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A Ditadura da Beleza. Por Aragão.

Nada contra buscar a sua melhor versão — isso é legítimo. Mas o que temos visto é uma obsessão sem fim. Mulheres bonitas gastando fortunas em cosméticos ou se submetendo a procedimentos invasivos, muitas vezes sem precisar. Seria busca por aceitação? Para suprir carências invisíveis? Ser belo hoje não é mais apenas desejável — é uma espécie de dever.

Sou totalmente a favor das cirurgias plásticas, dos procedimentos estéticos, dos produtos de beleza, também. O que me preocupa são os excessos, a busca desenfreada que termina por ferir o bom senso.

Natália Cavanellas, empresária de 40 anos e fundadora da agência NC HUB360, passou por três procedimentos simultâneos — lipoaspiração, injeções nos glúteos e ajuste de próteses mamárias — no Hospital San Gennaro, na Zona Leste de São Paulo, no dia 7 de julho. Durante a aplicação na região glútea, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e, mesmo com manobras de reanimação, não resistiu

Ela já era bonita mas queria mais. É difícil resistir. É tanta pressão disfarçada de bem-estar que as multinacionais do setor bem poderiam se chamar Stalin Cosméticos ou Fidel Produtos de Beleza. Eles não prendem com armas, mas com espelhos. Se você é contra, pode ser enviada para a Sibéria dos feios ou para o Paredão dos fora do padrão.

A questão principal é que nunca estará bom. Porque isso seria péssimo para os senhores da beleza. Você busca algo inalcançável. Uma corrida infinita que cobra caro em dinheiro, tempo, saúde — e, às vezes, vidas.

Se você não encontra beleza na vida, não vai encontrá-la em você mesma. A indústria não lucra com mulheres bem resolvidas. Elas não consomem o que não precisam.

A decisão tem que ser sua. Faça um preenchimento na sua vida espiritual, uma lipo nos hábitos que te adoecem, pinte seus dias com as cores da natureza. Dê uma injeção de ânimo na sua rotina.

Você vai ver que a vida é linda. Assim como você.

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Romulo 11 jul 2025

Excelente, parabéns… particularmente pela conclusão! Bom final de semana!!

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Marcos Dantas, a primeira cabeça que rolou dessa guilhotina foi a sua. Por Aragão.

Esse professor aposentado da UFRJ mostra que perdeu a cabeça. Como não a tem, deseja isso para todos os outros. Cometeu a infâmia de sugerir que uma criança deveria ser guilhotinada por ser rica. Não sei se por ignorância, desconhecendo os fatos que explicarei a seguir, ou se por usar o fígado no lugar do cérebro, analisa os fatos banhados em sua bile.

Quando ele sugere guilhotina, mostra que não sabe que a Revolução Francesa — na fase denominada “Grande Terror”, foi um banho de sangue sem precedentes, provocando uma inflação galopante e resultando em fome e miséria para os franceses. A França só recupera a paz social, a estabilidade, quando a revolução acaba definitivamente com o 18 Brumário, que coroa Napoleão.

A violência tem que ser combatida, pois escala e fica incontrolável. É sempre assim: começa perseguindo os opositores e depois termina por matar uns aos outros. Foi assim na Inquisição, na Revolução e já estava começando com o Nazismo, mas a guerra abreviou. Os jacobinos Danton e Robespierre, líderes da Revolução Francesa, depois de enviarem milhares à guilhotina, foram mortos pela própria lâmina. Marat, outro líder jacobino, foi morto por um punhal dentro da banheira.

Você deve ter aprendido uma versão romantizada, em que a Revolução foi a tomada do poder pelo povo. Uma visão distorcida da realidade, adaptada aos interesses de determinada ideologia.

Usar a guilhotina como símbolo de justiça social é como usar a Inquisição como símbolo de fé ou a Gestapo como símbolo de ordem.

Danton, quando estava prestes a ser guilhotinado, pediu ao carrasco Charles Sanson: — “Mostre minha cabeça feia e grande para o povo.” E assim Sanson fez. Quando apresentou a cabeça à multidão, percebeu que as sobrancelhas de Danton se movimentaram por instantes e seus olhos ainda se mexiam, assustados. Há relatos de que a cabeça dos guilhotinados leva cerca de dez segundos para morrer após separada do corpo.

Certamente, foram nesses dez segundos após perder a cabeça que Marco Dantas digitou “guilhotina” na rede social do casal Justus.

— Marcos Dantas — a mula sem cabeça.

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Léo Lins 13 jul 2025

Em terra de internet, quem constrói a melhor narrativa é rei e esse é mais um caso. O sensacionalismo vende muito mais do que os fatos. A criança não foi ameaçada como é insinuado e isso pouco interessa, já que o importante é a narrativa (verdadeira ou não).

Fliper Costa 09 jul 2025

Parabéns! As revoluções não são românticas! Os extremistas não são justos! Seu texto foi muito bem construído e a analogia usada foi impecável!

Maria de Fátima 09 jul 2025

Sugestao totalmente sem lógica p um professor universitário!

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Era uma vez um país que gastava demais. Por Aragão.

Sempre que o dinheiro faltava, bastava aumentar os impostos sobre quem trabalhava. E tudo se resolvia — garantindo superpoderes a quem detinha a caneta mágica. A gastança continuava. Não faltava verba para emendas, apoios, campanhas. O que faltava era freio, vergonha e responsabilidade fiscal.

Um dia, porém, montanhas cada vez maiores de dinheiro começaram a sumir nas bocas de lobo da corrupção. Cada centavo arrecadado, desaparecia. Quanto mais se taxava, mais se perdia. E é aqui que começa a parte triste da história — quando o mocinho, o contribuinte, já não conseguia bancar mais uma alta de impostos.

— Uma história mal contada.

Em maio de 2025, a arrecadação federal bateu recorde: mais de R$ 230 bilhões em um único mês. Um ganho real acima da inflação de 7,7%. O governo comemorou. Mas o gasto público cresceu ainda mais.

O roteiro se repetia. O país arrecadava como nunca — e gastava como sempre. Ou mais. Enquanto isso, um crescimento econômico anão se arrastava pela paisagem.

O contribuinte, exausto, tentava entender por que o dinheiro que ele suava para pagar sempre ia parar na Terra do Nunca — nunca voltava em forma de escola decente, hospital funcionando ou segurança na esquina. Descobriu que grande parte da arrecadação era devorada por gastos obrigatórios: previdência, folha de pagamento, repasses engessados por lei e o vilão de sempre — a corrupção. O sonho do País das Maravilhas ficava cada vez mais distante.

— Quem é o lobo mau?

Existem vários. Um assina o atraso, outros devoram emendas. Tem os que mordem o bolso de quem passa pela frente. E há ainda os que, vestidos em pele de cordeiro, tentam esconder o aumento da carga tributária. Basta apertar mais aqui, disfarçar ali, reinventar o IOF ou criar uma taxa com nome simpático.

Em 2027, toda a arrecadação poderá ser consumida pelos gastos obrigatórios — e o país do futuro vai parar no presente, vítima de uma maldição do passado que mantém os bandidos domando o monstro da corrupção desde sempre. Se não surgirem novos personagens no país que gastava demais, não teremos um final feliz. Mas, com certeza, teremos um capítulo final.

The End.

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Maria de Fátima 01 jul 2025

👏👏👏👏👏👏sensacional!!!!

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A Chuva da Hipocrisia. Por Aragão.

Enquanto Natal enfrenta problemas de drenagem, provavelmente desde a época em que o menino Câmara Cascudo perdia suas bolas de gude nas áreas alagadiças da Ribeira, a cidade enfrenta um dilúvio de narrativas.

A esquerda culpa a atual gestão, que está no sexto mês, e a direita culpa o governo do Estado, que vai para o seu sétimo ano. Como a verdade foi substituída pela conveniência, cada um defende seu lado — e não o lado da verdade. Outra coisa é que os lacradores, em busca de likes e engajamento, fazem tempestade até num copo d’água. Sugiro ao eleitor pegar um guarda-chuva para se proteger desses que falam cuspindo agressões.

— Pode tirar seu cavalinho da chuva.

Como bem falou o Blog do Dina, “nenhum deputado ou senador, seja de direita ou de esquerda, destinou um real para a drenagem de nossa cidade, por meio das emendas de 2020 até hoje” — nenhum realzinho molhado para resolver. Mas já sabem levantar o dedo, clicar em “gravar” e começar a fazer vídeos com trovões de indignação. Enquanto isso, nossa cidade segue encharcada de discursos de sempre, que só geram goteiras nas narrativas e mofo nas promessas.

As eleições estão chegando, e quem sabe vai raiar o sol para iluminar um novo amanhã, onde nossos parlamentares estejam unidos contra os eternos problemas de nossa cidade e do nosso Estado.

Foto: Vinicius Marinho

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Maria de Fátima 25 jun 2025

Perfeito!

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Ninguém solta a mão de ninguém. Mas soltaram a mão da Andreyna Patrício. Por Aragão.

 

A repórter da Rádio Tropical estava em seu lugar de fala. Sozinha, sendo atacada, ela representava a minoria diante do ódio. E muitos silenciaram. O que é mais importante: combater a violência ou proteger a ideologia?

Infelizmente, não vimos a esquerda condenar o ato de violência.

É preciso que todos lutemos para defender as vítimas de agressão, os violentados, os injustiçados — não apenas quando forem “do nosso lado”. — Hipocrisia que chama?

Vamos lutar juntos contra a agressão — ou só quando o agressor não é “do nosso lado”?

A verdadeira luta contra a violência não tem cor, sexo, religião nem partido.
Nossa pauta deve ser a defesa do ser humano.
Nossa agenda permanente deve ser o combate à violência e a defesa da mulher, das crianças, da comunidade LGBT e da liberdade religiosa. Nosso compromisso deve ser com a justiça.

— Se você se calou, você defendeu o agressor.
Além de hipocrisia, isso deteriora o tecido social. Enfraquece seu discurso e estimula que outro repita — ou revide — a agressão, entrando assim numa espiral que só gera mais ressentimento.

Ninguém solta a mão de ninguém — mesmo que a outra mão vote diferente.

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Henrique Junqueira 17 jun 2025

A esquerda serve pra quê?

Maria de Fátima 17 jun 2025

👏👏👏👏👏👏

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Léo Lins. Santo ou diabo? Por Aragão.

Você já leu as frases do Léo Lins?

•“O uísque pra mim tem que ser igual à mulher: puro e com 12 anos.”

•“Sou totalmente contra a pedofilia, sou mais a favor do incesto […] abusa do seu filho, ele vai fazer o quê? Contar para o pai?”

•“Uma vez vi uma enquete: ‘O que vocês falam quando terminam de transar?’ Aí eu escrevi: ‘Não conta para sua mãe que te dou uma boneca.’ Me xingaram muito… Esse dia fiquei mal. Eu só fiquei melhor no dia seguinte, quando fui no parquinho olhar as crianças.”

•“Tem ser humano que não é 100% humano. O nordestino do avião? 72%.”

•“Se tiver algum anão aqui, no final do show a gente estoura […] vai ser pequenas causas.”

É impressionante como tanta gente julgou esse caso — para defender ou para condenar — sem nunca ter lido uma única frase. Apenas absorveram narrativas prontas, embaladas para confirmar o que já pensavam. Mas quase ninguém leu o conteúdo real. E é por isso que este artigo começa com algumas dessas frases: porque o leitor tem o direito — e o dever — de formar sua própria opinião com base em fatos, não em versões.

Tem piada do Léo Lins que, sinceramente, considero bobagem. E sim — tem muita gente por aí que vê problema em tudo. Que vem deixando o mundo chato e a isso podemos chamar de mimimi.

Mas há uma linha que não se cruza. E quando ele fez piadas com pedofilia e autismo, ultrapassou esses limites.

Algumas coisas simplesmente não se dizem. Nem em nome da arte. Nem em nome da liberdade. Porque há valores inegociáveis. Pela família, pela fé em Deus, pelas crianças do Brasil e pela pátria que queremos deixar para os nossos filhos.

E sim — ele merece alguma punição. Mas com proporcionalidade. Oito anos de prisão com 2 milhões de reais em multa e indenizações é realmente um absurdo. Não poderia ser uma prestação de serviço à comunidade? Bem, a Justiça precisa ser firme, mas também justa. Por outro lado, é preciso ficar atento para não utilizar esse caso para instituir a censura.

Léo Lins não é santo, nem diabo. É um ser humano e, como tal, erra. E errando, deve ser punido sem arbitrariedade, ideologia ou exageros. Porque, quando exageramos na sentença, podemos estar errando tanto quanto quem cometeu o crime.

Foto: Reprodução

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Orlando 08 jun 2025

Eu acho que essa punição não foi por essas piadas de pedófila outra citada, mas as piadas feitas com a autoridade suprema do país o Sr Sensura

Daniel Monteiro Rosa 08 jun 2025

Estamos caminhando para um lugar onde dificilmente conseguiremos reverter. Censura jamais.

Bora Costa 07 jun 2025

Concordo com vc Aragão A punição exagerada do Léo é um caminho para a censura, Acorda Brasil,

Flávio 07 jun 2025

Muito bem colocado

Maria de Fátima 07 jun 2025

Vdd! Tem q ser punido,até pq,faz piada c o q não tem a menor graça, é um chato metido a engraçado ,mas talvez,tenha sido exagerado dentro da nossa tradição de impunidade.

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Alô, Leonardo DiCaprio!!! 4.263 focos de incêndio no Brasil somente em maio. Por Aragão.

As chamas que devoram diariamente nossas florestas não comovem mais Leonardo DiCaprio nem Greta Thunberg?
Será que era só um personagem de DiCaprio que defendia nossa vegetação?
Pois é — os incêndios parecem ter derretido até as narrativas de ocasião.

Somente no mês de maio de 2025, o Brasil registrou 4.263 focos de incêndio, segundo o sistema BDQueimadas do INPE (@inpe.oficial).
Nossos seis biomas ardem num inferno esquecido.

Os dados são públicos. Oficiais. Alarmantes.
Mas o que mais chama atenção não é o número de queimadas — é o sumiço das reações.

Porque quando Jair Bolsonaro era presidente, cada foco de incêndio virava trending topic mundial.
Artistas internacionais gravavam vídeos indignados. ONGs ocupavam os noticiários.
E Leonardo DiCaprio praticamente virou comentarista oficial das queimadas brasileiras.
Quem esquece Greta Thunberg, a jovem ativista sueca, escrevendo em tom dramático sobre o “pulmão do mundo em chamas”?

Hoje, o fogo continua.
Mas os protestos evaporaram.

Talvez essa tenha sido só mais uma malandragem do Lobo de Wall Street — que agora assiste de longe enquanto o Brasil vai afundando como o Titanic.

The End.

Fonte: Poder 360

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Flávio 04 jun 2025

E o melhor foi o comentário final, kkk

Maria de Fátima 04 jun 2025

Comentário sensacional!!!!!👏👏👏👏👏

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Entre Spinoza e Adam Smith: O mito da mão invisível e o Deus real dos interesses econômicos. Por Fernando Rocha.

A obra “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, introduziu a metáfora clássica da “mão invisível”, segundo a qual os agentes econômicos, ao buscarem o interesse próprio, acabam promovendo, involuntariamente, o bem-estar coletivo. Para Smith, o funcionamento da economia é, assim, um mecanismo natural, autorregulado, que prescinde de uma força externa ou heterônoma para garantir sua harmonia e eficiência. Esse raciocínio, de caráter eminentemente naturalista, encontra uma curiosa analogia no pensamento de Baruch de Spinoza, que concebe Deus não como uma entidade transcendente e voluntarista, mas como a própria Natureza, ou seja, a substância única cujos modos são todas as coisas existentes.

Tanto Smith quanto Spinoza convergem na crença de que o mundo — seja o econômico, seja o natural — é regido por leis próprias, imanentes, cuja ordenação não depende de uma intervenção externa ou arbitrária. Em Spinoza, a causalidade universal é absolutamente necessária: Deus ou Natureza (Deus sive Natura) é a totalidade do ser, e todos os eventos se sucedem segundo a ordem e a conexão inevitáveis dessa substância única. Do mesmo modo, em Smith, a economia tenderia a um equilíbrio espontâneo, orientado pelos interesses individuais que, como se guiados por uma mão invisível, produzem efeitos coletivos desejáveis, ainda que não intencionais.

No entanto, ao se observar a prática histórica e contemporânea da economia, percebe-se que o suposto caráter “natural” e autônomo do mercado é frequentemente tensionado e contradito por intervenções externas, fruto de interesses políticos e econômicos específicos. A idealizada “mão invisível” é, em larga medida, substituída ou deslocada por uma série de ações estatais que modulam e condicionam o funcionamento do mercado conforme os interesses de ocasião.

O caso brasileiro é paradigmático. Estima-se que o governo federal concede, anualmente, mais de R$ 500 bilhões em benefícios fiscais, renúncias tributárias e subsídios creditícios e financeiros a diversos setores da economia, valor que corresponde a cerca de 6% do PIB. Essas transferências não são fruto de um modelo impessoal ou neutro, mas decorrem de pressões e articulações políticas das chamadas bancadas temáticas, que representam interesses econômicos muito específicos.

Independentemente da coloração político-partidária dos governos — seja de orientação liberal, desenvolvimentista ou progressista —, o Estado brasileiro historicamente favorece setores como o agronegócio, que recebe subsídios bilionários através do Plano Safra e créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); as instituições financeiras, beneficiadas por mecanismos de garantias públicas e resgates em crises sistêmicas; a indústria têxtil e a indústria automobilística, amparadas por políticas de isenção fiscal e proteção tarifária; e, mais recentemente, a chamada bancada da Bíblia, cuja força política orienta isenções tributárias para igrejas e instituições religiosas, em especial sob o argumento de imunidade fiscal prevista na Constituição.

A suposta neutralidade do mercado, portanto, cede lugar a um sistema de regulação profundamente heterônomo, onde o “Deus externo” que comanda o capitalismo não é a metafísica da mão invisível, mas o interesse de ocasião, variável conforme o contexto político e as forças que dominam o cenário institucional. O exemplo do protecionismo reintroduzido pelo governo Donald Trump, com a imposição de tarifas bilionárias a produtos chineses, reforça que, mesmo em economias centrais que defendem a liberdade de mercado, o interesse nacional e os grupos de pressão prevalecem sobre a mística do livre mercado.

Diferentemente do Deus-Natureza de Spinoza, que é uma entidade ontológica irrefutável e que rege o universo com necessidade lógica, o “Deus do mercado” é uma construção ideológica, manipulável e contingente, que serve, não raro, para legitimar políticas que favorecem determinados grupos sob o pretexto da neutralidade e da eficiência sistêmica.

Assim, ao contrário do que apregoam muitos defensores do livre mercado, o que se observa na prática não é a celebração de uma ordem espontânea e benéfica, mas a defesa obstinada de um Deus específico: o Deus dos interesses econômicos dominantes. O apelo ao “mercado livre” funciona como uma espécie de teologia política que naturaliza desigualdades, justifica intervenções seletivas e oculta a presença de um Estado que atua, paradoxalmente, para preservar os privilégios dos mesmos que proclamam a necessidade de sua abstenção.

Essa constatação impõe uma crítica necessária: a retórica do mercado como esfera autônoma, autorregulada e eficiente serve, muitas vezes, como um discurso de fachada para o predomínio de interesses corporativos, enquanto o verdadeiro “Deus” que governa a economia permanece sempre visível — e visceralmente humano.

Fernando Rocha de Andrade – Procurador da República e Mestre em Direito Internacional.

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Carlos 25 maio 2025

É mais fácil listar os locais com Livre Mercado que os utópicos Comunistas

Aguida 25 maio 2025

Texto necessário nos dias atuais. Um desenho da realidade.

Francisco Xavier 25 maio 2025

Excelente texto e baseado em um excelente livro, porém creio que cabe considerar que o Trump usa as tarifas como arma geopolítica, nao como modelo econômico como se baseou o argumento.

Gleidson Paulino 25 maio 2025

Muita clareza. Ótimo texto.

Alex 25 maio 2025

Livre mercado é uma utopia, isso não existe e nunca vai existir. Sem a força do Estado, nada acontece, isso vale pra o Brasil como também acontece no resto do mundo. Ingênuo quem acredita em livre mercado no capitalismo, ainda mais nos Estados Unidos, China, Europa etc. Ágora, no nosso país, infelizmente a corrupção seja ela: executivo, legislativo e jurídico com a convivência de um.povo ignorante, atrapalha a nação!

Carlos 25 maio 2025

É mais fácil listar os locais com Livre Mercado que os utópicos Comunistas

Maria de Fátima 25 maio 2025

👏👏👏👏👏👏

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VÍDEO – Aragão questiona embargo ao Hospital Infantil de Mossoró.

 

Por que a loja da Havan na BR-101 teve toda a flexibilidade para inaugurar, enquanto o Hospital Infantil de Mossoró segue embargado?

Intransigência da Prefeitura? Ou represália porque os recursos vieram do senador Styvenson?

Assista e tire suas próprias conclusões.

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INSS — Quando o governo rouba e tortura o brasileiro. Por Aragão.

Não precisamos temer invasões estrangeiras.
Podem relaxar as fronteiras — nenhuma ameaça externa conseguirá ser tão cruel quanto a realidade já implantada dentro do Brasil.
O Estado bárbaro já está inserido em nossa pátria.

Mais uma ofensiva contra a nação foi deflagrada — e desta vez, contra os mais frágeis: aposentados e pensionistas do INSS.

A Operação Sem Desconto revelou o que muitos já desconfiavam: um exército de associações fantasmas, munidas de má-fé e ambição desmedida”, foram autorizadas a descontar mensalidades diretamente do contracheque de milhões de brasileiros.
Resultado: R$ 6,3 bilhões saqueados entre 2019 e 2024.
Com a conivência, o silêncio — e em alguns casos, a participação — da própria diretoria do INSS.

Se fosse o primeiro escândalo de corrupção, ainda caberia o discurso: “pelo menos estamos resolvendo.” Mas, pelos deuses da verdade, este já é o enésimo caso — e infelizmente, não será o último.

Esse ataque ao erário, essa complacência institucional, tornam o massacre ainda mais cruel.
Porque o mesmo INSS que se mostra flexível com a corrupção, é implacável com os doentes.

Brasileiros que mancam, que choram de dor, que se arrastam para tentar uma perícia, são muitas vezes tratados com desprezo e arrogância.
Seriam ordens superiores? Uma diretriz de “apertar o cerco”? Bater meta de corte? Negar por negar?
Nada disso está comprovado — mas a prática grita mais do que o silêncio do governo.

Possivelmente, você que me lê conhece alguém que teve o benefício negado injustamente.
Eu conheço.

Francisca Nunes de Souza Carvalho, atropelada em 2022, teve vários ossos quebrados. Mal consegue andar.
Recebeu auxílio-doença por um período, mas hoje, mesmo ainda aguardando uma cirurgia, está com o benefício suspenso.
Humilhada. Esquecida. Castigada por um sistema que deveria protegê-la.

Enquanto isso, milhões de reais saíam todo mês das contas de aposentados para entidades que nem existiam de fato — mas que sabiam como assinar um Acordo Técnico.

Isso não é falha.
É perversidade.

— O INSS apertava o cerco contra os doentes — enquanto abria caminho para a corrupção oficializada.

Foto: Polícia Federal

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Albanisa 30 abr 2025

Ainda bem que você consegue expressar de forma muito clara e objetiva mais esse ato absurdo e criminoso, justamente com os mais necessitados.

Vera Coelho 30 abr 2025

Como servidora do INSS aposentada, tenho vergonha do que fazem com os mais necessitados. Parabéns pelo seu texto. Perfeito!

Francisco Serejo 30 abr 2025

Mais uma vez perfeito seu texto !!! Parabéns amigo.

Romulo Leite 30 abr 2025

Mais que oportuno, necessário abordar este tema. Parabéns pela objetividade e racional abrangência. Ótimo dia!

de Fátima veras 30 abr 2025

Q chegue a providência Divina sobre nós!

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