A- A+

MÁFIA: A incrível história da Cosa Nostra no RN. Entenda. 

Como a máfia siciliana enraizou suas operações em nosso estado? Investimentos que ultrapassam 800 milhões de reais no mercado imobiliário foram realizados por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. A Cosa Nostra deixou no Rio Grande do Norte um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos. Bem que poderia ser o roteiro de um filme policial, mas é um artigo que você começa a ler agora.

Era quase noite em Palermo, capital da Sicília, quando dois jovens, um deles com uma faca, entraram em uma pequena loja de produtos de limpeza na Via Altofonte. Depois de renderem os funcionários, os assaltantes levaram 4,5 mil euros que estavam na caixa registradora. Era 29 de agosto de 2019. Cinco dias depois, no mesmo horário, novo roubo na mesma loja: dois rapazes, fingindo estarem armados, levaram mais 2,8 mil euros.

O caminho natural do dono da loja seria procurar a polícia. Mas não foi o que aconteceu. Francesco Paolo Bagnasco preferiu telefonar para Giovanni Caruso, um membro da Cosa Nostra, organização mafiosa que desde o século XIX controla boa parte das relações socioeconômicas na Sicília. Ao analisarem imagens captadas por uma câmera de vídeo, os mafiosos identificaram três assaltantes (um deles havia participado dos dois roubos).

Na tarde de 7 de setembro, quatro dias após o segundo assalto, os três ladrões foram sequestrados e levados para um galpão. Caruso notificou o seu chefe, Giuseppe Calvaruso, bem como o dono da loja, e os três foram até o cativeiro, onde assistiram ao brutal espancamento dos assaltantes. Horas depois, Caruso descreveu, para outro membro da máfia, a face de um dos assaltantes, dizendo que parecia uma “peneira”. O dinheiro roubado foi devolvido a Francesco Bagnasco.

Sete meses depois, em abril de 2020, Bagnasco e outros cinco empresários recorreram a Calvaruso para adquirir nove partes de um grande armazém. Coube à máfia afastar outros pretensos concorrentes na compra do imóvel. Em troca, a Cosa Nostra exigiu uma taxa total de 90 mil euros – 40 mil a serem pagos apenas por Bagnasco por ele ter adquirido quatro partes do armazém. Foi a vez do empresário e seus sócios sentirem na pele a ira da máfia palermitana.

Em telefonema captado pela polícia italiana, Calvaruso ordenou que Caruso exigisse o dinheiro dos empresários antes que o negócio fosse formalizado em cartório. “Não tenha piedade”, disse o chefe. Bagnasco pagou, mas apenas uma parte – 15 mil euros. Em dezembro de 2020, Calvaruso reforçou as ameaças. “Se eles não me derem o dinheiro, tudo pode acontecer”, disse a Caruso. Em fevereiro de 2021, duas semanas antes da formalização do negócio no cartório, o chefe mafioso aumentou o tom das ameaças. “Se alguém ousar fazer a escritura sem ter pagado, não deixe ir ao cartório e meta um revólver na boca dele”, ordenou. Calvaruso falava de um lugar muito distante de Palermo, do outro lado do Oceano Atlântico – mais precisamente, de Natal, no Rio Grande do Norte.

Parte do dinheiro extorquido dos empresários custeou as despesas de familiares dos membros da Cosa Nostra que estão presos. Outra parte foi enviada ao Rio Grande do Norte, onde, ao longo de dezessete anos, sob o comando de Calvaruso, a máfia siciliana investiu 800 milhões de reais no mercado imobiliário por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. Durante esse tempo, a Cosa Nostra deixou no estado nordestino um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos.

Giuseppe Calvaruso tem cabelos castanho-claros, repartidos ao meio, e baixa estatura, o que lhe rendeu o apelido, entre os mafiosos sicilianos, de u curtu (o curto, literalmente, ou o baixote). Em 47 anos de vida, a maior parte atuando como empresário da construção civil, adquiriu o respeito da cúpula da Cosa Nostra, sobretudo depois de ter ajudado na fuga de Giovanni Motisi, no fim dos anos 1990. Motisi foi um dos mais sanguinários assassinos de aluguel de Salvatore “Totò” Riina, mafioso que aterrorizou a Sicília e foi o mandante dos assassinatos, em 1992, dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, responsáveis pelo Maxiprocesso de Palermo. Em 1993, Riina foi preso. Morreu em 2017, aos 87 anos.

Cada município da Sicília (ou, no caso das maiores cidades, cada bairro ou distrito) possui um líder mafioso, chamado capomandamento (mandamento é uma região controlada por determinado clã criminoso). Antonino Rotolo, o capomandamento de Pagliarelli, está preso desde 2006. Quem o substitui desde 2015 é Calvaruso, mas na condição de “regente”, como se chama o líder temporário. Em conversa interceptada pela polícia italiana, o regente disse ter à disposição cerca de 1 bilhão de dólares para investir.

Em fevereiro de 2009, Pietro Ladogana, um homem alto de queixo anguloso que, para a PF, era testa de ferro da Cosa Nostra, desembarcou em Natal. Na capital potiguar, ele fundou três empresas do ramo imobiliário, com um capital social total de 3,8 milhões de reais, e casou-se com Tamara Maria de Barros. A brasileira seria usada como laranja pelo italiano, que colocou no nome dela boa parte dos imóveis que adquiriu. 

Mas Ladogana também começou a grilar terras com o uso da violência. Chegou a criar uma milícia formada por policiais militares para expulsar moradores em Extremoz, município na Região Metropolitana de Natal, onde contava com a ajuda do então tabelião do cartório local e ex-prefeito João Soares de Souza, e de servidores da prefeitura para falsificar documentos que garantissem a posse dos imóveis. Quando o então secretário de Tributação de Extremoz Giovanni Gomes contrariou os interesses do esquema, Ladogana ordenou que um dos PMs de sua milícia, Alexandre Douglas Ferreira, “desse um susto nele” – como a mulher do mafioso contou à Polícia Civil. Gomes levou um tiro de raspão na perna quando saía da festa de formatura do filho, em uma noite de agosto de 2013.

No caso de outro desafeto, o desfecho foi trágico. O empresário italiano Enzo Albanese, que dirigia um time de rugby em Natal e não tinha relações com a Cosa Nostra, descobriu as fraudes fundiárias de Ladogana, bem como desvios de parte do dinheiro da máfia para o próprio bolso, e ameaçou denunciar tudo à polícia. Em março de 2014, Albanese foi ameaçado de morte, caso ousasse delatar seus esquemas. Mas ele não recuou. Em 2 de maio do mesmo ano, ele fechava o portão de entrada de sua casa quando o policial Ferreira se aproximou em uma moto e atirou. O italiano morreu no local. Um mês depois, a Justiça de Natal decretou a prisão preventiva de Ladogana, que foi detido no aeroporto de Roma, onde tentava embarcar para o Brasil com 120 mil euros escondidos na roupa. Acabou liberado meses depois, na Itália, e ficou no país natal. Tempos depois, recebeu uma pena de catorze anos de reclusão, que ele cumpre na penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Ferreira não chegou a ser julgado – a Justiça o considerou inimputável, depois que foi diagnosticado com esquizofrenia.)

Em 2016, Calvaruso iniciou o processo de troca do operador da lavanderia de dinheiro da máfia no Brasil. Recorreu então ao empresário Giuseppe Bruno (foto no início do artigo), cuja família lavava dinheiro para a máfia desde os anos 1990 na construção civil da Sicília, de acordo com a polícia italiana.

Em Natal, Bruno e Calvaruso investiram 830 mil euros na compra de novas áreas nos arredores de Natal, inclusive uma fazenda que seria transformada em loteamento com perspectivas de ganhos milionários. “Gostaria de salientar que estamos falando de 180 hectares, onde há a possibilidade de construir cerca de 7.500 casas, que por 100 mil reais são 750 milhões de reais de faturamento, com um lucro residual de mais de 50%…”, escreveu Bruno, por e-mail, a um integrante da máfia na Sicília. No total, segundo o Ministério Público Federal, a máfia adquiriu 76 imóveis no Brasil.

Certo dia, em um shopping de Ponta Negra, local abastado da cidade, Bruno conheceu Sara da Silva Barros, de 37 anos de idade. Logo, ela se tornaria não só a mulher de Bruno, como sua testa de ferro preferida, já que não tinha antecedentes criminais. “Sara é cem por cento limpa”, escreveu ele para Calvaruso, por WhatsApp. Foi em nome dela que Bruno e Calvaruso montaram a pizzaria e cafeteria Italy’s, na orla de Natal. 

O policial e advogado Carlos Menezes conheceu Bruno em 2016, quando o italiano e Nino Spadaro foram até a Delegacia de Apoio e Assistência ao Turista (Deatur), em Natal, onde o então agente trabalhava, para fazerem um boletim de ocorrência contra João Soares de Souza, tabelião do cartório de imóveis de Extremoz, e seu filho, Gustavo Eugênio Costa de Souza. Segundo Bruno, o tabelião e o filho haviam falsificado a escritura de uma área de 29 hectares adquirida pela empresa Tecnobloco Construções Ltda., da qual o italiano se dizia sócio e procurador, para revendê-la a terceiros por 16 milhões de reais.

Por causa do alegado prejuízo pela perda do terreno, Bruno e Spadaro passaram a pressionar o tabelião, que se comprometeu a pagar 1,2 milhão de reais e a entregar outra área a eles. Mas Souza só pagou 150 mil reais, e os italianos descobriram que os documentos da área oferecida eram falsos.

Na discussão com os italianos, o tabelião ameaçou Bruno e seu advogado com um revólver, dentro do cartório de Extremoz, o que motivou um segundo boletim de ocorrência contra Souza, agora por ameaça, registrado pelo então policial Menezes no fim de 2017, na mesma Deatur. A aproximação com o policial fez com que este fosse convidado a trabalhar como segurança para a viagem que a mãe de Bruno fez da Itália ao Brasil.

Em março do ano seguinte, Souza e o filho foram denunciados à Justiça por estelionato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusados de uma série de fraudes documentais. Souza morreu um mês depois, de causas naturais. Gustavo, seu filho, foi absolvido. Sem saída, Bruno ingressou com ação na Justiça contra o tabelião e o filho, e a 1ª Vara de Extremoz condenou o espólio de Souza e também Gustavo a indenizarem Bruno em 22 milhões de reais.

Retornando ao Brasil em 2019, Calvaruso, regente da Cosa Nostra, acelerou os investimentos da máfia. Concluiu a construção de uma casa dentro de um resort em Bananeiras, interior da Paraíba; comprou dois apartamentos em Cabedelo, município vizinho a João Pessoa; adquiriu duas empresas em Natal (uma delas dona de imóveis avaliados em quase 4 milhões de reais, no total) e fundou a pizzaria Italy’s. 

Em 2021, os primeiros policiais italianos desembarcaram em Natal para rastrear o patrimônio amealhado pela máfia e seguir de perto os passos de Giuseppe Bruno.

No ano seguinte, em maio, o governo italiano decidiu solicitar formalmente um acordo de cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro para “a obtenção de dados confiáveis sobre rastreabilidade dos grandes fluxos financeiros movidos da Itália para o Brasil e informações sobre bens atribuídos a Giuseppe Calvaruso e outros”. A investigação do MPF, da PF e da Receita Federal, iniciada em outubro de 2022, não só confirmou os dados já investigados desde a Itália como encontrou novas suspeitas sobre o patrimônio do trio Calvaruso-Ladogana-Bruno no Rio Grande do Norte. 

Em novembro de 2023, a PF encaminhou à Justiça os pedidos de prisões preventivas e de buscas. Em poucas semanas as requisições foram acatadas pela 14ª Vara Federal de Natal, mas a operação tinha de ser deflagrada ao mesmo tempo no Brasil e na Itália, onde havia outros participantes do esquema mafioso. A Justiça italiana demorou a conceder os pedidos de prisão (só o fez em agosto de 2024).

Bruno foi preso na manhã de 13 de agosto de 2024. No mesmo dia, a Direção Distrital Antimáfia de Palermo prendeu na Itália a mãe dele, Rosa Simoncini. No Brasil, nove pessoas, incluindo Calvaruso, Bruno e sua ex-mulher, Ladogana, sua ex-mulher, Tamara Barros, e a atual, Regina Souza, são réus em ação penal, ainda não julgada, na 14ª Vara Federal de Natal, acusados de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em dezembro passado, o inquérito da polícia italiana seguia em andamento.

O advogado de Calvaruso na Itália, Michele Giovinco, disse à revista piauí que a Justiça ainda não provou a responsabilidade do réu na suposta extorsão aos compradores do armazém na via Altofonte, em Palermo, nem na lavagem de dinheiro na compra e venda de imóveis no Brasil. “Não há provas processuais nas investigações italianas de transferência de dinheiro de Hong Kong ou Cingapura, nem para a Itália e nem para o Brasil”, afirmou.

Em nota, a defesa de Ladogana informou apenas que o patrimônio dele no Brasil “foi adquirido com muito trabalho” e que o empresário nunca teve envolvimento com a Cosa Nostra. Nino Spadaro não quis se manifestar. A defesa de Bruno não foi localizada.

A última ponta solta dos esquemas da máfia siciliana no Rio Grande do Norte é o assassinato de Carlos Antonio Lopes da Silva, o taxista que se tornou laranja de Pietro Ladogana e era dono formal de duas empresas e de dezenas de imóveis no estado. Mesmo depois da prisão do italiano, em 2019, Silva continuou próximo dele – era uma das pessoas autorizadas por Ladogana a visitá-lo na prisão em Alcaçuz.

Na noite de 1º de março de 2023, Silva dormia em sua casa no bairro Pitangui, em Extremoz, com a mulher e as duas filhas do casal, quando ouviu a porta da entrada sendo arrombada. Pegou um bastão e conseguiu atingir um dos invasores, mas acabou levando sete tiros de pistola de outro criminoso. Morreu ao lado da sua cama.

A principal suspeita da polícia é que Silva tenha sido morto a mando de um empresário potiguar que teria grilado parte dos terrenos da Cosa Nostra no estado. Responsável pelo inquérito, o delegado André Kay, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Ceará-Mirim, não revela a identidade do suspeito para não atrapalhar as investigações. Passados quase dois anos do crime, o inquérito ainda não foi concluído.

Fonte: Revista Piauí. Allan de Abreu.

Comentários (1)

Uma resposta para “MÁFIA: A incrível história da Cosa Nostra no RN. Entenda. ”

Comente aqui...

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ícone de Comentário
Ícone de Usuário

Compartilhar artigo:
A- A+

Desembargador Cláudio Santos impõe nova derrota à Neoenergia e protege consumidor de energia solar.

Mais uma vitória para os beneficiários de energia solar. Agora foi a vez do Tribunal de Justiça decidir a favor da população. Em uma decisão recente, o Desembargador Claudio Santos, integrante da Primeira Câmara Cível do TJRN, impôs uma derrota à COSERN (Neoenergia). A decisão liminar, proferida em 22 de junho de 2026 no Agravo de Instrumento nº 0812077-68.2026.8.20.0000, protege um consumidor idoso contra falhas sistêmicas de faturamento que impediam o uso correto de créditos de energia fotovoltaica.

O caso expõe uma limitação técnica crítica admitida pela própria concessionária. Segundo os autos, a Neoenergia COSERN esclareceu que seu sistema de faturamento só processa a compensação de créditos se a leitura da unidade beneficiária ocorrer em data posterior à da unidade geradora. Caso as leituras ocorram no mesmo dia ou em ordem inversa, o consumidor é cobrado integralmente, perdendo o benefício do crédito naquele ciclo. O Desembargador ressaltou que esse condicionamento é manifestamente irregular, pois sujeita um direito garantido do consumidor a um critério operacional controlado unilateralmente pela distribuidora.

— A análise dos relatórios de faturamento revelou outra irregularidade grave: a desobediência à regra de rateio previamente cadastrada. 

Embora o sistema devesse distribuir os créditos de forma paritária (50% para cada unidade beneficiária), houve uma concentração injustificada de mais de 7.000 kWh na unidade geradora, enquanto uma das unidades beneficiárias teve seu saldo zerado e passou a receber faturas com valores exorbitantes.

Claudio Santos destacou que a energia elétrica é um serviço público essencial, indispensável à preservação da dignidade humana, e que o risco de suspensão do fornecimento ou de negativação representaria um dano de difícil reparação.

As obrigações impostas à concessionária pela decisão são rigorosas:

Retomada imediata do rateio dos créditos;

Suspensão da exigibilidade das faturas, com proibição de corte de energia ou negativação do nome;

Transparência total, com a obrigação de apresentar, em 15 dias, um relatório detalhado da movimentação de créditos desde nov/2025.

Siga nosso perfil no instagram @blogmarcusaragao

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Igor Cabral, acusado de espancar a namorada em elevador será submetido ao júri popular.

Acusado de espancar a então namorada em um elevador, em julho de 2025, na zona Sul de Natal, Igor Eduardo Pereira Cabral será submetido a julgamento pelo júri popular. A decisão é do juízo da 1ª Vara Criminal de Natal, que pronunciou o réu pela suposta prática do crime de feminicídio tentado, com duas qualificadoras, em caso que alcançou repercussão nacional.

“A gravidade concreta do crime, evidenciada pelo modus operandi de extrema violência e crueza — traduzido no espancamento contínuo de sua namorada em ambiente confinado, desfigurando-lhe a estrutura óssea facial e impondo-lhe severa sequela neurológica permanente —, demonstra a acentuada periculosidade social do agente e o risco real de reiteração delitiva caso restituído à liberdade”, destacou a decisão, ao determinar a manutenção da prisão preventiva do réu.

Ao analisar o caso, o juízo da 1ª Vara Criminal de Natal apontou que a materialidade do crime encontra-se demonstrada por meio de elementos técnicos e documentais, atestando que a vítima sofreu fraturas severas no esqueleto facial, necessitando de intervenção cirúrgica reconstrutiva complexa com a fixação de 7 placas de titânio e 31 parafusos, evoluindo com sequela neurológica consolidada de paralisia facial periférica total à direita (grau VI).

“A autoria material é inequívoca e repousa, primordialmente, nas contundentes mídias gravadas pelo circuito interno de segurança do elevador. As imagens revelam o acusado encurralando a ofendida no interior do cubículo e desferindo contra ela uma sucessão ininterrupta e violenta de socos concentrados na região vital da face, prolongando as agressões enquanto a vítima se encontrava caída e indefesa no chão”.

A decisão também afastou a argumentação da defesa do réu de que as lesões ocasionadas “embora graves, não geraram um ‘perigo de vida’ clínico, concreto ou imediato sob a ótica estritamente pericial”. Conforme a decisão, tais argumentos não se revelam aptos a afastar, na atual fase, a admissibilidade da tese acusatória.

Agora, o processo aguarda ser pautado para realização da sessão do júri popular pela 1ª Vara Criminal de Natal.

✅ Siga nosso perfil no instagram @blogmarcusaragao

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Álvaro Dias percorre o interior do estado com o lançamento do projeto “Endireita RN”

O pré-candidato ao Governo do Estado inicia a jornada por Santa Cruz, reunindo grandes nomes da política potiguar para discutir os desafios das regiões Trairi, Agreste, Potengi e Seridó.
O cenário político do Rio Grande do Norte ganha um novo capítulo nesta semana com o lançamento do Projeto Endireita RN. Idealizada pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias (PL), a iniciativa consiste em uma série de encontros regionais desenhados para percorrer o interior potiguar, promovendo o diálogo entre lideranças políticas, apoiadores e a sociedade civil organizada.
O Pontapé Inicial: Santa Cruz e a Rota do Trairi
A primeira edição do evento acontece nesta quinta-feira (25), às 19h30, em Santa Cruz. Realizado na quadra do Instituto Cônego Monte, o encontro terá como tema central “A Nova Rota do Trairi e Agreste”, focando nas especificidades e demandas dessas regiões.
A mobilização busca atrair um público expressivo de gestores e legisladores locais, com a expectativa de reunir prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-prefeitos de dezenas de municípios vizinhos.
Alianças de Peso e Calendário de Atividades
O projeto não marca apenas o movimento individual de Álvaro Dias, mas demonstra força política através de suas alianças. Estão confirmadas as presenças dos senadores Rogério Marinho e Styvenson Valentim, além do pré-candidato a vice-governador, Babá Pereira, e do pré-candidato ao Senado, Coronel Hélio.
A agenda da primeira rodada de debates segue um ritmo intenso:
  • Sexta-feira (26): Encontro em São Tomé, com foco na região do Potengi.
  • Sábado (27): Encontro em Caicó, voltado para as demandas do Seridó, encerrando este ciclo inicial de mobilizações.
Estratégia para 2026
O “Endireita RN” é a peça fundamental da estratégia de interiorização da pré-campanha de Álvaro Dias. Segundo as informações, o objetivo principal é ampliar a escuta das demandas locais e fortalecer a construção de um plano de governo sólido para as eleições de 2026, fundamentado nos desafios reais enfrentados pelas diferentes regiões do Rio Grande do Norte

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Empresário Marcello Brunno Moreno é investigado em operação que apura fraude fiscal no valor de 72 milhões de reais.

Emirados — O nome da operação faz referência ao padrão de vida identificado durante as investigações, marcado pela ostentação de bens de elevado valor, contrastando com a tentativa de ocultação formal do patrimônio.

Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão. Também foram aplicadas 75 medidas cautelares diversas da prisão e requerido o bloqueio de bens no valor aproximado de R$75 milhões. 

No âmbito patrimonial, a Justiça determinou o sequestro de 18 imóveis e de uma lancha, bem como o bloqueio e a alienação antecipada de 33 veículos, medidas destinadas a assegurar eventual ressarcimento ao erário, preservar o valor econômico dos bens e evitar a dilapidação do patrimônio objeto da investigação.

De acordo com as apurações, o grupo utilizava interpostas pessoas, conhecidas como “laranjas”, incluindo familiares, funcionários e pessoas de confiança, para registrar formalmente bens e empresas que, na prática, seriam controlados pelos reais beneficiários do esquema. A estratégia tinha como finalidade ocultar a verdadeira titularidade do patrimônio, dificultar o rastreamento dos valores e frustrar eventuais medidas judiciais de bloqueio e constrição decorrentes de dívidas milionárias junto ao Fisco Estadual.

Além da ocultação patrimonial, os elementos colhidos indicam que o grupo também se valia da intimidação de terceiros, familiares, funcionários e colaboradores, inclusive por meio de ameaças e de atos de violência patrimonial, como forma de manter o controle sobre bens, empresas e informações sensíveis, dificultando que a estrutura real do esquema fosse revelada.

O nome da operação faz referência ao padrão de vida identificado durante as investigações, marcado pela ostentação de bens de elevado valor, contrastando com a tentativa de ocultação formal do patrimônio.

 A denominação também remete à estrutura empresarial supostamente controlada pelo principal investigado, composta por postos de combustíveis, distribuidora de alimentos e outras pessoas jurídicas registradas em nome de terceiros, mas que seriam administradas de fato pelo grupo investigado.

Ao todo, mais de 120 policiais participaram da ação, que teve como objetivo o cumprimento das ordens judiciais e a coleta de novos elementos de prova.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Procurador da República Fernando Rocha lança livro voltado para o cuncursos e OAB na Amazon

Fernando Rocha acaba de lançar na Amazon o livro Manual de Direito Penal — Parte Geral, obra voltada para estudantes, candidatos a concursos públicos e exame da OAB.

Segundo o autor, o livro nasceu de uma experiência pessoal. Quando estudava para concursos, sentia falta de um material que reunisse profundidade teórica, linguagem acessível e foco nos temas mais cobrados pelas bancas examinadoras.

A obra combina duas vivências que marcaram sua trajetória: a aprovação em concursos de alta concorrência e os anos dedicados ao magistério. O objetivo foi produzir um manual que conciliasse rigor técnico e clareza didática.

“Escrevi o livro que eu gostaria de ter tido em mãos na época em que estudava”, afirma Fernando Rocha.

O Manual de Direito Penal — Parte Geral já está disponível para aquisição na Amazon.

📚 Link: https://a.co/d/0bXPtnhg

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Macaíba fecha quadrimestre com saldo negativo na geração de empregos; indústria é o setor que mais demitiu.

— Mais um desafio para o prefeito Emídio Júnior.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que o município de Macaíba encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo negativo na geração de empregos formais. Entre janeiro e abril, foram registradas 1.894 admissões e 2.011 desligamentos, resultando na perda de 117 postos de trabalho.

O setor industrial foi o principal responsável pelo resultado negativo. Nos quatro primeiros meses do ano, a indústria contabilizou 936 demissões e apenas 680 contratações, acumulando um saldo de menos 256 vagas.

Por outro lado, os setores da construção civil, serviços e comércio apresentaram desempenho positivo, com número de admissões superior ao de desligamentos no período.

Entre maiores municípios da Região Metropolitana de Natal, apenas Macaíba e Ceará-Mirim registraram saldo negativo na geração de empregos.

Fonte: Blog do Mário

Siga nosso perfil @blogmarcusaragao

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Corrida Unimed Natal entra na reta final de inscrições

_Mais de 70% das vagas já foram preenchidas; prova será realizada no dia 12 de julho, na Praça Cívica_

Faltando menos de três semanas para a largada, a Corrida Unimed Natal entra na reta final de inscrições. Marcada para o dia 12 de julho, na Praça Pedro Velho, mais conhecida como Praça Cívica, a prova já ultrapassou 70% das vagas preenchidas. O evento contará com percursos de 5 km e 10 km para adultos, além da corrida kids, destinada a crianças de 2 a 13 anos.

Os participantes inscritos receberão kit atleta e medalha após a conclusão da prova. A expectativa é reunir corredores de diferentes perfis, desde iniciantes até atletas mais experientes, além de famílias que buscam uma experiência de esporte, lazer e bem-estar.

Para o diretor-presidente da Unimed Natal, Dr. Márcio Rêgo, a procura pelas inscrições demonstra o interesse crescente da população por atividades que promovam saúde e qualidade de vida. “Estamos muito felizes com a adesão do público. A Corrida Unimed Natal foi planejada para incentivar a prática de atividade física e proporcionar uma experiência acolhedora para atletas e famílias. Quem deseja participar deve garantir sua inscrição o quanto antes, pois estamos na reta final das vagas disponíveis”, declara.

As inscrições para as provas de 5km e 10km e pra corrida kids seguem abertas e podem ser realizadas pelo site da Ticket Sports pelo link https://www.ticketsports.com.br/e/CORRIDA%20UNIMED%20NATAL-86971, que também está disponível na bio do instagram @unimednatal.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

CCJ aprova projetos voltados à cultura, esporte e fortalecimento de entidades

A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizou, nesta terça-feira (16), sua 10ª reunião ordinária de 2026, quando apreciou e aprovou projetos de lei voltados à valorização da cultura potiguar, ao reconhecimento de entidades, ao incentivo ao esporte e à preservação da memória e das tradições do Estado.

Entre as matérias aprovadas está o projeto de autoria do deputado Francisco do PT que inclui o município de Riachuelo na Rota da Fé e das Tradições Religiosas do Rio Grande do Norte, ampliando o alcance da legislação estadual que fortalece o turismo religioso e cultural potiguar. A matéria teve relatoria da deputada Eudiane Macedo (PV) e foi aprovada por unanimidade.

Também receberam parecer favorável, propostas da deputada Isolda Dantas (PT) voltadas ao reconhecimento de manifestações culturais tradicionais do Estado. Foram aprovados os projetos que reconhecem como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte o grupo cultural Egbé Logun (Afoxé), o Coco Juremado RN, As Flechas e o Pastoril Estrela do Amanhã, além do Grupo Cultural Coco Cajueiro Abalô, de Natal. As iniciativas reforçam a valorização das expressões populares e da diversidade cultural que compõem a identidade potiguar.

Na área ambiental, foi aprovada a proposta da deputada Divaneide Basílio (PT) que institui o Dia Estadual das Unidades de Conservação no calendário oficial do Estado, fortalecendo as ações de conscientização e preservação ambiental.

O incentivo ao esporte também esteve entre os temas debatidos na comissão. Os parlamentares aprovaram projeto de autoria do deputado Luiz Eduardo (PL) que reconhece o mergulho recreativo amador como esporte de lazer subaquático no Rio Grande do Norte. Outra matéria aprovada do parlamentar reconhece como de utilidade pública estadual a Federação Potiguar de Karatê (FPK).

A CCJ ainda aprovou o projeto do deputado Neilton Diógenes (PP) que institui o Código de bem-estar animal do Rio Grande do Norte, consolidando diretrizes voltadas à proteção e ao cuidado com os animais no Estado.

Diversas matérias voltadas ao reconhecimento de entidades como de utilidade pública também receberam parecer favorável. Entre elas, a Associação Cultural Imperatriz, de Lagoa Nova, proposta pelo deputado Adjuto Dias (PL); o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de São Paulo do Potengi, de autoria do deputado Gustavo Carvalho (PL); a Associação Semear, de Jucurutu, proposta pelo deputado Nelter Queiroz (PP); a Associação dos Produtores Rurais Luiz Antônio de Castro (APRLAC), de iniciativa do deputado Tomba Farias (PL); e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Parelhas, de autoria do deputado Francisco do PT.

Também foram aprovadas matérias que homenageiam personalidades potiguares por meio da denominação de equipamentos e rodovias estaduais. Entre elas, o projeto do deputado Hermano Morais (MDB) que denomina de Rodovia Janilson Ferreira o trecho da RN-317 que interliga municípios da região Agreste; a proposta do deputado Nelter Queiroz que denomina de Prefeito Jaime Batista dos Santos trecho da RN-263, entre Angicos e Afonso Bezerra; e o projeto que dá o nome de Professor Edson Cândido Alves à quadra esportiva da Escola Estadual Professora Adalgiza Emídia Costa, em Carnaubais.

Durante a reunião, o deputado Coronel Azevedo (PL) manifestou preocupação com os recentes episódios de violência registrados no Estado e cobrou uma atuação firme, rápida e exemplar das autoridades para identificação e punição dos responsáveis pelo atentado sofrido pelo vereador e cabo da Polícia Militar, Cabo Deyvison, ocorrido em Mossoró.

Participaram da reunião os deputados Coronel Azevedo, Francisco do PT, Eudiane Macedo, Neilton Diógenes e Ubaldo Fernandes (PV).

As matérias aprovadas pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação seguem agora sua tramitação regimental na Assembleia Legislativa até serem apreciadas e votadas em plenário pelos deputados estaduais.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Deputados debatem saúde pública, empreendedorismo e emendas parlamentares

No horário destinado ao pronunciamento dos deputados, na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira (11), falaram os deputados estaduais Adjuto Dias (PL), Cristiane Dantas (PSDB) e Coronel Azevedo (PL). Entre as pautas, destacaram-se a saúde das crianças no município de Caicó, os eventos de empreendedorismo que acontecerão no estado nos próximos dias e os prazos de pagamento das emendas impositivas.

O deputado Adjuto Dias cobrou do governo do estado pedido de informações sobre o andamento da UTI pediátrica neonatal do município de Caicó. De acordo com o parlamentar, um representante do governo esteve em audiência pública de iniciativa do mandato de Adjuto Dias em Caicó, e, na ocasião, esse representante afirmou que a previsão era de que o espaço estaria pronto para atendimentos até o final de 2026.

“Vários casos de bronquiolite foram registrados na cidade, então a população está preocupada com esses casos, que exigem um pronto atendimento a essas crianças.  Na audiência, foi dito que a prefeitura de Caicó seria responsável pela reforma do local, já o governo seria o responsável por equipá-lo. O financiamento seria do consórcio dos municípios do Seridó”, contou.

A deputada Cristiane Dantas usou o tempo para divulgar a realização de evento relacionado ao empreendedorismo no Rio Grande do Norte. Ela informou que, de 15 a 17 de junho, acontecerá o evento da BPW Natal (Business and Professional Women), a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Natal/RN. Segundo ela, no dia 15 de junho acontecerá a feira do empreendedorismo na ALRN, durante todo o dia. E, a partir das 13h, haverá um seminário sobre empreendedorismo e rede de proteção da pessoa idosa.

No dia 16, o evento será no Hotel Barreira Roxa e, no dia 17, será no município de Acari, onde uma visita a um grupo de idosos será feita em um complexo que foi inaugurado para acolhimento a pessoa idosas. “Também haverá o encontro de empreendedoras da região do Seridó. Será um evento muito rico, serão mulheres de várias regiões do estado, vários segmentos do empreendedorismo”, falou a deputada, reforçando a importância da participação.

Já o deputado Coronel Azevedo alertou que, a exemplo do Congresso Nacional que determinou o pagamento de emendas impositivas sendo até 65% delas no primeiro semestre, a ALRN também aprovou na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estadual o pagamento de 50% para o primeiro semestre.

“Temos notícias, através de interação com deputados estaduais de diversos estados do Nordeste e do Brasil, que já estão sendo pagas as emendas parlamentares. No entanto, no RN, ao que parece, pode acontecer da governadora incorrer na prática de crime de responsabilidade se não fizer o pagamento neste prazo. Desrespeitar a lei orçamentária é um dos crimes de responsabilidade, portanto, a governadora está obrigada a cumprir a lei até o dia 3 de julho. Esta Casa Legislativa vai cobrar caso isso aconteça”, discursou Coronel Azevedo.

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo:
A- A+

Land Rover encerra produção no Brasil e Chery negocia incentivos fiscais na fábrica

Marca chinesa busca incentivos fiscais para nacionalizar modelos Omoda e Jaecoo; JLR poderia terceirizar produção de seus carros no Brasil

Itatiaia apenas monta os carros da JLR, importados no regime SKD, com peças montadas

Ler Resumo

O clima na fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) é de incerteza. Conta-se que os últimos Discovery Sport e Range Rover Evoque previstos já foram montados e, agora, aguardam o momento de serem distribuídos para as concessionárias – o que acontecerá até meados de julho. A empresa não divulga detalhes aos funcionários, mas as movimentações recentes confirmam que a Chery Automobile está em vias de assumir a unidade.

Procurada, a Jaguar Land Rover afirmou que a produção em Itatiaia segue normalmente neste mês de junho, seguindo o planejamento prévio da empresa. “Não temos informações adicionais para compartilhar neste momento”, completou a empresa. A dúvida é sobre o que acontecerá a partir de julho.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), a fábrica da JLR no sul-fluminense gera 371 empregos diretos e, embora sua produção tenha diminuído muito nos últimos tempos, os funcionários estão fazendo cursos de especialização.

De janeiro a maio deste ano, os Discovery Sport e Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil.

“A JLR possui acordo coletivo de trabalho vigente e tem cumprido com as obrigações. Nossa preocupação é com os funcionários da JLR, entendo que uma possível negociação precisaria de garantias destes postos de trabalho”, explica Bruno Mendonça Streva, diretor administrativo do Sindireal.

Chery negocia incentivos fiscais em Itatiaia

Duas pessoas participam de uma reunião online em uma sala com paredes brancas e de madeira. Um homem de barba e blazer escuro olha para baixo à esquerda. Uma mulher de cabelos cacheados, vista de costas, usa um notebook e segura um celular à direita. Uma TV na parede exibe mais participantes da videochamada
O prefeito de Itatiaia, Kaio Márcio Resende de Paiva, em reunião com representantes da Chery Automobile (Prefeitura de Itatiaia/Reprodução)

Na última última sexta-feira (12), a Prefeitura de Itatiaia realizou uma reunião virtual com representantes da Chery para dar continuidade às tratativas relacionadas à compra da fábrica da Jaguar Land Rover. A Prefeitura de Itatiaia chegou a publicar sobre a reunião em seu site, mas o texto foi retirado do ar. 

Na ocasião, a Chery formalizou uma solicitação para aderir às políticas de incentivos fiscais e a gestão municipal apresentou as condições legais e administrativas para a concessão dos benefícios. 

Também há negociações por parte da Chery com o Governo do Estado do Rio de Janeiro. As tratativas entre o governo fluminense e a fabricante chinesa estariam avançadas, mas o que está barrando os avanços são as questões tributárias. Negociações e ajustes também estão sendo tratados junto à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Com isso, também há incerteza sobre quando a Jaguar Land Rover encerrará sua operação em Itatiaia. Todos os carros prontos seriam retirados até 15 de julho.

Fábrica precisará ser ampliada

Omoda 4
Omoda 4 (Divulgação/Omoda & Jaecoo)

Embora esteja operando há 10 anos, a fábrica da JLR em Itatiaia nunca alcançou grandes volumes e opera em regime SKD, no qual as carrocerias chegam pintadas e armadas para terem a montagem finalizada com uma grande maioria das peças importadas.

O fato é que a estrutura que está pronta não é suficiente para a necessidade da Chery Automobile, que planeja nacionalizar o Omoda 4, um SUV de entrada com motor 1.0 turboflex híbrido (HEV) que será posicionado na faixa dos Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e GAC GS3.

Omoda 4
Omoda 4 (Divulgação/Omoda & Jaecoo)

Para isso ser possível, porém, será necessário ter volume de produção. Outros modelos da Omoda, da Jaecoo e até mesmo de Lepas e Jetour (outras marcas que pertencem à Chery) também poderão ser montados ali futuramente.

A intenção é abastecer o mercado interno e também exportar para países vizinhos.

A estratégia da Chery seria aproveitar os incentivos da JLR com o argumento de construir uma nova fábrica no local capaz de montar carros em CKD — quando as peças chegam importadas, mas os processos de manufatura, como armação da carroceria e pintura, são realizados no local.

O planejamento estabeleceria um salto na capacidade produtiva para cerca de 100.000 carros anuais a partir do segundo semestre de 2027. A adaptação do espaço para comportar até 87.000 unidades já estaria assegurada no termo de compromisso com os governos locais.

Produção terceirizada seria cogitada

Freelander 8
Freelander 8 foi desenvolvido pela Chery (Freelander/Divulgação)

Nos bastidores da indústria, conta-se que a JLR poderia até mesmo contratar a Chery para seguir montando seus carros em Itatiaia. As duas empresas são parceiras de longa data na China, onde é a Chery quem fabrica os carros da Land Rover. Além disso, os novos carros da submarca Freelander estão sendo desenvolvidos em parceria com o conglomerado chinês, que também será responsável pela produção e distribuição global dos novos modelos.

Essa relação poderia ter facilitado a negociação de venda da fábrica brasileira. Ao mesmo tempo, poderia viabilizar um esquema no qual a JLR contrata a Chery para produzir os carros para abastecer o mercado brasileiro.

Fonte: 4 rodas

Comentários (0)

Nenhum comentário recente.

Compartilhar artigo: