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MÁFIA: A incrível história da Cosa Nostra no RN. Entenda. 

Como a máfia siciliana enraizou suas operações em nosso estado? Investimentos que ultrapassam 800 milhões de reais no mercado imobiliário foram realizados por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. A Cosa Nostra deixou no Rio Grande do Norte um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos. Bem que poderia ser o roteiro de um filme policial, mas é um artigo que você começa a ler agora.

Era quase noite em Palermo, capital da Sicília, quando dois jovens, um deles com uma faca, entraram em uma pequena loja de produtos de limpeza na Via Altofonte. Depois de renderem os funcionários, os assaltantes levaram 4,5 mil euros que estavam na caixa registradora. Era 29 de agosto de 2019. Cinco dias depois, no mesmo horário, novo roubo na mesma loja: dois rapazes, fingindo estarem armados, levaram mais 2,8 mil euros.

O caminho natural do dono da loja seria procurar a polícia. Mas não foi o que aconteceu. Francesco Paolo Bagnasco preferiu telefonar para Giovanni Caruso, um membro da Cosa Nostra, organização mafiosa que desde o século XIX controla boa parte das relações socioeconômicas na Sicília. Ao analisarem imagens captadas por uma câmera de vídeo, os mafiosos identificaram três assaltantes (um deles havia participado dos dois roubos).

Na tarde de 7 de setembro, quatro dias após o segundo assalto, os três ladrões foram sequestrados e levados para um galpão. Caruso notificou o seu chefe, Giuseppe Calvaruso, bem como o dono da loja, e os três foram até o cativeiro, onde assistiram ao brutal espancamento dos assaltantes. Horas depois, Caruso descreveu, para outro membro da máfia, a face de um dos assaltantes, dizendo que parecia uma “peneira”. O dinheiro roubado foi devolvido a Francesco Bagnasco.

Sete meses depois, em abril de 2020, Bagnasco e outros cinco empresários recorreram a Calvaruso para adquirir nove partes de um grande armazém. Coube à máfia afastar outros pretensos concorrentes na compra do imóvel. Em troca, a Cosa Nostra exigiu uma taxa total de 90 mil euros – 40 mil a serem pagos apenas por Bagnasco por ele ter adquirido quatro partes do armazém. Foi a vez do empresário e seus sócios sentirem na pele a ira da máfia palermitana.

Em telefonema captado pela polícia italiana, Calvaruso ordenou que Caruso exigisse o dinheiro dos empresários antes que o negócio fosse formalizado em cartório. “Não tenha piedade”, disse o chefe. Bagnasco pagou, mas apenas uma parte – 15 mil euros. Em dezembro de 2020, Calvaruso reforçou as ameaças. “Se eles não me derem o dinheiro, tudo pode acontecer”, disse a Caruso. Em fevereiro de 2021, duas semanas antes da formalização do negócio no cartório, o chefe mafioso aumentou o tom das ameaças. “Se alguém ousar fazer a escritura sem ter pagado, não deixe ir ao cartório e meta um revólver na boca dele”, ordenou. Calvaruso falava de um lugar muito distante de Palermo, do outro lado do Oceano Atlântico – mais precisamente, de Natal, no Rio Grande do Norte.

Parte do dinheiro extorquido dos empresários custeou as despesas de familiares dos membros da Cosa Nostra que estão presos. Outra parte foi enviada ao Rio Grande do Norte, onde, ao longo de dezessete anos, sob o comando de Calvaruso, a máfia siciliana investiu 800 milhões de reais no mercado imobiliário por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. Durante esse tempo, a Cosa Nostra deixou no estado nordestino um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos.

Giuseppe Calvaruso tem cabelos castanho-claros, repartidos ao meio, e baixa estatura, o que lhe rendeu o apelido, entre os mafiosos sicilianos, de u curtu (o curto, literalmente, ou o baixote). Em 47 anos de vida, a maior parte atuando como empresário da construção civil, adquiriu o respeito da cúpula da Cosa Nostra, sobretudo depois de ter ajudado na fuga de Giovanni Motisi, no fim dos anos 1990. Motisi foi um dos mais sanguinários assassinos de aluguel de Salvatore “Totò” Riina, mafioso que aterrorizou a Sicília e foi o mandante dos assassinatos, em 1992, dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, responsáveis pelo Maxiprocesso de Palermo. Em 1993, Riina foi preso. Morreu em 2017, aos 87 anos.

Cada município da Sicília (ou, no caso das maiores cidades, cada bairro ou distrito) possui um líder mafioso, chamado capomandamento (mandamento é uma região controlada por determinado clã criminoso). Antonino Rotolo, o capomandamento de Pagliarelli, está preso desde 2006. Quem o substitui desde 2015 é Calvaruso, mas na condição de “regente”, como se chama o líder temporário. Em conversa interceptada pela polícia italiana, o regente disse ter à disposição cerca de 1 bilhão de dólares para investir.

Em fevereiro de 2009, Pietro Ladogana, um homem alto de queixo anguloso que, para a PF, era testa de ferro da Cosa Nostra, desembarcou em Natal. Na capital potiguar, ele fundou três empresas do ramo imobiliário, com um capital social total de 3,8 milhões de reais, e casou-se com Tamara Maria de Barros. A brasileira seria usada como laranja pelo italiano, que colocou no nome dela boa parte dos imóveis que adquiriu. 

Mas Ladogana também começou a grilar terras com o uso da violência. Chegou a criar uma milícia formada por policiais militares para expulsar moradores em Extremoz, município na Região Metropolitana de Natal, onde contava com a ajuda do então tabelião do cartório local e ex-prefeito João Soares de Souza, e de servidores da prefeitura para falsificar documentos que garantissem a posse dos imóveis. Quando o então secretário de Tributação de Extremoz Giovanni Gomes contrariou os interesses do esquema, Ladogana ordenou que um dos PMs de sua milícia, Alexandre Douglas Ferreira, “desse um susto nele” – como a mulher do mafioso contou à Polícia Civil. Gomes levou um tiro de raspão na perna quando saía da festa de formatura do filho, em uma noite de agosto de 2013.

No caso de outro desafeto, o desfecho foi trágico. O empresário italiano Enzo Albanese, que dirigia um time de rugby em Natal e não tinha relações com a Cosa Nostra, descobriu as fraudes fundiárias de Ladogana, bem como desvios de parte do dinheiro da máfia para o próprio bolso, e ameaçou denunciar tudo à polícia. Em março de 2014, Albanese foi ameaçado de morte, caso ousasse delatar seus esquemas. Mas ele não recuou. Em 2 de maio do mesmo ano, ele fechava o portão de entrada de sua casa quando o policial Ferreira se aproximou em uma moto e atirou. O italiano morreu no local. Um mês depois, a Justiça de Natal decretou a prisão preventiva de Ladogana, que foi detido no aeroporto de Roma, onde tentava embarcar para o Brasil com 120 mil euros escondidos na roupa. Acabou liberado meses depois, na Itália, e ficou no país natal. Tempos depois, recebeu uma pena de catorze anos de reclusão, que ele cumpre na penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Ferreira não chegou a ser julgado – a Justiça o considerou inimputável, depois que foi diagnosticado com esquizofrenia.)

Em 2016, Calvaruso iniciou o processo de troca do operador da lavanderia de dinheiro da máfia no Brasil. Recorreu então ao empresário Giuseppe Bruno (foto no início do artigo), cuja família lavava dinheiro para a máfia desde os anos 1990 na construção civil da Sicília, de acordo com a polícia italiana.

Em Natal, Bruno e Calvaruso investiram 830 mil euros na compra de novas áreas nos arredores de Natal, inclusive uma fazenda que seria transformada em loteamento com perspectivas de ganhos milionários. “Gostaria de salientar que estamos falando de 180 hectares, onde há a possibilidade de construir cerca de 7.500 casas, que por 100 mil reais são 750 milhões de reais de faturamento, com um lucro residual de mais de 50%…”, escreveu Bruno, por e-mail, a um integrante da máfia na Sicília. No total, segundo o Ministério Público Federal, a máfia adquiriu 76 imóveis no Brasil.

Certo dia, em um shopping de Ponta Negra, local abastado da cidade, Bruno conheceu Sara da Silva Barros, de 37 anos de idade. Logo, ela se tornaria não só a mulher de Bruno, como sua testa de ferro preferida, já que não tinha antecedentes criminais. “Sara é cem por cento limpa”, escreveu ele para Calvaruso, por WhatsApp. Foi em nome dela que Bruno e Calvaruso montaram a pizzaria e cafeteria Italy’s, na orla de Natal. 

O policial e advogado Carlos Menezes conheceu Bruno em 2016, quando o italiano e Nino Spadaro foram até a Delegacia de Apoio e Assistência ao Turista (Deatur), em Natal, onde o então agente trabalhava, para fazerem um boletim de ocorrência contra João Soares de Souza, tabelião do cartório de imóveis de Extremoz, e seu filho, Gustavo Eugênio Costa de Souza. Segundo Bruno, o tabelião e o filho haviam falsificado a escritura de uma área de 29 hectares adquirida pela empresa Tecnobloco Construções Ltda., da qual o italiano se dizia sócio e procurador, para revendê-la a terceiros por 16 milhões de reais.

Por causa do alegado prejuízo pela perda do terreno, Bruno e Spadaro passaram a pressionar o tabelião, que se comprometeu a pagar 1,2 milhão de reais e a entregar outra área a eles. Mas Souza só pagou 150 mil reais, e os italianos descobriram que os documentos da área oferecida eram falsos.

Na discussão com os italianos, o tabelião ameaçou Bruno e seu advogado com um revólver, dentro do cartório de Extremoz, o que motivou um segundo boletim de ocorrência contra Souza, agora por ameaça, registrado pelo então policial Menezes no fim de 2017, na mesma Deatur. A aproximação com o policial fez com que este fosse convidado a trabalhar como segurança para a viagem que a mãe de Bruno fez da Itália ao Brasil.

Em março do ano seguinte, Souza e o filho foram denunciados à Justiça por estelionato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusados de uma série de fraudes documentais. Souza morreu um mês depois, de causas naturais. Gustavo, seu filho, foi absolvido. Sem saída, Bruno ingressou com ação na Justiça contra o tabelião e o filho, e a 1ª Vara de Extremoz condenou o espólio de Souza e também Gustavo a indenizarem Bruno em 22 milhões de reais.

Retornando ao Brasil em 2019, Calvaruso, regente da Cosa Nostra, acelerou os investimentos da máfia. Concluiu a construção de uma casa dentro de um resort em Bananeiras, interior da Paraíba; comprou dois apartamentos em Cabedelo, município vizinho a João Pessoa; adquiriu duas empresas em Natal (uma delas dona de imóveis avaliados em quase 4 milhões de reais, no total) e fundou a pizzaria Italy’s. 

Em 2021, os primeiros policiais italianos desembarcaram em Natal para rastrear o patrimônio amealhado pela máfia e seguir de perto os passos de Giuseppe Bruno.

No ano seguinte, em maio, o governo italiano decidiu solicitar formalmente um acordo de cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro para “a obtenção de dados confiáveis sobre rastreabilidade dos grandes fluxos financeiros movidos da Itália para o Brasil e informações sobre bens atribuídos a Giuseppe Calvaruso e outros”. A investigação do MPF, da PF e da Receita Federal, iniciada em outubro de 2022, não só confirmou os dados já investigados desde a Itália como encontrou novas suspeitas sobre o patrimônio do trio Calvaruso-Ladogana-Bruno no Rio Grande do Norte. 

Em novembro de 2023, a PF encaminhou à Justiça os pedidos de prisões preventivas e de buscas. Em poucas semanas as requisições foram acatadas pela 14ª Vara Federal de Natal, mas a operação tinha de ser deflagrada ao mesmo tempo no Brasil e na Itália, onde havia outros participantes do esquema mafioso. A Justiça italiana demorou a conceder os pedidos de prisão (só o fez em agosto de 2024).

Bruno foi preso na manhã de 13 de agosto de 2024. No mesmo dia, a Direção Distrital Antimáfia de Palermo prendeu na Itália a mãe dele, Rosa Simoncini. No Brasil, nove pessoas, incluindo Calvaruso, Bruno e sua ex-mulher, Ladogana, sua ex-mulher, Tamara Barros, e a atual, Regina Souza, são réus em ação penal, ainda não julgada, na 14ª Vara Federal de Natal, acusados de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em dezembro passado, o inquérito da polícia italiana seguia em andamento.

O advogado de Calvaruso na Itália, Michele Giovinco, disse à revista piauí que a Justiça ainda não provou a responsabilidade do réu na suposta extorsão aos compradores do armazém na via Altofonte, em Palermo, nem na lavagem de dinheiro na compra e venda de imóveis no Brasil. “Não há provas processuais nas investigações italianas de transferência de dinheiro de Hong Kong ou Cingapura, nem para a Itália e nem para o Brasil”, afirmou.

Em nota, a defesa de Ladogana informou apenas que o patrimônio dele no Brasil “foi adquirido com muito trabalho” e que o empresário nunca teve envolvimento com a Cosa Nostra. Nino Spadaro não quis se manifestar. A defesa de Bruno não foi localizada.

A última ponta solta dos esquemas da máfia siciliana no Rio Grande do Norte é o assassinato de Carlos Antonio Lopes da Silva, o taxista que se tornou laranja de Pietro Ladogana e era dono formal de duas empresas e de dezenas de imóveis no estado. Mesmo depois da prisão do italiano, em 2019, Silva continuou próximo dele – era uma das pessoas autorizadas por Ladogana a visitá-lo na prisão em Alcaçuz.

Na noite de 1º de março de 2023, Silva dormia em sua casa no bairro Pitangui, em Extremoz, com a mulher e as duas filhas do casal, quando ouviu a porta da entrada sendo arrombada. Pegou um bastão e conseguiu atingir um dos invasores, mas acabou levando sete tiros de pistola de outro criminoso. Morreu ao lado da sua cama.

A principal suspeita da polícia é que Silva tenha sido morto a mando de um empresário potiguar que teria grilado parte dos terrenos da Cosa Nostra no estado. Responsável pelo inquérito, o delegado André Kay, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Ceará-Mirim, não revela a identidade do suspeito para não atrapalhar as investigações. Passados quase dois anos do crime, o inquérito ainda não foi concluído.

Fonte: Revista Piauí. Allan de Abreu.

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Organização e investimentos fortalecem início do ano letivo na rede pública de Parnamirim

Planejamento e prioridade à educação marcam o início do ano letivo de 2026 em Parnamirim. Sob a liderança da prefeita Nilda Cruz, a rede pública municipal inicia as aulas de forma organizada e estruturada. As aulas começam no dia 09 de fevereiro, com mais de 2.600 alunos matriculados. O transporte escolar está garantido, com 34 ônibus revisados, a merenda está regularizada desde o primeiro dia e os uniformes estão em fase de confecção, com garantia de entrega a todos os estudantes.

O cenário atual é completamente diferente do encontrado no início de 2025, quando a atual gestão precisou adiar o retorno às aulas devido aos problemas herdados da administração anterior. No ano passado, faltavam uniformes, material escolar, merenda e profissionais, o que gerou dificuldades no começo do ano letivo.

Desde então, a gestão municipal trabalhou de forma contínua para reorganizar a rede e garantir um novo padrão de funcionamento. A gestão também avança com o Cartão Educa Parnamirim, em fase de confecção, que vai disponibilizar R$ 200 para alunos da Educação Infantil e do 1º ao 5º ano e R$ 150 para estudantes do 6º ao 9º ano.

O ano letivo também já começa com formação dos profissionais da educação. As manipuladoras de alimentos participam já estão participando de curso de capacitação. Os estagiários da Educação Infantil passam por formação nesta semana, no auditório do Augusto Severo, e os gestores escolares também participam de encontros formativos na próxima segunda-feira, reforçando o preparo para o ano letivo.

“Educação é prioridade absoluta na nossa gestão. Trabalhamos o ano inteiro para corrigir os problemas que encontramos e assegurar que nossas crianças tenham um início de aulas digno, com planejamento e respeito”, destacou a prefeita Nilda Cruz.

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Consumidores da Neoenergia podem buscar reparação individual, aponta Alves, Duarte e Advogados. Por Aragão.

O escritório Alves, Duarte e Advogados nos enviou uma análise jurídica sobre a polêmica da não compensação de energia solar. Os advogados alertam que, apesar da importância das possíveis ações coletivas em andamento, cada consumidor possui particularidades contratuais que podem ensejar reparações individuais. Confira a manifestação:

“Do ponto de vista jurídico, a situação envolvendo a não compensação da energia solar por parte da Neoenergia Cosern é grave e merece uma análise técnica, equilibrada e responsável.

Estamos falando de consumidores que investiram em geração distribuída com base em um modelo regulatório claro, respaldado por normas da ANEEL e pelo Código de Defesa do Consumidor. A expectativa legítima era simples: a energia gerada seria corretamente compensada na fatura. Quando isso não ocorre, há uma quebra objetiva dessa relação de confiança.

A atuação do Procon Natal e do Ministério Público do RN é extremamente relevante e cumpre um papel institucional essencial, sobretudo na fiscalização, na tutela coletiva e na busca por soluções estruturais. No entanto, é importante deixar claro que essas iniciativas não afastam, nem substituem, o direito do consumidor de buscar a tutela jurisdicional de forma individual.

Cada contrato, cada unidade consumidora e cada fatura possui uma realidade própria. Em muitos casos, é plenamente possível, e juridicamente recomendável, a análise individualizada da situação, inclusive para verificar a existência de danos materiais concretos, cobranças indevidas, falha na prestação do serviço e, em determinadas hipóteses, até danos morais.

O argumento apresentado pela distribuidora, no sentido de que houve falha operacional, mudança de software ou descompasso na leitura das unidades geradoras, pode até explicar o ocorrido do ponto de vista técnico, mas não exime a responsabilidade jurídica. O risco da atividade é do fornecedor, não do consumidor. Essa é uma premissa básica do Direito do Consumidor.”

Tassius Tsangaropulos é sócio do Alves & Duarte Advogados, especialista em Direito Civil e Processual Civil pela UFRN, onde também é mestrando em Direito Constitucional.

@tassiust

@alvesduarte_adv

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Volta às aulas solidária: Casa Durval Paiva e Grupo Queiroz promovem arrecadação de material escolar, até dia 31, no Queiroz Atacadão

A Casa Durval Paiva de Apoio à Criança com Câncer, em parceria com o Grupo Queiroz, realiza a Campanha de Arrecadação de Material Escolar 2026, com ponto de coleta no Queiroz Atacadão, até o dia 31 de janeiro. A ação tem como objetivo arrecadar materiais escolares para garantir a continuidade da escolarização de crianças e adolescentes em tratamento oncológico atendidos pela instituição.

A campanha integra o período de volta às aulas e convida clientes e colaboradores do Queiroz Atacadão a participarem de um gesto solidário, que impacta diretamente a educação e a qualidade de vida dos pacientes. Os itens arrecadados serão utilizados na montagem de kits escolares padronizados, entregues aos estudantes no início do ano letivo de 2026.

Em 2025, 249 estudantes participaram das atividades do setor educacional da Casa Durval Paiva. Desse total, 50 alunos receberam atendimento educacional hospitalar e domiciliar, de forma individualizada, por estarem afastados da escola em decorrência do tratamento contra o câncer. A instituição também atendeu 23 crianças atípicas, com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e/ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), reforçando seu compromisso com a educação inclusiva.

Com atuação que vai além da Saúde e da Assistência Social, a Casa Durval Paiva é credenciada como escola pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC). Amparada pela Lei Estadual nº 10.320/2018, a instituição assegura a escolarização curricular dos pacientes por meio de classes hospitalares e domiciliares, em parceria com as escolas regulares, com salas instaladas na Liga Norte-riograndense Contra o Câncer e na Policlínica.

Além do ensino curricular, o setor educacional desenvolve atividades extracurriculares que estimulam o aprendizado e o bem-estar, como os projetos Oficina de Desenho, Educação e Sorriso, Educando para Nutrir, Passeio Terapia e Leitura e Prosa, este último financiado pelo Sicoob Potiguar, por meio do FIA/COMDICA.

O kit escolar padronizado, montado com os materiais arrecadados na campanha, é composto por mochila, estojo, lápis, borrachas, apontador, giz de cera, lápis de cor, hidrocor, massinha de modelar, tesoura, tinta guache, cadernos, cola, régua, canetas e corretivo. Ao atender às necessidades específicas das crianças, o kit contribui para o desenvolvimento da coordenação motora fina, do aprendizado e da integração escolar, promovendo inclusão e continuidade dos estudos mesmo durante o tratamento.

A Campanha de Arrecadação de Material Escolar da Casa Durval Paiva, em parceria com o Grupo Queiroz, segue até 31 de janeiro, no Queiroz Atacadão, localizado na Avenida dos Xavantes, 1513 – Pitimbú.

Participar é simples e faz toda a diferença: doar material escolar é investir em educação, esperança e futuro.

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Prevenção funciona e Parnamirim passa por fortes chuvas sem transbordamento de lagoas

O trabalho contínuo de prevenção, manutenção e recuperação das lagoas de captação, executado pela gestão da prefeita Nilda, mostrou-se altamente efetivo. Mesmo com o alto volume de chuvas registrado nesta terça-feira (20), cerca de 42, 1 milímetros, nenhuma lagoa de captação do município apresentou transbordamento.

Para a prefeita Nilda, o momento é de reconhecimento do trabalho técnico, mas também de responsabilidade. “Esse resultado mostra que o trabalho preventivo está dando certo. Investimos em manutenção, recuperação e monitoramento, e isso faz a diferença. Celebramos o fato, mas seguimos atentos, com responsabilidade e cuidado com a população”, destacou.

O resultado é reflexo direto do planejamento, das ações antecipadas e do monitoramento permanente realizado pelas equipes da Prefeitura, que seguem atuando de forma integrada para reduzir riscos e proteger a população. Durante todo o período de chuvas, as equipes da Defesa Civil permaneceram de prontidão, acompanhando a situação das lagoas e das áreas mais sensíveis da cidade.

A Prefeitura de Parnamirim reforça que o monitoramento continua e que as equipes seguem a postos para agir de forma rápida em qualquer eventualidade. Em caso de emergência ou necessidade de apoio, a população deve entrar em contato com a Defesa Civil pelos canais: 156 e pelo WhatsApp: (84) 98701-2912.

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Ministério Público instaura Inquérito Civil para apurar irregularidades da Neoenergia Cosern. Por Aragão.

Diante do silêncio da mídia tradicional, coube a este blog trazer ao debate público um problema que afeta milhares de consumidores do Rio Grande do Norte: a não compensação correta da energia solar gerada.

Após os primeiros artigos publicados, o Procon Natal notificou a Neoenergia Cosern. Agora, a questão avançou mais um degrau e chegou ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, no âmbito da Promotoria de Defesa do Consumidor.

A denúncia que apresentamos gerou uma Notícia de Fato, que foi recebida, analisada e, agora, convertida em Inquérito Civil.

Isso não é um detalhe burocrático.
É uma mudança de patamar.

A conversão indica que o Ministério Público entendeu haver indícios suficientes de interesse coletivo para a abertura de uma investigação formal sobre possíveis irregularidades na compensação dos créditos de energia solar. Segundo dados da APER, o Rio Grande do Norte conta hoje com cerca de 230 mil beneficiários da geração distribuída, o que dimensiona a relevância do tema.

A 29ª Promotoria de Justiça do RN cumpre, assim, seu papel constitucional na defesa do consumidor e do interesse público. A partir de agora, caberá à concessionária apresentar os esclarecimentos técnicos devidos no curso do procedimento.

Em um estado que não conseguiu estruturar um ambiente de livre concorrência na distribuição de energia elétrica, a atenção dos órgãos de controle torna-se essencial para garantir equilíbrio na relação entre usuários e concessionária, assegurando a adequada prestação do serviço público.

O Inquérito Civil do MP, somado à iminência da renovação da concessão por mais 30 anos, traz a expectativa de que a Neoenergia Cosern adote uma postura mais transparente, técnica e alinhada ao interesse do povo potiguar.

Seguiremos dando a visibilidade que o tema merece.

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Uniclube promove campanha de verão com ofertas em moda praia e acessórios.

Ação destaca produtos como protetor solar, moda praia e acessórios disponíveis com benefícios exclusivos no marketplace da Unimed Natal

Entre os dias 19 e 26 de janeiro, o Uniclube promove uma campanha voltada para itens de verão, reunindo produtos que fazem parte da rotina da estação e que podem ser adquiridos com vantagens exclusivas pelo site uniclube.com.br. A iniciativa reforça a proposta de facilitar o acesso a produtos sazonais com economia e praticidade.

Durante o período da campanha, os consumidores encontram opções como protetor solar, saída de praia, cooler, óculos de sol, biquíni, além de outros itens voltados ao lazer, cuidados pessoais e bem-estar no verão. “A ideia é reunir, em um só lugar, produtos que as pessoas já consomem nessa época do ano, com benefícios reais. O Uniclube ajuda o cliente a curtir o verão com mais conveniência e economia”, afirma o gerente de Comunicação e Marketing da Unimed Natal, Lucas Bonavides.

A campanha integra o calendário de ações do Uniclube e reforça o papel da plataforma como um canal que conecta consumidores a marcas parceiras, ampliando o acesso a produtos e vantagens no dia a dia.

SOBRE O UNICLUBE

O Uniclube é uma plataforma de benefícios que conecta consumidores a uma rede com mais de 230 lojas parceiras, oferecendo descontos e condições exclusivas em diversos segmentos. Além das vantagens comerciais, o Uniclube oferece frete grátis para clientes Unimed em Natal e na região metropolitana, nas entregas realizadas pela NatalCoop, ampliando a conveniência e facilitando o acesso aos produtos. Os clientes também podem participar do grupo exclusivo de WhatsApp do Uniclube, onde recebem promoções e novidades em primeira mão. Para entrar, basta acessar: https://chat.whatsapp.com/DBK7A6xwDZg8Dw54WGPp2x
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“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que postas”. Por Luis Marcelo Cavalcanti.

O título, inspirado na clássica frase de Antoine de Saint-Exupéry, é uma advertência para todos que utilizamos as redes sociais para manifestar opiniões e críticas, compartilhar fatos e notícias. Porque a mídia digital revolucionou a forma como a informação e a opinião se propagam, rompendo com o paradigma da velha e imprensa. Hoje, qualquer cidadão é um formador de opinião em potencial. Basta ter um certo número de seguidores, ou emplacar uma publicação viral.

Estima-se que existem no mundo aproximadamente 100 milhões de perfis no Instagram com mais de 50.000 seguidores. Não, você não leu errado, meu amigo leitor, minha cara leitora: 100 milhões de formadores de opinião!!

Para se ter uma ideia da dimensão disso, basta lembrar que Mahatma Gandhi, em seu mais emblemático discurso ao final da Marcha do Sal (1930), falou para cerca de 50.000 pessoas.

Por isso mesmo devemos ter responsabilidade com o que postamos, para não dar razão a Humberto Eco, quando afirmou que a internet deu voz aos idiotas. E, segundo provérbio italiano, a mãe dos idiotas está sempre grávida.
Portanto, tenha cuidado com o que posta em suas redes: você tem nas mãos o poder de compartilhar bons conteúdos ou apenas espalhar lixo.
Nesse sentido, lembro sensata ponderação da professora Lúcia Helena Galvão, para quem o ideal seria unir a tecnologia das coisas com a filosofia dos homens: “já pensou, que maravilha, Platão no tweeter, nos dando bom dia com o Mito da Caverna…?”

Permite-me uma última sugestão? Não poste uma vida que não é sua; não divulgue quem você não é; não venda o que não acredita. Se for mesmo uma opção sua retratar sua vida pessoal (tão cara e privada para tantos), seja fiel ao seu momento de vida, não seja mais do mesmo, saia dessa bolha em que todos são iguais na aparência, com “singularidades em ruínas (DESCONSTRUÇÃO, Tiago Iorc).

Em tempos estranhos de perda de identidade, órfãos que estamos de pessoas autênticas, bom lembrar de Shakespeare (Hamlet):
“Acima de tudo sê fiel a ti mesmo. Disso se segue, como a noite ao dia, Que não podes ser falso com ninguém.”

Luis Marcelo Cavalcanti  é Procurador do Estado e Advogado.

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Verão completo: Parnamirim leva vacinação, fiscalização e serviços essências para a orla

O verão em Parnamirim está completo com o trabalho executado pela gestão da prefeita Nilda. De forma integrada e oferecendo mais que festas e eventos, a Prefeitura reforçou a presença do poder público nas ruas com uma ampla oferta de serviços. Entre as principais ações está a vacinação na orla, que facilita o acesso da população aos serviços de saúde em um período de grande circulação de pessoas. Somente neste último fim de semana, 1.209 doses de vacinas foram aplicadas, contemplando diversos imunizantes.

A Prefeitura também intensificou o trabalho da Vigilância Epidemiológica, com equipes realizando vistorias em residências, especialmente em casas de veraneio que permanecem fechadas, reforçando o combate às arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, comuns neste período do ano. No trânsito, as equipes municipais estão presentes nas áreas de maior fluxo com ações educativas, orientação a motoristas e pedestres e distribuição de material informativo, contribuindo para uma mobilidade mais segura e organizada durante o verão.

O cuidado com a cidade também inclui serviços permanentes de limpeza urbana e educação ambiental, com fiscalização voltada ao combate à poluição sonora. A gestão reforça que o uso de paredões de som é proibido, preservando o sossego e a convivência entre moradores e veranistas. Outro eixo de atuação é o ordenamento urbano, com fiscalização do comércio informal e regulamentação da atividade dos ambulantes, garantindo organização dos espaços públicos, segurança e equilíbrio entre o direito ao trabalho e o bem-estar coletivo.

Para a prefeita Nilda, a atuação integrada é fundamental neste período. “Em Parnamirim, o verão vai muito além de festas e eventos. Estamos cuidando da cidade com saúde, trânsito, fiscalização, limpeza e prevenção, para que moradores e visitantes tenham a melhor experiência possível. Esse é o compromisso da nossa gestão”, destacou.

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O vídeo, o português e os viados. Por Aragão.

Assisti ao vídeo que viralizou com o português Fábio Nobre dizendo que no Brasil tem viado demais.

Nenhum vídeo ou texto sobre nossas mulheres lindas? Nem um story? Porque é bem verdade que as mais lindas do mundo são as brasileiras. Vinicius de Moraes, quando viu Helô Pinheiro, fez a Garota de Ipanema; Jorge Amado criou Gabriela, Tieta; populares, cidadãos comuns gravam vídeos se declarando ou fazendo loucuras de amor.

— Mas, Fábio, você fez o quê? Um vídeo sobre os viados!

Mais de 9 milhões de turistas visitaram o Brasil em 2025, mas só você fez um vídeo sobre esse tema. Bem que tentou disfarçar, falando no início sobre a comida, alguns lugares e a beleza das mulheres, mas a maior parte do vídeo era sobre os viados.

— Mas, Fábio, esse vídeo diz pouco sobre o Brasil, e muito sobre você.

Imagino que, na sua terra, possa não ser realmente fácil para você namorar, pois, com tantos países bem próximos, suas conterrâneas podem não preferir namorar um português — ou, é possível, ainda confundir você com algum viado, ora pois.

Acredito que, no Brasil, tenha muitos mesmo, mas isso não atrapalha em nada nós, héteros. Achamos que a concorrência fica menor. Simples assim. E aceitamos a diversidade sem problemas. Você poderia ter pensado a mesma coisa. Nós, brasileiros, quando vamos a uma festa, olhamos as garotas, e os gays olham para os gays. Mas você revelou um detalhe que faz toda a diferença:

— “Toda mulherada pensava que nós éramos boiolas, viados”, disse o português Fábio Nobre.

Acho que isso não foi à toa. Como no Brasil tem muitos, elas reconhecem logo. E, depois de ver o seu vídeo, eu fiquei pensando como elas, Fábio.

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A ideologia chegou no Judiciário Por Aragão.

Anteontem, ao assistir à colação de grau de uma turma de Direito, o paraninfo fez uma observação tão forte quanto incontestável — a ideologia chegou no Judiciário. Ele relatou algo que tem ouvido com frequência de seus próprios clientes na advocacia: — “Tal juiz é de direita ou de esquerda?”

— Quem tem causa é o réu. Não o juiz.

Desde quando uma causa pode — ou deve — ser julgada a partir de um rótulo ideológico? Como se pode equilibrar a balança de Têmis quando o julgamento parte de um viés político prévio e se funde perigosamente ao viés de confirmação? Alguns juizes já não buscam a verdade dos fatos; buscam apenas aquilo que confirma suas convicções.

— Quando juízes viram advogados.

É aí que ocorre a distorção mais grave: magistrados deixam de julgar para, na prática, advogar. Passam a defender causas — não no exercício legítimo da cidadania, mas no espaço que deveria ser reservado à neutralidade.

Sempre existiu, é verdade, certa simpatia de parcelas do Judiciário pelo Executivo. Enquanto a cúpula do Judiciário depender de nomeações políticas, esse risco sempre existirá. Mas permitir que a polarização política chegue aos tribunais é condenar toda a sociedade à pena máxima da insegurança jurídica.

— A quem podemos recorrer?

Quando a previsibilidade do direito desaparece, resta o arbítrio: aos simpatizantes, a balança; a todos os outros, a espada.

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