Arquivo de Opinião - Página 6 de 30 - Blog do Aragão Arquivo de Opinião - Página 6 de 30 - Blog do Aragão

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“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que postas”. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

O título, inspirado na clássica frase de Antoine de Saint-Exupéry, é uma advertência para todos que utilizamos as redes sociais para manifestar opiniões e críticas, compartilhar fatos e notícias. Porque a mídia digital revolucionou a forma como a informação e a opinião se propagam, rompendo com o paradigma da velha e imprensa. Hoje, qualquer cidadão é um formador de opinião em potencial. Basta ter um certo número de seguidores, ou emplacar uma publicação viral.

Estima-se que existem no mundo aproximadamente 100 milhões de perfis no Instagram com mais de 50.000 seguidores. Não, você não leu errado, meu amigo leitor, minha cara leitora: 100 milhões de formadores de opinião!!

Para se ter uma ideia da dimensão disso, basta lembrar que Mahatma Gandhi, em seu mais emblemático discurso ao final da Marcha do Sal (1930), falou para cerca de 50.000 pessoas.

Por isso mesmo devemos ter responsabilidade com o que postamos, para não dar razão a Humberto Eco, quando afirmou que a internet deu voz aos idiotas. E, segundo provérbio italiano, a mãe dos idiotas está sempre grávida.
Portanto, tenha cuidado com o que posta em suas redes: você tem nas mãos o poder de compartilhar bons conteúdos ou apenas espalhar lixo.
Nesse sentido, lembro sensata ponderação da professora Lúcia Helena Galvão, para quem o ideal seria unir a tecnologia das coisas com a filosofia dos homens: “já pensou, que maravilha, Platão no tweeter, nos dando bom dia com o Mito da Caverna…?”

Permite-me uma última sugestão? Não poste uma vida que não é sua; não divulgue quem você não é; não venda o que não acredita. Se for mesmo uma opção sua retratar sua vida pessoal (tão cara e privada para tantos), seja fiel ao seu momento de vida, não seja mais do mesmo, saia dessa bolha em que todos são iguais na aparência, com “singularidades em ruínas (DESCONSTRUÇÃO, Tiago Iorc).

Em tempos estranhos de perda de identidade, órfãos que estamos de pessoas autênticas, bom lembrar de Shakespeare (Hamlet):
“Acima de tudo sê fiel a ti mesmo. Disso se segue, como a noite ao dia, Que não podes ser falso com ninguém.”

Luis Marcelo Cavalcanti  é Procurador do Estado e Advogado.

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O vídeo, o português e os viados. Por Aragão.

Assisti ao vídeo que viralizou com o português Fábio Nobre dizendo que no Brasil tem viado demais.

Nenhum vídeo ou texto sobre nossas mulheres lindas? Nem um story? Porque é bem verdade que as mais lindas do mundo são as brasileiras. Vinicius de Moraes, quando viu Helô Pinheiro, fez a Garota de Ipanema; Jorge Amado criou Gabriela, Tieta; populares, cidadãos comuns gravam vídeos se declarando ou fazendo loucuras de amor.

— Mas, Fábio, você fez o quê? Um vídeo sobre os viados!

Mais de 9 milhões de turistas visitaram o Brasil em 2025, mas só você fez um vídeo sobre esse tema. Bem que tentou disfarçar, falando no início sobre a comida, alguns lugares e a beleza das mulheres, mas a maior parte do vídeo era sobre os viados.

— Mas, Fábio, esse vídeo diz pouco sobre o Brasil, e muito sobre você.

Imagino que, na sua terra, possa não ser realmente fácil para você namorar, pois, com tantos países bem próximos, suas conterrâneas podem não preferir namorar um português — ou, é possível, ainda confundir você com algum viado, ora pois.

Acredito que, no Brasil, tenha muitos mesmo, mas isso não atrapalha em nada nós, héteros. Achamos que a concorrência fica menor. Simples assim. E aceitamos a diversidade sem problemas. Você poderia ter pensado a mesma coisa. Nós, brasileiros, quando vamos a uma festa, olhamos as garotas, e os gays olham para os gays. Mas você revelou um detalhe que faz toda a diferença:

— “Toda mulherada pensava que nós éramos boiolas, viados”, disse o português Fábio Nobre.

Acho que isso não foi à toa. Como no Brasil tem muitos, elas reconhecem logo. E, depois de ver o seu vídeo, eu fiquei pensando como elas, Fábio.

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A ideologia chegou no Judiciário Por Aragão.

Anteontem, ao assistir à colação de grau de uma turma de Direito, o paraninfo fez uma observação tão forte quanto incontestável — a ideologia chegou no Judiciário. Ele relatou algo que tem ouvido com frequência de seus próprios clientes na advocacia: — “Tal juiz é de direita ou de esquerda?”

— Quem tem causa é o réu. Não o juiz.

Desde quando uma causa pode — ou deve — ser julgada a partir de um rótulo ideológico? Como se pode equilibrar a balança de Têmis quando o julgamento parte de um viés político prévio e se funde perigosamente ao viés de confirmação? Alguns juizes já não buscam a verdade dos fatos; buscam apenas aquilo que confirma suas convicções.

— Quando juízes viram advogados.

É aí que ocorre a distorção mais grave: magistrados deixam de julgar para, na prática, advogar. Passam a defender causas — não no exercício legítimo da cidadania, mas no espaço que deveria ser reservado à neutralidade.

Sempre existiu, é verdade, certa simpatia de parcelas do Judiciário pelo Executivo. Enquanto a cúpula do Judiciário depender de nomeações políticas, esse risco sempre existirá. Mas permitir que a polarização política chegue aos tribunais é condenar toda a sociedade à pena máxima da insegurança jurídica.

— A quem podemos recorrer?

Quando a previsibilidade do direito desaparece, resta o arbítrio: aos simpatizantes, a balança; a todos os outros, a espada.

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O tribunal de um homem só. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

As opiniões expressas em artigos de autoria de terceiros são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a posição editorial do Blog Marcus Aragão.

Não faz muito tempo, poucos brasileiros sabiam dizer os nomes dos 11 ministros do STF. O que era bom sinal, que decisões não devem ter dono, são do tribunal. E nem deve o juiz procurar holofotes ou manifestar opinião política ou pessoal publicamente, sobretudo quando envolvam processos sob seus cuidados. Como lembra Eugênio Esber (Revista Oeste, 02.01.2026), “brasileiros que hoje têm 25 anos de idade vieram ao mundo quando seus pais não sabiam citar o nome de um único ministro do STF.”

Nos últimos cinco anos, porém, alguns nomes assumiram um protagonismo midiático, com destaque para Barroso, Toffoli, Dino e André Mendonça. Mas nenhum juiz do país assumiu e misturou tantos papéis e funções como Alexandre de Moraes. De “mediador” de crise envolvendo decretos sobre IOF a “fiscal do fiscal” no caso da sindicância instaurada pelo CFM para apurar condutas médicas, Moraes tem relatado, avocado ou instaurado de ofício quase todos os processos politicamente relevantes para o país. Como se fosse ele próprio o Supremo, e fosse o Supremo apenas ele. Onde estão os demais ministros, de quem ninguém mais ouve falar? De duas, uma: ou estão julgando com discrição, como exigem a Constituição e a LOMAN, ou não estão recebendo processos politicamente relevantes, dada a inexplicável superconcentração no próprio Moraes. O que é duplamente ruim: porque reúne nas mãos de um único juiz o poder de ditar os rumos dos temas centrais para a nação, e desvirtua por completo o sistema de decisões coletivas, transformando nosso mais importante colegiado em um conglomerado (único no mundo) de decisões monocráticas perpétuas. Se já é ruim (à luz do sistema representativo democrático) que os rumos do país sejam definidos pelo Judiciário, mais trágico ainda é que tais decisões sejam de um só juiz.

José Paulo Cavalcanti Filho apresenta estudo riquíssimo sobre o número de processos julgados pelas supremas cortes no ano passado: Estados Unidos, 80 casos; França, 80; Inglaterra, 82; Alemanha, 90; Canadá, 44 (Jornal do Commercio, 12.12.2025). 

No Brasil, o STF recebeu 85.201 processos em 2025, produzindo 116.170 decisões, das quais 93.559  foram individuais, segundo relatório do próprio STF. Pasme, caro leitor, mais assustador do que o volume de processos julgados é saber que mais de 80% deles foram decididos monocraticamente.

José Paulo nos lembra ainda que decisões monocráticas existem só no Brasil. “E em nenhum outro dos 193 Estados Membros da ONU. Nos Estados Unidos e na Grã-bretanha, em situações de extrema gravidade e urgência, quando não esteja reunida a corte, pode o ministro plantonista decidir. Mas essa decisão fica sem aplicação, até que seja convocado o plenário para deliberar sobre o caso. E vale, apenas, se a maioria (usualmente a totalidade) da Corte aprovar.

Ninguém decide sozinho, pois, essa é a regra de ouro para todos os tribunais do planeta.”

Pior é ver que notícias recentes sugerem certo grau de envolvimento nada republicano entre ministros, parentes, esposas e bancas (e bancos) de advocacia, o que me remete à frase atribuída a Benjamin Disraeli, ex primeiro ministro do Reino Unido, de que “quando os homens são bons, as leis são desnecessárias; quando são maus, elas são inúteis.”

Por isso mesmo Piero Calamandei, jurista italiano do início do XIX, afirmava: “a opinião pública está convencida (e talvez não sem razão) de que tomar parte na política significa, para os juízes, renunciar à imparcialidade na justiça.” (Eles, os juízes, vistos por um advogado).

É, meu amigo leitor, não é fácil compreender o Brasil. Menos ainda explicar esse país para amadores, como lembra Karnal. É difícil explicar “que a independência foi liderada por um herdeiro da Coroa Portuguesa (Dom Pedro I)”; que “a proclamação da República foi defendida por um monarquista convicto (Deodoro da Fonseca);”que “a democracia foi implantada com o apoio decisivo de um ex simpatizante do regime militar (José sarney)”. E (digo eu) que Moraes é professor de direito constitucional…

Luis Marcelo Cavalcanti é Procurador do Estado e Advogado.

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O Governo do RN é tigrão para cobrar, mas tchutchuca para pagar. Por Aragão.

— Não é narrativa. É fato. Até o dia 13 de janeiro, batemos recorde de arrecadação, e o 13º salário foi pago com atraso.

Uma obra da atual gestão que ficará na memória das pessoas é a monumental arrecadação de impostos. A extração de dinheiro da população nunca foi tão eficiente. Em nossa terra, tudo dá — dá imposto, claro. São taxas, tarifas, alíquotas e contribuições para todos os gostos e desgostos.

Evoluímos na forma de arrecadar no RN. É como se alterássemos a genética do imposto para que pudesse crescer e se tornar mais resistente, mudando suas características. O ICMS cresceu. Nosso imposto antecipado conseguiu antecipar ainda mais.

— Uma obra desestruturante.

Outra obra formidável é o descontrole fiscal, expresso em uma dívida bilionária — mais de R$ 6 bilhões. Esse fato vem se desdobrando num case nacional desde quando o vice-governador decidiu não assumir e o presidente da Assembleia fez o mesmo.

— Quando a bate-estaca encontra o fundo do poço.

Não batemos no fundo do poço como antigamente. Continuamos aprofundando a situação caótica até que o próximo governo inicie sua gestão. Somente quando chegar esse momento poderemos, finalmente, usar o slogan sem medo de errar: “O melhor está por vir”, porque não será possível piorar.

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Cláudio Santos Governador — Ainda há uma esperança. Por Aragão.

— No portal do inferno de Dante está escrito: “Deixai toda a esperança, vós que entrais.”

Quando a esperança morre, nada nos resta, apenas o inferno das lamentações. Era assim que estávamos no RN: sem horizontes, sem perspectivas, sem 13º — com um governo marcando 65% de desaprovação e ninguém querendo assumir após a saída da governadora.

— O vice-governador declinou.

— O presidente da Assembleia declinou. Ambos têm que pensar no futuro de suas carreiras políticas — estão certos.

— Seguindo a linha sucessória, comenta-se que o desembargador Ibanez Monteiro não tem interesse em assumir, assim como a desembargadora Berenice Capuxu.

Em meio ao caos absoluto e incontestável que enfrentamos diariamente, pagando todos os pecados — inclusive os antecipados — eis que surge um sopro de esperança. Foi ventilado o nome de Cláudio Santos para o governo interino do RN.

Seria uma esperança termos alguém da qualificação de Cláudio Santos no comando do Estado.

Sua experiência como empresário, advogado, secretário de Segurança, presidente do TJ e desembargador permite uma visão mais ampla sobre os desafios enfrentados pelo nosso Estado.

Por não ter uma carreira político-partidária tradicional, poderia conduzir uma administração mais independente e comprometida com a entrega de resultados. Um bom exemplo de gestão eficiente foi sua presidência no TJ, quando soube tomar medidas duras, porém justas, que culminaram em resultados expressivos, como a recuperação da saúde financeira do tribunal.

Mesmo sabendo que um eventual governo interino tem o tempo reduzido, essa notícia já foi como uma brisa que trouxe um pouco de otimismo neste início de semana.

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Os haters, o ressentimento e o “frustrado” em Nietzsche. Por Fernando Rocha.

Nietzsche jamais conheceu as redes sociais, mas parece tê-las descrito com precisão. O filósofo identificou no ressentimento o motor psicológico daqueles que, incapazes de criar, afirmar ou realizar algo por si mesmos, passam a negar o valor do que é feito pelos outros. O ressentido, ou, em termos mais diretos, o frustrado, não constrói. Ele reage. Não celebra. Ele desqualifica.
Os haters das redes sociais são a expressão contemporânea desse tipo humano. Raramente aparecem quando há esforço silencioso, estudo prolongado ou sacrifício cotidiano. Surgem quase sempre no momento da conquista alheia, como se o sucesso do outro funcionasse como um espelho incômodo de suas próprias insuficiências.
Um exemplo recente ajuda a compreender esse mecanismo. Uma delegada de polícia, mulher, formada em São Paulo, tornou-se alvo de ataques machistas por parte de um comentarista que, sem qualquer lastro técnico, intelectual ou moral, decidiu reduzir sua trajetória a estereótipos e preconceitos. O incômodo não estava nos fatos, mas no símbolo representado por uma mulher que venceu, ocupou espaço e alcançou mérito em um ambiente historicamente hostil. Para o ressentido, isso é intolerável. Quando não se consegue subir, tenta-se diminuir a altura da conquista alheia.
O mesmo padrão aparece nas reações de certos críticos às recentes premiações internacionais concedidas a artistas brasileiros como Fernanda Torres e Wagner Moura. Em vez de reconhecer talento, consistência artística e reconhecimento externo, surgem tentativas de esvaziar o mérito. Diz-se que não é tudo isso, que é política, que é sorte, que os critérios são fracos. Trata-se de crítica sem obra, sem currículo e sem risco. Uma crítica que não cria, apenas corrói.
Nietzsche já havia observado que o ressentido precisa transformar o sucesso alheio em algo moralmente suspeito para preservar a própria autoestima. Se o outro venceu, o sistema estaria errado. Se foi premiado, os critérios seriam duvidosos. Se se destacou, haveria interesses ocultos. Dessa forma, evita-se o confronto mais doloroso, que é olhar para si mesmo e reconhecer a própria estagnação.
As redes sociais potencializaram esse fenômeno ao oferecer palco e visibilidade a quem nunca produziu nada relevante. O ataque vira identidade e o ódio se transforma em moeda simbólica, alimentada por curtidas, compartilhamentos e algoritmos.
Reconhecer a vitória dos outros exige maturidade, segurança e força interior, virtudes escassas em tempos de comparação permanente. Por isso, o ressentido prefere negar o mérito alheio a admitir que o sucesso costuma ser resultado de talento, disciplina e coragem.
No fim, a lição nietzschiana permanece atual. Quem cria não odeia. Quem afirma não precisa destruir. Quem realiza não perde tempo tentando diminuir a vitória dos outros. O hater, ao atacar, revela menos sobre quem é atacado e muito mais sobre o próprio fracasso não elaborado.

Fernando Rocha é Procurador da República e Mestre em Direito Internacional.

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Com inteligência demais e carisma de menos, Rogério Marinho conseguirá ser governador? Por Aragão.

— Os tolos também votam. Eis o problema.

Ninguém pode questionar a habilidade, o raciocínio rápido e a lucidez de Rogério Marinho. Essas qualidades abriram as portas para que ele entrasse nos mais restritos círculos do poder da direita — hoje, é o líder da oposição no Senado. É uma referência no Brasil como uma voz contra o sistema, que sabe se posicionar sem afetação ou extremismos — deixando-o imune, até agora, aos olhares atentos do STF.

Do ponto de vista técnico, é um dos quadros mais qualificados da política potiguar. Mas Rogério Marinho convence pela lógica, e raramente mobiliza pela emoção. Explica com clareza, mas não encanta. Seu discurso é correto, consistente — e frio. Isso não é defeito de caráter, é traço de perfil. Mas perfis também vencem ou perdem eleições.

No meio do povão, ele parece sempre distante; falta conexão. Em um estado como o RN, onde a política ainda passa muito pela relação direta, pelo contato humano e pela sensação de pertencimento, essa distância cobra um preço.

— A verdade desconfortável e incontestável que sempre reaparece: Os tolos também votam.

E isso não é um insulto — é um dado da democracia, ainda o melhor regime de governo que existe. Nela, o voto é universal: alcança o cidadão bem informado e o desinformado; o que analisa propostas e o que decide por impulso, por indicação, por simpatia, por raiva ou pela simples rejeição ao “jeito” do candidato.

Em nosso estado, uma grande parte dos eleitores é formada por pessoas com baixa instrução e que ainda votam por identificação ou conexão emocional. — Lembremos que a taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média nacional e que o ensino médio no RN ocupa o último lugar no Brasil no IDEB.

É comum, por aqui, não vencer o mais preparado, mas quem consegue se comunicar, gerar empatia e engajar-se com a massa — muitas vezes distante do debate técnico e pouco conectada a números, diagnósticos ou soluções estruturais.

— Eis o desafio de Rogério Marinho.

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2ª Carta aberta à diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabiana Lopes. Por Aragão.

Caríssima Fabiana, 

— O sol nasceu para todos.

Gostaria de pedir que sua empresa não ficasse entre a nossa gente e o sol — porque aqui é a nossa terra e é a terra do sol, também.

A solução prometida pela Cosern a uma APER (Associação Potiguar de Energias renováveis), ajoelhada, não está sendo realizada dentro de um prazo razoável. É tempo demais impedindo os benefícios do sol brilhando em nossas placas solares. O presidente da APER, Williman Oliveira, me falou que a Neoenergia iria fazer as compensações e devolver os valores de quem pagou a conta sem a devida compensação — ele mentiu? 

Recentemente, o Williman Oliveira também me disse que a Neoenergia precisa agora de 4 meses para regularizar as compensações, devido a uma mudança no software da companhia. Ora, uma empresa como a que você administra não deveria ter comunicado com antecedência, para que houvesse uma migração antecipada da forma de compensação, em prioridade para percentual? Para que assim nossa gente não ficasse no prejuízo?

A sensação que tenho é que estamos presos à Neoenergia Cosern como quem fica grudado num fio desencapado — é muito choque e não se pode largar devido ao monopólio. O maior choque foi não ter as contas devidamente compensadas. Entre as pessoas afetadas, tem, inclusive, muita família humilde que não pode arcar com esse prejuízo enquanto a Neoenergia lucra com a situação.

O problema é muito maior do que imaginávamos. — Não são apenas entre 10 mil a 15 mil beneficiários, são 230 mil pessoas afetadas — é muita gente insatisfeita e que tem se revoltado nas redes sociais. Peço que sua gestão possa funcionar como um transformador que reduz a tensão social.

— É importante lembrar que o sol não nasceu somente para a Neoenergia Cosern, mas nasceu para todos, Fabiana.

Nasceu para a Neoenergia Cosern, que lucrou 404,3 milhões em 2024, e também para o povo do RN, os 230 mil beneficiários, que não querem perder mais dinheiro com o atraso nas compensações.

Continuo confiando na sua sensibilidade e desejo boas energias.

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Magna Costa 11 jan 2026

Como citado em seu artigo "o sol nasceu para todos" peço licença poética para endossá-lo, pontuando aqui que o sol continua nascendo para todos diariamente no mundo, sua intensidade, movimento e fonte não é atribuída a nenhum CNPJ, posto que Deus não é pessoa jurídica. Se já uma fonte natural que gera benefícios para humanidade em condições de igualdade, não é justo que uma empresa lucre e cause prejuízos tutelando um bem (fonte e seus benefícios) que não lhes pertence.

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Verão no RN. É mar, é sol e engarrafamentos sem fim. Por Aragão.

— Cada engarrafamento é uma carreata pedindo mudança.

Só temos duas certezas na vida. Uma é que não somos eternos. A outra é que nossos engarrafamentos são. Não importa a praia escolhida: o destino final é quase sempre o mesmo — um trânsito caótico, travado, escoando lentamente. Um verdadeiro mar de carros parados. Seja no litoral Norte, Sul, em Tibau ou em qualquer outro trecho do estado.

— Um estado paralisado.

Não apenas na economia. Perdemos tempo e dinheiro nas estradas porque o governo do estado assiste passivamente a essa realidade. Horas desperdiçadas, combustível queimado, veículos desgastados — pastilhas de freio, câmbio, embreagem — tudo isso simplesmente por nos arrastarmos pelas rodovias.

Justamente no período reservado ao lazer, quando deveríamos aliviar o estresse, somos submetidos a mais tensão gratuita. Motoristas mais impacientes, riscos maiores de acidentes e a sensação constante de que nada avança.

Lembre-se disso no próximo engarrafamento: ele não é apenas trânsito parado.

Ele é, na prática, uma carreata pedindo mudança.

— Então, muda RN!

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