Arquivo de Opinião - Página 4 de 23 - Blog do Aragão Arquivo de Opinião - Página 4 de 23 - Blog do Aragão

A- A+

Com inteligência demais e carisma de menos, Rogério Marinho conseguirá ser governador? Por Aragão.

— Os tolos também votam. Eis o problema.

Ninguém pode questionar a habilidade, o raciocínio rápido e a lucidez de Rogério Marinho. Essas qualidades abriram as portas para que ele entrasse nos mais restritos círculos do poder da direita — hoje, é o líder da oposição no Senado. É uma referência no Brasil como uma voz contra o sistema, que sabe se posicionar sem afetação ou extremismos — deixando-o imune, até agora, aos olhares atentos do STF.

Do ponto de vista técnico, é um dos quadros mais qualificados da política potiguar. Mas Rogério Marinho convence pela lógica, e raramente mobiliza pela emoção. Explica com clareza, mas não encanta. Seu discurso é correto, consistente — e frio. Isso não é defeito de caráter, é traço de perfil. Mas perfis também vencem ou perdem eleições.

No meio do povão, ele parece sempre distante; falta conexão. Em um estado como o RN, onde a política ainda passa muito pela relação direta, pelo contato humano e pela sensação de pertencimento, essa distância cobra um preço.

— A verdade desconfortável e incontestável que sempre reaparece: Os tolos também votam.

E isso não é um insulto — é um dado da democracia, ainda o melhor regime de governo que existe. Nela, o voto é universal: alcança o cidadão bem informado e o desinformado; o que analisa propostas e o que decide por impulso, por indicação, por simpatia, por raiva ou pela simples rejeição ao “jeito” do candidato.

Em nosso estado, uma grande parte dos eleitores é formada por pessoas com baixa instrução e que ainda votam por identificação ou conexão emocional. — Lembremos que a taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média nacional e que o ensino médio no RN ocupa o último lugar no Brasil no IDEB.

É comum, por aqui, não vencer o mais preparado, mas quem consegue se comunicar, gerar empatia e engajar-se com a massa — muitas vezes distante do debate técnico e pouco conectada a números, diagnósticos ou soluções estruturais.

— Eis o desafio de Rogério Marinho.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

2ª Carta aberta à diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabiana Lopes. Por Aragão.

Caríssima Fabiana, 

— O sol nasceu para todos.

Gostaria de pedir que sua empresa não ficasse entre a nossa gente e o sol — porque aqui é a nossa terra e é a terra do sol, também.

A solução prometida pela Cosern a uma APER (Associação Potiguar de Energias renováveis), ajoelhada, não está sendo realizada dentro de um prazo razoável. É tempo demais impedindo os benefícios do sol brilhando em nossas placas solares. O presidente da APER, Williman Oliveira, me falou que a Neoenergia iria fazer as compensações e devolver os valores de quem pagou a conta sem a devida compensação — ele mentiu? 

Recentemente, o Williman Oliveira também me disse que a Neoenergia precisa agora de 4 meses para regularizar as compensações, devido a uma mudança no software da companhia. Ora, uma empresa como a que você administra não deveria ter comunicado com antecedência, para que houvesse uma migração antecipada da forma de compensação, em prioridade para percentual? Para que assim nossa gente não ficasse no prejuízo?

A sensação que tenho é que estamos presos à Neoenergia Cosern como quem fica grudado num fio desencapado — é muito choque e não se pode largar devido ao monopólio. O maior choque foi não ter as contas devidamente compensadas. Entre as pessoas afetadas, tem, inclusive, muita família humilde que não pode arcar com esse prejuízo enquanto a Neoenergia lucra com a situação.

O problema é muito maior do que imaginávamos. — Não são apenas entre 10 mil a 15 mil beneficiários, são 230 mil pessoas afetadas — é muita gente insatisfeita e que tem se revoltado nas redes sociais. Peço que sua gestão possa funcionar como um transformador que reduz a tensão social.

— É importante lembrar que o sol não nasceu somente para a Neoenergia Cosern, mas nasceu para todos, Fabiana.

Nasceu para a Neoenergia Cosern, que lucrou 404,3 milhões em 2024, e também para o povo do RN, os 230 mil beneficiários, que não querem perder mais dinheiro com o atraso nas compensações.

Continuo confiando na sua sensibilidade e desejo boas energias.

Comentários (1)

Magna Costa 11 jan 2026

Como citado em seu artigo "o sol nasceu para todos" peço licença poética para endossá-lo, pontuando aqui que o sol continua nascendo para todos diariamente no mundo, sua intensidade, movimento e fonte não é atribuída a nenhum CNPJ, posto que Deus não é pessoa jurídica. Se já uma fonte natural que gera benefícios para humanidade em condições de igualdade, não é justo que uma empresa lucre e cause prejuízos tutelando um bem (fonte e seus benefícios) que não lhes pertence.

Compartilhar artigo:
A- A+

Verão no RN. É mar, é sol e engarrafamentos sem fim. Por Aragão.

— Cada engarrafamento é uma carreata pedindo mudança.

Só temos duas certezas na vida. Uma é que não somos eternos. A outra é que nossos engarrafamentos são. Não importa a praia escolhida: o destino final é quase sempre o mesmo — um trânsito caótico, travado, escoando lentamente. Um verdadeiro mar de carros parados. Seja no litoral Norte, Sul, em Tibau ou em qualquer outro trecho do estado.

— Um estado paralisado.

Não apenas na economia. Perdemos tempo e dinheiro nas estradas porque o governo do estado assiste passivamente a essa realidade. Horas desperdiçadas, combustível queimado, veículos desgastados — pastilhas de freio, câmbio, embreagem — tudo isso simplesmente por nos arrastarmos pelas rodovias.

Justamente no período reservado ao lazer, quando deveríamos aliviar o estresse, somos submetidos a mais tensão gratuita. Motoristas mais impacientes, riscos maiores de acidentes e a sensação constante de que nada avança.

Lembre-se disso no próximo engarrafamento: ele não é apenas trânsito parado.

Ele é, na prática, uma carreata pedindo mudança.

— Então, muda RN!

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

A APER se ajoelha perante a Neoenergia e esquece mais de 10 mil beneficiados da energia solar. Por Aragão.

Um associado da APER — Associação Potiguar de Energias Renováveis — procurou o Blog Marcus Aragão para relatar seu descontentamento com a postura da entidade. Uma postura que beira a submissão e prefere não incomodar a gigante monopolista Neoenergia Cosern que vem trazendo prejuízos crescentes aos geradores e os mais de 10 mil beneficiários da energia solar.

— A linha de atuação da APER é apenas uma sombra do que deveria ser.

O presidente da APER não se manifesta publicamente pressionando a Cosern para uma implantação mais rápida da solução sobre a não compensação de geração da energia solar. Bem, a APER mais parece um escritório de advocacia que quando fala é como se fizesse uma sustentação oral em defesa da Neoenergia.

— Nenhuma postagem da APER criticando o tema da não compensação da energia solar. Nenhuma.

Não creio que o presidente da APER receba algum incentivo ou vantagem para agir dessa maneira, suponho que seja medo mesmo. Poderia ser perseguido? Retaliado? Não seria impossível cogitar represálias de um poder tão desproporcional que se torna exorbitante através de uma concessão exclusiva do povo do RN.

— Se não pode com o pote, não pega na rodilha.

Esse receio em não incomodar a Cosern serve de estímulo para que os grandes grupos monopolistas continuem o processo de exaurir o segmento de energia renovável — frustrando o associado e afastando clientes da energia solar com polêmicas e prejuízos crescentes.

Hoje, a APER não está à altura do conflito vivido pelos geradores e seus respectivos clientes. O setor precisa de uma entidade que não hesite em acionar Procon, Aneel, Tribunal de Contas e Ministério Público quando necessário.

Por exemplo, por que ainda não protocolou Pedido de Providências junto ao Tribunal de Contas do RN para fiscalizar a concessionária quanto à Taxa de Iluminação Pública? Enquanto a APER protela, o associado continua no prejuízo.

— Que a APER reassuma sua postura na defesa dos geradores e beneficiários de energia renovável.

Comentários (1)

Sandro Alves 08 jan 2026

O pior que não temos a quem recorrer, já fui numa agência da Cosern e diz, não se resolve aqui, já liguei e diz que nao se resolve aqui. Liguei para o 800 da compensação e não atendem. Um absurdo.

Compartilhar artigo:
A- A+

O Brasil parou tudo para apostar (nunca o governo federal foi tão sincero). Por Luis Marcelo Cavalcanti.

Ontem, ao assistir ao sorteio da mega da virada (óbvio que também apostei), me deparei com essa vinheta da CAIXA estampada na foto. Sem querer, o próprio governo federal admite a tragédia que tomou conta do país nos últimos 05 anos. A frase dúbia, pensada para divulgar o prêmio bilionário da mega, atestou o que todos já sabem: o Brasil literalmente parou para apostar em Bets e jogos como o Tigrinho, que estão destruindo economia, famílias, empregos, relacionamentos e saúde mental.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio, só em 2024 o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas. Em Minas Gerais, a perda pode chegar a R$ 30 bilhões, reduzindo o PIB estadual em R$ 18 bilhões. (Fonte: G1/MG).

“São pessoas que jogam e usam os cartões de crédito de forma compulsiva e sem controle – como é próprio em todo o tipo de jogo de azar. Em apenas um ano, os brasileiros apostaram cerca de R$ 100 bilhões no Jogo do Tigrinho e outros”, revela estudo realizado pelo professor José Pastore, uma das maiores referências no assunto (O Estado de S.Paulo, 26 de setembro de 2024).

“O Hospital das Clínicas aqui em São Paulo já admite não ter mais estrutura para receber pessoas para tratar esse problema este ano. Estamos falando de saúde pública, de um problema que é uma epidemia”, explica Ione Amorim, consultora do IDEC.

Matéria publicada pela Agência Brasil aponta que os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets em 2024 e os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em bets, por meio de  Pix, em agosto de 2024, segundo o Banco Central.

A verdade é que, quando se unem vício e desilusão, o resultado não pode ser menos trágico. Os gatilhos de dopamina que o sistema de recompensas dispara no cérebro do apostador contumaz vem preencher, também, o vazio de quem já  não acredita ser possível alcançar sua independência financeira com trabalho duro e honesto. Reflexos de uma nação desorientada, abandonada e sem referencial de construção de uma carreira que não dependa de sorte ou azar.

Luis Marcelo Cavalcanti é Procurador do Estado e advogado.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

São Paulo não aceita a renovação da concessão na distribuição de energia elétrica. Por Aragão.

— O apagão de hoje à tarde (23/12) em Natal, que deixou 18 mil casas sem energia, me lembrou como o RN tem uma postura diferente de São Paulo.

A Aneel emitiu parecer técnico favorável à renovação da concessão tanto da Enel em São Paulo quanto da Neoenergia Cosern no RN. Em São Paulo, porém, a insatisfação com a distribuidora levou Prefeitura, Governo estadual, Ministério Público e até a União a se movimentarem contra essa renovação: houve ações e pedidos na Justiça, e o processo de renovação antecipada da Enel SP acabou suspenso por decisão judicial enquanto se apuram falhas graves no serviço.

Enquanto isso, no RN, a Neoenergia Cosern segue com parecer técnico favorável à renovação de sua concessão por mais 30 anos. Tudo isso num estado em que consumidores precisam recorrer ao Procon Natal e à repercussão pública nas redes sociais para ver um direito básico — a correta compensação da energia solar gerada — minimamente respeitado. Só nessa questão, segundo a Associação Potiguar de Energia Renovável, entre 10 mil e 15 mil potiguares foram obrigados a pagar a conta integral, sem a compensação da geração solar.

E não é só a não compensação da energia solar. O Procon questionou formalmente a empresa sobre:

•cobranças abusivas relativas à Contribuição de Iluminação Pública (CIP);

•cobrança indevida de bandeiras tarifárias (amarela e vermelha) a consumidores geradores;

•cobrança de ICMS suspenso sem restituição;

•e a ausência de canais eficazes de atendimento para quem produz a própria energia.

Em SP, o debate é sobre apagões na rede. No RN, os apagões são no bolso do consumidor.

O sistema de monopólios acomoda demais qualquer empresa, em qualquer segmento, em qualquer lugar. Veja, por exemplo, a Neoenergia Cosern informou a APER no sábado que vai regularizar a questão da compensação da energia solar gerada, ok. Mas precisa de uma semana inteira para conseguir se organizar? Será que o ritmo seria esse se ouvisse concorrência? 

— O povo do RN que lute.

— O que precisa acontecer para que o cidadão potiguar seja ouvido e respeitado sem precisar escalar o problema? Sem precisar uma mobilização pública?

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

O Natal sem Luz do CDL. Por Aragão.

O Natal sempre foi a época do ano em que o lojista olha para o fim do túnel e espera ver alguma luz. Pode ser pequena, mas precisa existir. Se depender do CDL Natal, permanecerá no escuro com as vendas retraídas pois a luz emitida não iluminará o caixa do comércio.

Depois do pífio Liquida Natal que mingua e encolhe a cada edição, temos uma campanha que não reflete a expectativa do lojista nem dos consumidores. Mais uma ação que parece cumprir tabela pela fórmula já batida e rebatida de sorteio. Não critico a comunicação pois cumpre seu papel, mas o desgastado argumento que não convence.

Não bastasse o lojista lutar contra os impérios globais do varejo como Amazon, Mercado Livre e Shopee, Shein, não conta com auxilio real da entidade que poderia trazer um incentivo fiscal conseguido junto ao governo do RN. Não podemos esperar uma condição tributária melhor para o período? Uma taxa de juros diferenciada negociada na rede bancária?

Não adianta uma entidade de classe se preocupar apenas com a “Vitrine” da sua gestão levantando cartaz de campanhas repetitivas e sem engajamento. 

Um texto só é bom se não termina na última linha, mas acompanha o leitor nos seus pensamentos. Por isso deixo uma pergunta: — Presidente de entidade de classe pode ter regime especial de tributação? Como poderia pressionar o governo em busca de melhorias para a categoria se poderia perder sua benesse? 

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Carta aberta à diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabiana Lopes. Por Aragão.

Caríssima Fabiana,

Confesso que levei um choque quando soube que entre 10 mil e 15 mil beneficiados pela geração de energia solar tiveram suas contas de energia não compensadas e ficaram no prejuízo. Isto é, nesse mês, a Neoenergia Cosern cobrou de todos a conta cheia, sem compensação — como se não houvesse geração alguma nas respectivas usinas solares.

— Essas pessoas estão vivendo em alta tensão pelo prejuízo. Tensão que estressa demais, pois nos atendimentos da Neoenergia há uns postes que nada resolvem.

Nem sabia que havia tanto potiguar entre geradores e beneficiados, mas os dados são da APER (Associação Potiguar de Energia Renovável). — É muita gente mesmo, eis o motivo da carta: precisamos de uma luz.

Para uma gigante como a Cosern, que lucrou R$ 404,3 milhões em 2024, pode não fazer tanta falta, mas para esses 10 mil a 15 mil beneficiados que moram em um estado pobre como o RN, certamente faz.

O argumento da Neoenergia é que a leitura dos imóveis beneficiados foi feita antes da leitura da respectiva unidade geradora (imóvel onde estão as placas solares), não sendo possível compensar o crédito porque não foi lido a tempo. — Esse fato explica, mas não convence. Simplesmente porque a Cosern nunca erra ou argumenta para o consumidor pagar menos, Fabiana.

Sempre o impacto que temos em nossas contas é para pagar mais, seja por um motivo, seja por outro. Seja uma tarifa nova, uma bandeira, um fio B, entre outros.

— O monopólio no RN é uma linha de transmissão exclusiva para o lucro. 

Ter um mercado inteiro na mão é uma benesse incomparável. E a Neoenergia Cosern está pleiteando a renovação da concessão na distribuição de energia elétrica no RN por mais 30 anos. Eu sei, você sabe e o mundo inteiro sabe que concorrência melhora o serviço e reduz o preço. O varejo da energia elétrica na Espanha não é monopólio — os espanhóis são realmente espertos.

Bem, termino esta pequena carta desejando boas energias para a senhora e, se não for pedir muito, solicito uma luz para nossos mais de 10 mil potiguares.

— Feliz Natal e um 2026 iluminado para todos nós.

Foto: Ulisses Dumas.

Comentários (1)

Geraldo 17 dez 2025

A COSERN sempre considerou para compensação o “ciclo de faturamento” que nada mais é do que a leitura feita nos dias que antecedem o fechamento, independente da ordem que as leituras forem feitas. E essas datas de leitura são estabelecidas pela COSERN, seguindo suas rotas, e nunca houve problemas de compensação. Agora a COSERN(que é quem determina as datas das leituras dos diversos imóveis que recebem compensação de uma geradora), não quer compensar dos imóveis cuja leitura for feita depois da leitura da geradora. Confunde “DATA DE LEITURA “ com “CICLO DE FATURAMENTO “, uma interpretação diferente de tudo que vinha sendo feito até agora, o que não podemos aceitar de jeito nenhum, nem que tenhamos que recorrer a justiça.

Compartilhar artigo:
A- A+

A Cultura do cancelamento é a nova guilhotina. Por Aragão.

 

A esquerda cancela a direita, que cancela a esquerda, e ambos cancelam o centro. São empresas, reputações e vidas guilhotinadas por um gesto, uma ação, uma frase. Esse é o desdobramento natural da intolerância generalizada que habita as redes sociais, onde os algoritmos se alimentam da polarização. Eles lucram enquanto as cabeças rolam.

Nunca a intriga, a discórdia e a violência foram tão semeadas como em nossa geração — e a colheita se aproxima. Já vemos amizades se rompendo, familiares distantes e discussões sem fim nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp.

A mesma pessoa que louva a Deus com fervor diariamente esquece de seguir os passos de Jesus no exato momento em que entra no campo da política. É fé misturada com intolerância. Posso discordar de um gesto, de uma fala ou de uma postura, mas não desejo que o outro lado se acabe ou seja destruído.

Estamos andando para trás na história. Já se provou, repetidas vezes, que a intolerância é o ovo da serpente: cedo ou tarde, produz violência generalizada, que depois ninguém consegue controlar. Na Revolução Francesa, os jacobinos iniciaram a sanha da guilhotina e terminaram vendo seus próprios líderes debaixo da lâmina. A violência sempre volta.

O assunto da vez é o evento do SBT promovido por Fábio Faria e Patrícia Abravanel com a presença de Lula e Alexandre de Moraes. Todo mundo tem o direito de não gostar, de criticar, de ironizar à vontade. Mas existe necessidade de cancelamento? Particularmente, posso não gostar de um opositor ou adversário, mas não quero destruir ninguém. Quem tem muita sede de sangue termina, cedo ou tarde, bebendo o próprio.

Nelson Rodrigues tem uma frase que parece escrita para o nosso tempo: “Quando os amigos deixam de jantar com os amigos por causa da ideologia, é porque o país está maduro para a carnificina.”

Que possamos discordar, criticar, votar contra, fazer oposição firme — mas, diante da nossa dificuldade em amar o próximo como a si mesmo, que ao menos não o odiemos.

— Quando queremos levar os outros para a guilhotina, é porque já perdemos a nossa cabeça.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Triste do país que coloca nos outros sua esperança de mudança. Por Aragão.

O país é nosso e nós é que temos que resolver nossas questões. Esqueçam Trump.

Trump Business Center é o presidente que quer apenas fazer negócios. É um negociador. Põe tarifa, tira tarifa, coloca Magnitsky, tira Magnitsky, ameaça a Rússia, acena para a Rússia; enfim, tudo é barganha — a única bandeira que levanta tão alto quanto a tocha da Estátua da Liberdade é o “money first”.

A Venezuela, se não tivesse petróleo, poderia passar despercebida como tantos países miseráveis da África que vivem sob regimes ditatoriais e brutais.

Suas ideologias são defendidas de forma conveniente, apenas para dar verniz às negociações. Democracia? Não defende tanto assim: se defendesse de verdade, não se relacionaria tão bem com ditaduras como a da Arábia Saudita. Money first, lembra?

Na verdade, nunca fui a favor de intervenção nenhuma no Brasil. Nunca vi nenhuma nação mover uma palha para “ajudar” outra que não fosse movida por interesses comerciais.

Enfim, enquanto nós, brasileiros, terceirizarmos a solução dos nossos problemas, nunca avançaremos como nação.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo: