Arquivo de Opinião - Página 2 de 27 - Blog do Aragão Arquivo de Opinião - Página 2 de 27 - Blog do Aragão

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ABIH lança narrativa padrão duas estrelas sobre a Via Costeira. Por Aragão.

Não é uma narrativa excelente, nem boa, nem ao menos mediana — é “2 estrelas”, isso se existisse um padrão de qualificação para narrativas. Realmente não se sustenta. Qualquer sopro de lucidez faz desmoronar como um castelo de areia.

É o seguinte: a ABIH tenta inverter causa e consequência quando sugere que não se construiu nos 7 terrenos, que tiveram suas concessões suspensas, devido à insegurança jurídica.

Ou seja, a ABIH sinaliza que uma causa foi a insegurança jurídica e a consequência foi a não construção. Mas isso não se sustenta, como já foi dito. Os hotéis que existem hoje foram impedidos de ser construídos? Não. Sofreram com insegurança jurídica ao ponto de não saírem do papel? Também não.

A verdade, essa sim 5 estrelas, é que a Justiça só começou a cobrar as consequências de quem recebeu a concessão e, passados anos a fio, nada construiu. A causa verdadeira foi a não construção. E a consequência lógica foram os processos judiciais pelo acordo quebrado.

— O TCE tirou a concessão de algum terreno onde foi construído hotel? Não.

— Isso encerra boa parte da discussão.

Penso que a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira deveria defender a indústria hoteleira. Defender os donos de terrenos que não construíram hotéis ao longo de 40 anos perde em substância, já que não tivemos a construção dos hotéis. Aliás, será que a ABIH sabia que, nada sendo construído, o mercado ficaria preservado para os hotéis atuais? Será que é isso?

Segundo estudo da Fecomércio, a construção de 8 hotéis em 8 terrenos da Via Costeira tem potencial para movimentar quase R$ 600 milhões por ano na economia local. Em 40 anos, isso somaria cerca de R$ 24 bilhões que deixaram de entrar em nossa economia. 7 destes terrenos tiveram sua concessão suspensa.

Espero que as próximas licitações entreguem esses terrenos a empresários que invistam em nossa cidade, que realizem construções e estimulem verdadeiramente o turismo e o desenvolvimento do RN.

— Nosso turismo merece mais. Ou será que para a ABIH o menos é mais?

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Semana Santa: o silêncio, a travessia e a redenção. Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas.

Em um tempo que fez da velocidade uma virtude e do conforto uma espécie de direito subjetivo, a liturgia cristã reaparece, ano após ano, para recordar uma verdade pouco sedutora: há dimensões da existência que não se resolvem, mas que precisam ser atravessadas.

A tradição cristã, dos textos catequéticos às meditações de Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, jamais tratou a fé como anestesia. Trata-a, senão, como exigência. É dizer: não se crê apenas para sentir paz, mas também para suportar a verdade. Por isso mesmo, eis uma definição que permanece sóbria e perturbadora: fé é conhecimento e confiança, ou a certeza daquilo que não se vê.

Sob esse ângulo, a cruz deixa de ser ornamento devocional e reassume seu lugar originário, próprio ao mais extremo rebaixamento e abandono. Eis a perplexidade da vez. O centro do cristianismo pauta-se na aceitação de uma derrota aparente. Para uma civilização obcecada por desempenho, imagem e êxito, a cruz permanece quase que como um constrangimento teológico e existencial.

Chesterton intuiu, com rara felicidade, que o cristianismo subsiste porque conserva unidos os contrários que o espírito moderno insiste em apartar: razão e mistério, sofrimento e esperança, humilhação e glória. E a Semana Santa desvela a pedagogia desses contrários. Enquanto a sexta-feira denuncia o colapso, o domingo revela a superação. Mas talvez o ponto decisivo resida nele mesmo, no sábado, esse território árido no qual o céu parece calado e a história, em algum grau, suspensa.
É no silêncio, afinal, que a fé perde a retórica e ganha densidade. A bem da verdade, a Semana Santa não elimina a pergunta sobre a dor. Ela a qualifica. Deus, ao não suprimir a cruz, atravessa-a. E, ao atravessá-la, confere ao sofrimento um sentido que não o banaliza, tampouco o glorifica, mas o inscreve na difícil gramática da redenção.

Que a travessia desta Semana Santa nos conduza, com humildade e profundidade, de volta ao essencial.

 

Bruno Montenegro Ribeiro Dantas – Magistrado e Doutorando em Direito

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A Planície Digital: Quando todas as vozes se equivalem, nenhuma voz importa. Por Fernando Rocha

Uma leitura de Richard Weaver para a era das redes sociais

Em 1948, Richard M. Weaver publicou “Ideias têm consequências” com uma tese que, lida hoje, soa quase profética: a crise do Ocidente moderno não é econômica nem tecnológica, mas a perda de uma hierarquia de valores capaz de distinguir o que merece ser ouvido do que deveria permanecer em silêncio. Weaver escrevia contra o relativismo filosófico de meados do século XX. Não poderia imaginar que, oito décadas depois, esse relativismo encontraria a sua encarnação mais acabada num dispositivo que cabe no bolso de qualquer pessoa.
O diagnóstico de Weaver era filosófico. A abolição dos universais, isto é, a ideia de que existem verdades transcendentes pelas quais os particulares podem ser medidos, produziu, segundo ele, uma civilização incapaz de hierarquizar. Se não há padrão objetivo, toda opinião se equivale a qualquer outra. A distinção entre o sábio e o ignorante, entre o especialista e o diletante, entre a análise cuidadosa e o palpite de bar se dissolve num igualitarismo epistêmico que nada tem de democrático: é, na verdade, a tirania do número sobre a competência.
As redes sociais realizaram esse pesadelo com uma eficiência que nenhum filósofo nominalista poderia ter previsto. Nas plataformas digitais, a autoridade epistêmica foi substituída pela métrica do engajamento. Um vídeo de trinta segundos gravado por alguém sem qualquer formação em epidemiologia pode alcançar, e frequentemente alcança, um público infinitamente maior do que o artigo revisado por pares de quem dedicou a vida inteira ao estudo de vírus. Não porque o vídeo seja verdadeiro, mas porque é emocionalmente eficaz. O algoritmo não distingue verdade de falsidade; distingue apenas o que retém atenção do que não retém. E a atenção, como qualquer publicitário sabe, é capturada pelo choque, pela indignação e pela simplificação, nunca pela nuance.
Weaver chamava isso de “igualitarismo sentimental”: a recusa em admitir que há pessoas mais qualificadas do que outras para opinar sobre determinados assuntos, não por algum privilégio de nascimento, mas pelo investimento real de tempo, estudo e disciplina intelectual. O médico que estudou doze anos para compreender o funcionamento do corpo humano não tem a mesma autoridade sobre doenças que o influenciador digital que leu dois artigos e assistiu a três podcasts. Dizer isso não é elitismo; é respeito elementar pelo esforço e pelo saber.
O problema é que a estrutura mesma das plataformas digitais milita contra essa distinção. No Twitter, no Instagram, no TikTok, todos os enunciados ocupam o mesmo espaço visual, têm o mesmo formato, são igualmente curtíveis e compartilháveis. A interface é democrática no sentido mais raso possível: iguala a forma e, ao fazê-lo, sugere igualdade de conteúdo. O parecer do jurista aparece na mesma timeline que o comentário do leigo indignado, e o leitor desatento, ou seja, a imensa maioria dos leitores, não tem instrumentos visuais para distinguir um do outro. A tipografia uniforme das redes sociais é a realização gráfica do nominalismo: tudo é particular, nada tem peso ontológico diferenciado.
Há um efeito perverso nesse nivelamento. Quando a opinião do especialista perde prestígio, o que ocupa o vácuo não é o silêncio reflexivo, mas o ruído. E o ruído, por definição, favorece quem fala mais alto, com mais frequência e com maior apelo emocional. A cultura digital não eliminou a hierarquia; substituiu a hierarquia do mérito pela hierarquia do alcance. O resultado é uma nova aristocracia, a aristocracia do influencer, cujo poder repousa não sobre o saber, mas sobre a capacidade de monetizar a atenção alheia. Weaver escreveu que a sociedade que rejeita toda autoridade legítima acaba submetida a autoridades ilegítimas. É difícil encontrar descrição mais precisa do ecossistema informacional em que vivemos.
Isso tem consequências práticas gravíssimas, muito além do debate abstrato. Na pandemia, a equivalência entre a opinião do virologista e a do comentarista de YouTube custou vidas. No debate sobre vacinas, a retórica emocional do medo superou décadas de evidência científica acumulada. Na discussão sobre mudanças climáticas, a dúvida manufaturada por interesses econômicos foi amplificada por plataformas desenhadas para maximizar o engajamento, não a verdade. Em cada um desses casos, o padrão é o mesmo: a recusa em reconhecer que há vozes mais qualificadas do que outras produz não a emancipação do cidadão comum, mas a sua manipulação por quem domina as ferramentas de persuasão digital.
Não se trata, evidentemente, de propor que apenas especialistas possam falar. A liberdade de expressão é um valor fundamental, e a crítica ao saber estabelecido é parte constitutiva do próprio método científico. O que Weaver nos ajuda a compreender é algo diferente e mais sutil: que a liberdade de falar não implica a equivalência entre todas as falas. Todos podem e devem poder se expressar; mas uma civilização saudável precisa ser capaz de distinguir, entre as vozes que se expressam, quais merecem mais atenção, mais peso, mais deferência, e quais devem ser ouvidas com a cautela proporcional à sua falta de lastro.
Recuperar essa capacidade de distinção é, talvez, o desafio cultural mais urgente da era digital. Isso passa por educação, certamente, por ensinar desde cedo a diferença entre opinião e conhecimento, entre correlação e causalidade, entre retórica e argumento. Mas passa também por uma reforma mais profunda, que Weaver chamaria de metafísica: a disposição de aceitar que nem tudo se equivale, que há coisas mais verdadeiras que outras, que a realidade não é uma construção arbitrária e que dizer “eu acho” não tem o mesmo peso que dizer “a evidência demonstra”.
As ideias, como Weaver nos advertiu, têm consequências. A ideia de que todas as opiniões valem igualmente, essa ficção generosa e perigosa, produziu um mundo em que o charlatão e o cientista competem em pé de igualdade pela atenção pública, e o charlatão frequentemente vence. Se quisermos sair dessa planície nivelada, será preciso ter a coragem intelectual de reafirmar o que deveria ser óbvio: que saber mais importa, que o estudo tem valor, que a hierarquia do conhecimento não é uma relíquia autoritária, mas a condição mesma de qualquer conversa civilizada.

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TCE suspende concessões na Via Costeira e renova nossa esperança em usufruir a orla. Por Aragão.

CM Empreendimentos Ltda., Costeira Palace Hotel S/A, G5 Planejamentos e Execuções Ltda., Hotel Parque das Dunas Ltda., Paulistânia Hotéis e Turismo Ltda., Zenário Costeira Ltda., Ignez Motta de Andrade e OWL Comercial Ltda. Essas são as empresas que tiveram as concessões suspensas pelo TCE, que determinou a abertura de nova licitação para redefinir o uso das áreas.

— A Via Costeira foi entregue de mão beijada. A maioria não pagou um centavo pelos terrenos.

Ela foi loteada nos anos 80 e distribuída entre empresários que nada pagaram pelos lotes. Alguns construíram hotéis com empréstimos do BDRN — nem sempre quitados. Outros nada fizeram. Isto é, a contrapartida seria apenas construir o hotel, mas nem isso aconteceu.

Os governos estaduais foram prorrogando indefinidamente os prazos e, até hoje, ficou por isso mesmo. Agora, o Tribunal de Contas do RN tenta dar um basta nisso, suspendendo sete concessões da Via Costeira.

O próprio TCE confirmou que há descumprimentos reiterados de contratos, prorrogações sucessivas sem execução e indícios de irregularidades.

— Será que o Judiciário vai derrubar essa decisão cautelar do TCE e eternizar o mar de promessas não cumpridas? Esperamos que não.

Normalizamos um enorme complexo de vira-latas com 9 quilômetros de extensão. É viralatismo quando aceitamos não usufruir de nossa própria praia — apenas os turistas podem. E olhe que eles só usam mesmo para dormir. Durante o dia, saem para conhecer as belezas do nosso litoral.

A grande verdade é que a Via Costeira nunca foi a principal razão para os turistas virem ao RN. Eles vêm pelas praias, pelos passeios, pela gastronomia. É Pipa que atrai turistas. É São Miguel do Gostoso. É Genipabu. São nossas dunas, lagoas e piscinas naturais. Uma orla decente, como a de Maceió, impulsionaria verdadeiramente nosso turismo.

— A legislação atual amputou dez praias da nossa cidade.

A escravidão já foi lei. A mulher não poder votar também. As leis devem evoluir, assim como nossa sociedade.

Levando em consideração o tamanho das praias dos Artistas e do Forte, a Via Costeira abrigaria facilmente cerca de dez praias.

— Por que a Via Costeira ainda não é nossa?

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Se você ficou feliz com a piora da saúde de Bolsonaro, o doente é você. Por Aragão

— A satisfação com o sofrimento alheio é um sintoma grave de uma sociedade adoecida.

É a prova de que o adversário foi desumanizado. Deixou de ser visto como pessoa e passou a ser reduzido a um objeto de ódio. É como se cada post relatando sua piora servisse como a ração que alimenta o sadismo. E quando uma sociedade chega a esse ponto, ela já não está mais apenas polarizada. Está intoxicada.

A desumanização é sempre um veneno sorrateiro. Ela começa no discurso, cresce na fake news, amadurece no deboche e, quando percebemos, transformamos o sofrimento do outro em entretenimento.

— Isso é adoecimento moral.

Porque quando o sofrimento físico de alguém passa a provocar satisfação, o que está doente já não é o corpo de quem está internado. É o ambiente moral de quem assiste. É o espírito público. É a capacidade de reconhecer que há uma dimensão humana que deveria sobreviver até mesmo ao mais duro antagonismo político. — É lógico que esse mesmo raciocínio valeria se fosse Lula quem estivesse internado.

Nenhuma democracia séria se sustenta quando o adversário perde sua condição de pessoa. A crítica política é salutar, mas o sadismo é a moral em sepse.

Não se trata de absolver Bolsonaro de nada. Não se trata de blindá-lo da crítica. Não se trata de transformá-lo em vítima política por causa de uma internação. Trata-se de algo mais simples e mais importante: preservar um mínimo de civilização.

Quem celebra a piora de saúde de um adversário talvez imagine estar demonstrando firmeza ideológica. Não está. Está apenas confessando, sem perceber, que a política já lhe consumiu a humanidade.

Não podemos terceirizar nossa culpa acusando os algoritmos das redes sociais — ou ainda, adotando convenientemente a postura de vítimas de uma polarização exacerbada. Temos consciência e uma formação moral que permite o discernimento.

E, utilizando o livre-arbítrio, possamos fazer nossas escolhas conscientemente para preservar nossa saúde mental e, em última análise, nossa humanidade.

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A estranha defesa de João Maia no caso Alysson. Por Aragão.

Assistindo a entrevista que Joao Maia concedeu a 98FM, esperava que o presidente do PP no RN defendesse Allyson Bezerra alegando perseguição política. Talvez, ele tenha desistido dessa linha diante da reconhecida autonomia da Polícia Federal.

Poderia ter seguido outro caminho: afirmar que acreditava na inocência do prefeito. — Também não o fez.

Poderia ainda tentar desqualificar as acusações, chamando-as de infundadas. — Nada disso.

João Maia — prestem atenção — preferiu minimizar a operação da Polícia Federal — como se não fosse um terremoto na vida de qualquer pessoa.

— Afirmou que a operação da Polícia Federal teve um impacto “insignificante”.

Para o brasileiro comum, uma simples blitz com o documento vencido já provoca constrangimento, vergonha, autocrítica.

Imaginemos então ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

Para muitos seria um abalo profundo.

Para outros, aparentemente, apenas um detalhe. — É isso mesmo?

O fato é que a investigação segue e o episódio está longe de ser encerrado. O prefeito também está sendo alvo de outras apurações, inclusive no plano eleitoral, com novas diligências solicitadas pelo Ministério Público, com pedidos de quebra de sigilo bancário e realização de perícias contábil-financeiras e publicitárias.

Assusta perceber como o peso da consciência pode variar tanto entre as pessoas — e como, na política brasileira, acontecimentos que deveriam gerar reflexão acabam sendo tratados como banalidade.

— Nosso eleitor está lendo, tá assistindo e refletindo

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A coragem e a inspiração de Malu Gaspar. A mulher do ano. Por Aragão.

A versão atualizada de Davi contra Golias: no lugar de Davi, uma mulher, jornalista e brasileira — Malu Gaspar. No lugar de Golias, um sistema brutal que controla o país.

— Ela vai ser presa. Ela vai cair.

É isso que repetem a todo instante. Mas ela segue.

Não tem uma funda, tem apenas a palavra — que gira por toda parte e tem batido forte naqueles que não utilizam meios republicanos em seus ofícios. O que muitos não teriam coragem de dizer, Malu repete. E, a cada dia, coloca um tijolo onde está construindo uma prisão da qual não será possível fugir.

— Os fatos acusam.

— A opinião pública é o grande júri.

Não com retórica militante, nem com ataques pessoais — mas com aquilo que define o verdadeiro jornalismo investigativo: documentos, apuração e disposição para publicar o que outros prefeririam deixar nas sombras.

— Malu Gaspar carrega uma multidão dentro de si.

Brasileiros cansados da impunidade, da covardia e dos conchavos aprenderam a admirar sua bravura em cada reportagem, em cada programa. Muitos já respeitam mais a jornalista do que o próprio canal onde ela trabalha.

Hoje, Malu é a própria notícia.

Uma notícia inspiradora: a de que ainda podemos — e devemos — sonhar com mudanças, porque existem pessoas com coragem para provocá-las.

Foi por isso que nosso blog decidiu, neste mês da mulher, homenagear aquela que merece um ano inteiro: Malu Gaspar

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Museu das Grandes Novidades. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

-Pelo amor de Deus, não se fala em outra coisa: Vorcaro, STF, máfia do banco Master, INSS, CPMI…
Falem do caos na saúde, na educação e na segurança pública.

Pois é, amigo leitor. É aí que mora o problema: a engrenagem é uma só.

Segue o fio.

1959 a 2001: Desvios na SUDAM, SUDENE, FINAME e FINOR levaram pelo menos 16 bilhões do povo brasileiro.
Dinheiro suficiente para construir 640 Institutos Técnicos Federais.

1991: Jorgina de Freitas comandou uma quadrilha que roubou 2 bilhões do INSS.
Daria para construir 100 maternidades regionais ou 30 hospitais modernos.

1999: o Banco Marka, de Salvatore Cacciola desviou 3,7 bilhões.
Daria pra zerar a fila de crianças que esperam pela medicação Zolgensma e salva-las da AME.

1990-2004: Vampiros da Saúde desviaram 4,08 bilhões.
Mais 20 hospitais regionais de ponta e 150 policlínicas ou UPAs. Ou 600 escolas totalmente equipadas.

2005: Mensalão. Prejuízo de 1 bilhão.
30 presídios para 300 presos ou 20 de segurança máxima (até tenho alguns nomes pra mandar pra lá…).

2015: Operação Zelotes. Prejuízos de 19 bilhões.
Daria pra construir 140.000 casas populares totalmente mobiliadas.

2017: operação Lava Jato. Maior esquema de corrupção da história (talvez do mundo). Prejuízo de 88,8 bilhões só na Petrobrás.
Daria pra recuperar todas as estradas federais do País (CNN).

2018 a 2025, progressivo e acentuado a partir de 2023 (BBC): quadrilha dos descontos indevidos comandada pelo “careca”do INSS (não damos sorte com carecas). Prejuízo de 6,3 bilhões.
Daria pra instalar gás natural em 2 milhões de casas populares.

2025: máfia do banco Master. Prejuízo de pelo menos 12 bilhões (até agora).
Suficiente para implementar saneamento básico em 1.200 cidades de 10 mil habitantes.

Todos esses escândalos envolveram políticos de diferentes lados e partidos.

Por isso repense a lealdade a seu político ou partido de estimação. Repense também se ainda faz sentido essa classificação entre esquerda, centro e direita.

Talvez a única classificação sensata seja: os que pensam no povo e os que pensam no bolso.

Luis Marcelo Cavalcanti  é  Advogado e Procurador do Estado.

 

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É ético a investigação expor a vida privada do Vorcaro? Por Aragão.

A Polícia Federal esta fazendo um trabalho excepcional para que possamos prender os culpados, expondo o esquema de corrupção impressionante e inimaginável. — Todos merecem ser punidos. Mas parte das mensagens divulgadas publicamente envolve conversas privadas do investigado com namoradas, modelos e pessoas de seu círculo íntimo. Trechos que pouco ou nada acrescentam à compreensão dos crimes investigados passaram a circular amplamente na imprensa.

É compreensível que a exposição de figuras envolvidas em escândalos gere curiosidade. A sociedade dificilmente resiste a uma boa fofoca. Gera entretenimento e engajamento.

Mas isso tem um efeito colateral. Quando conversas privadas são tornadas públicas, não se expõe apenas o investigado. Pessoas que não têm qualquer relação com os crimes — namoradas, amigos, interlocutores ocasionais — acabam sendo arrastadas para o centro do escândalo. Muitas vezes são transformadas em personagens de um espetáculo público, tem suas vidas expostas ao vexame sem jamais terem cometido crime algum.

Nesse ponto, a investigação deixa de atingir apenas o suspeito e passa a produzir danos colaterais. Penso que em um Estado de Direito, a legitimidade da Justiça nasce da prova, não da exposição de terceiros.

Os crimes que tenham sido cometidos já são, por si só, suficientemente graves para justificar escrutínio público. É necessário recorrer à exposição de aspectos íntimos que nada acrescentam à demonstração dos fatos?

Questionar os limites da exposição pública não significa defender investigados. Particularmente, espero que o Vorcaro pague, exemplarmente, por cada crime. Sinto uma esperança que o Brasil possa dar certo quando vejo uma operação dessas. Apenas me coloquei no lugar dos que não tem nada a ver com os delitos.

Por isso, acredito que a investigação corre o risco de entrar em um terreno delicado: o da exposição pública como instrumento de pressão ou constrangimento. Isso é ético? Vale tudo?

Esse expediente pode ser eficaz para mobilizar a sociedade, mas inevitavelmente empobrece o nível do debate.

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Quantos Vorcaros existem em Natal? Por Aragão.

Vivemos uma época em que o sucesso passou a ser medido quase exclusivamente pela régua do dinheiro. Quando essa lógica se impõe, a sociedade passa a tolerar quase qualquer coisa desde que se produza riqueza.

  O efeito colateral é que os valores se perdem. Anestesiados, não sentem mais dor quando corrompem e a sociedade aceita na esperança de aproveitar um pouco da sombra ou dos frutos da árvore proibida do contraventor. Um caso como Vorcaro é realmente um exagero sem precedentes pois não é apenas sobre corrupção — inclui violência, também. 

Quantas fortunas em nosso estado não tem raízes na corrupção? Apesar de termos grandes empresários idôneos e éticos que ajudam a desenvolver nosso RN gerando emprego e renda. Por outro lado, sabemos que existem outros que a origem dos recursos, as sementes da riqueza foram plantadas no solo fértil da corrupção. Licitações fraudulentas, influência nos 3 poderes e subornos. — São pequenos Vorcaros que circulam entre nós. 

Como a sociedade tem fome de dinheiro e poder, fica na esperança de pegar algum fruto, mesmo bichado, ou que o grande empresário possa lhe quebrar algum galho. Nossa tolerância coletiva é seletiva enquanto houver benefícios indiretos. 

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” — Ruy Barbosa.

A corrupção não é apenas um crime. É também um ambiente cultural que se forma quando a sociedade passa a admirar o resultado e ignora os meios. Quando a desonestidade passa a ser tolerada no topo, suas sementes germinam por toda a sociedade:

— no motorista que avança o sinal vermelho;

— em quem fura uma fila;

— em quem usa influência para obter vantagem.

Quantos Vorcaros em todas as suas dimensões, proporcionalmente, existem em Natal? no RN? e no Brasil? 

— Se quisermos ver um Brasil novo florescer, a justiça tem que começar a poda já.

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