não é suficiente”, especialmente porque a capital, Natal, concentra grande parte da demanda e ainda carece de um centro de referência estruturado para atendimento integral e contínuo. “Já realizei audiência pública nesta Casa para discutir essa pauta. E estamos aqui cobrando, mais uma vez, ações mais concretas”, declarou.

Entre as reivindicações apresentadas pela deputada Cristiane Dantas, constam a implantação de um centro de referência em doenças raras e crônicas em Natal, articulado à unidade de Mossoró; a contratação imediata de médicos geneticistas (atualmente há apenas um no estado); a realização de concurso público para reumatologistas; a garantia de fornecimento regular de medicamentos; a criação de linhas estaduais de cuidado; a transparência e respeito às prioridades legais; e o atendimento multiprofissional estruturado.

“Não estamos pedindo privilégios. Estamos falando de direito à saúde, previsto na Constituição. O Rio Grande do Norte precisa avançar, e precisa avançar agora”, concluiu a legisladora, enfatizando que “a luta das pessoas com doenças raras é uma luta por dignidade, e a Casa Legislativa não pode se omitir”.

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O Tribunal da Estante. Por Alexandre Aragão.

A estante de um advogado com mais de vinte anos de profissão não é propriamente um móvel. É um sítio arqueológico. Há estratos bem definidos ali, de edições com folhas já amareladas pelo tempo a lombadas que ainda guardam o cheiro de café de madrugadas atrás. Mas, aproveitando o clima de Quaresma — essa época propícia a penitências, em que a gente promete desapegar do açúcar, da bebida ou dos pecados de estimação —, decidi fazer o sacrifício supremo: desapegar da minha biblioteca jurídica. Parte dela já jazia em caixas num self-storage, de onde foram resgatadas hoje, 28 de fevereiro de 2026, como provas de um processo que ninguém lembrava de ter aberto.

Estabeleci um critério rigoroso, digno de juiz de primeira instância em dia de mau humor: só fica na prateleira o livro que eu, num momento de necessidade ou insônia, puder vir a abrir novamente. O resto, para as caixas de doação. Sentença irrecorrível.

Fácil falar. Na prática, foi como julgar velhos amigos.

Peguei aquele manual pesadão, companheiro de madrugadas insones na pós-graduação. Tinha orelhas dobradas, marca-textos desbotados e carregava a memória de uma época em que eu ainda acreditava que decorar incisos era a chave para decifrar o universo. Suspirei. A legislação muda mais rápido que o humor de síndico de condomínio; um manual de processo de vinte anos atrás tem a utilidade prática de um calendário de 1998. O livro foi para a caixa. Doeu, confesso.

Porém, no meio da poeira e da melancolia, tive uma daquelas epifanias que compensam a rinite.

Os sobreviventes do meu crivo implacável não eram livros sobre as leis. Eram livros sobre a essência delas.

Enquanto lá em Brasília há ministro ressuscitando processos arquivados com a mesma naturalidade de quem pede um pão na chapa, na minha estante quem ganhava vida nova eram os pilares da justiça — os imortais, que nenhuma canetada aposenta.

Limpei a capa e reencontrei Karl Engisch. Bati um papo mudo com John Rawls. Troquei olhares cúmplices com Norberto Bobbio e dei um aceno de respeito para Herbert Hart. Eles continuam lá, imunes às vaidades de toga. Não te dizem qual é o prazo de um recurso, mas te lembram o porquê do recurso existir.

Olhando para essa turma que restou na prateleira, não pude deixar de pensar nos calouros de Direito de hoje. Vivemos a era da inteligência artificial. O aplicativo escreve petições em segundos e cospe jurisprudência mastigada.

O risco moderno não é a máquina substituir o advogado — é o estudante começar a pensar como a máquina, buscando apenas o “sim”, o “não” e a resposta pronta.

Torço para que a garotada não se contente com o fast-food jurídico dos algoritmos. Que ainda tenha o ímpeto de ler Bobbio, de brigar com Rawls, de entender que o texto frio da lei é só a superfície de algo muito maior.

Porque o Direito, no fim das contas, é apenas uma ferramenta — um martelo, um esquadro, um bisturi. O objetivo nunca foi cultuar a ferramenta, mas a obra que ela ajuda a construir: aquele negócio teimoso, antiquado e indispensável chamado Justiça.

Fechei a última caixa de papelão, espirrei duas vezes e olhei para a estante. Ficou bem mais vazia, é verdade. Mas, de alguma forma, nunca pareceu tão cheia de sentido.

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O site GOV reflete a burocracia infinita do Brasil. Por Aragão.

— Será que precisaremos contratar um despachante para navegar no GOV? Contém ironia e frustração.

Vivemos a era da biometria bancária, do PIX instantâneo. No aplicativo do banco, movimentam-se quantias relevantes com poucos cliques. A validação é robusta, mas invisível. A tecnologia trabalha para simplificar.

— O site GOV é a burocracia brasileira digitalizada.

Você começa com login e senha. Insere os dados corretamente. Em tese, bastaria. Mas não basta. Pede reconhecimento facial que nunca o reconhece. Depois, confirmação pelo aplicativo. Código enviado, mas provavelmente não recebido.

— Se você conseguiu? É hora de trocar a senha.

— Outra senha? Sim, essa não serve.

— Mudou a senha? Pronto. Novo reconhecimento facial…

E, quando finalmente parece que o acesso foi concedido, surge uma nova camada de verificação — como se o sistema suspeitasse permanentemente do próprio cidadão e, ao mesmo tempo, não confiasse em seu próprio sistema de segurança.

É claro que segurança é necessária. O Estado guarda dados sensíveis. O risco de fraude existe. Mas há uma diferença entre segurança eficiente e complexidade desorganizada. Sistemas bancários lidam diariamente com valores bilionários e, ainda assim, conseguem conciliar proteção com usabilidade.

O GOV.BR, muitas vezes, lembra o comportamento dos funcionários burocratas: aqueles que não decidem, não assumem, não validam — apenas solicitam mais um documento. Mais uma autenticação.

O portal digital do governo acabou se tornando um reflexo fiel da burocracia tradicional brasileira: carimbos substituídos por captchas; filas físicas trocadas por loops de autenticação; exigências cartoriais convertidas em etapas digitais que se acumulam.

O Brasil não digitalizou o processo. Digitalizou a burocracia.

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A microfísica do poder digital nas eleições de 2026. Por Fernando Rocha.

A teoria da microfísica do poder desenvolvida por Michel Foucault oferece uma chave interpretativa particularmente fecunda para compreender o papel das redes sociais nas eleições presidenciais de 2026. Se o poder não está concentrado apenas no Estado ou nas grandes instituições, mas circula de maneira capilar nas práticas, nos discursos e nos dispositivos cotidianos, então as plataformas digitais representam um dos principais territórios dessa circulação.


Diferentemente da mídia tradicional, estruturada por hierarquias editoriais, códigos de ética e mecanismos formais de controle, as redes sociais operam por meio de uma arquitetura algorítmica opaca e descentralizada. À primeira vista o poder parece disperso, pois qualquer usuário pode produzir conteúdo, comentar, compartilhar e viralizar informações. No entanto, essa horizontalidade aparente encobre uma forma sofisticada de organização discursiva, uma vez que o algoritmo seleciona, prioriza e amplifica conteúdos segundo critérios de engajamento, retenção e monetização. Trata-se de um poder que não proíbe diretamente, mas molda o campo do visível e do dizível, exatamente como descreve Foucault.


Nesse ambiente os influenciadores digitais assumem posição estratégica nessa rede capilar de poder. Eles não apenas comunicam opiniões, mas contribuem para produzir regimes de verdade junto aos seus públicos. Sua autoridade não decorre de investidura institucional, mas do capital simbólico construído na lógica da atenção. Diferentemente do jornalismo profissional, não se submetem, em regra, às mesmas exigências de verificação, responsabilidade editorial e compliance. A produção de narrativas políticas desloca-se, assim, de estruturas institucionalizadas para ecossistemas personalizados, fragmentados e fortemente orientados por estímulos emocionais.
Sob a perspectiva foucaultiana, o fenômeno ultrapassa a mera propaganda ou desinformação. O que está em jogo é a produção de subjetividades políticas. O algoritmo tende a valorizar conteúdos que despertam indignação, medo ou identificação intensa, contribuindo para ambientes polarizados. O eleitor não apenas recebe informações, mas passa a interpretar a realidade a partir de enquadramentos reiterados que definem ameaças, constroem heróis e delimitam o horizonte do aceitável. O poder atua, portanto, na formação dos próprios critérios de julgamento da realidade política.


É nesse cenário que ganha especial relevância a atuação normativa do Tribunal Superior Eleitoral por meio da Resolução TSE nº 23.610/2019, com as alterações promovidas pela Resolução nº 23.732/2024. O art. 9º estabelece que a utilização de qualquer modalidade de conteúdo na propaganda eleitoral pressupõe a verificação, com razoável segurança, da fidedignidade da informação, sujeitando candidaturas, partidos, federações e coligações às sanções previstas no art. 58 da Lei nº 9.504/1997, sem prejuízo de eventual responsabilidade penal. Trata-se de um comando que internaliza, no plano jurídico, a necessidade de responsabilidade na circulação de discursos políticos.


O art. 9º-C reforça essa diretriz ao vedar o uso de conteúdo fabricado ou manipulado para difundir fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados com potencial de comprometer o equilíbrio do pleito ou a integridade do processo eleitoral. O dispositivo proíbe também a utilização de conteúdos sintéticos gerados ou manipulados digitalmente para criar ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia, prática conhecida como deep fake. O descumprimento pode configurar abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação social, com possibilidade de cassação de registro ou mandato e responsabilização nos termos do Código Eleitoral.


A resolução impõe ainda deveres diretos aos provedores de aplicação, que devem adotar providências imediatas para cessar impulsionamento, monetização e circulação de conteúdos ilícitos quando detectados ou notificados. Prevê também responsabilidade solidária civil e administrativa em hipóteses de omissão na indisponibilização de conteúdos relacionados a atos antidemocráticos, desinformação que atinja a integridade do processo eleitoral, ameaças à Justiça Eleitoral, discursos de ódio ou conteúdos manipulados por tecnologias digitais em desacordo com as regras de rotulagem.


Diante das eleições de 2026, que elegerão Presidente da República, Governadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Senadores, torna-se imperioso que as autoridades eleitorais mantenham especial vigilância sobre essa nova modalidade de mídia. A amplitude do pleito amplia significativamente o potencial de influência das redes digitais na formação da vontade política. Não se trata de restringir a liberdade de expressão, mas de assegurar transparência, responsabilização e proteção da integridade informacional do processo democrático.
Se o poder contemporâneo opera de forma difusa, invisível e tecnologicamente mediada, a preservação da democracia exige instituições capazes de compreender e regular essa dinâmica com equilíbrio e firmeza. A microfísica do poder hoje atravessa algoritmos, influenciadores e fluxos digitais. A integridade do processo eleitoral dependerá da aplicação efetiva das normas existentes e da constante atualização dos mecanismos de tutela do debate público.

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